Sony recebe ajuda e muda de vida. Ele está até namorando | Tribuna PR - Paraná Online

Publicidade

Barrerinha

Tá namorando!

Lembra do “Sony”, o carpinteiro que morava numa casinha de cachorro na Rua Marechal Deodoro, no Centro de Curitiba? Lembra que ele estava numa depressão profunda, desanimado, envergonhado de si próprio? Pois a vida do José Valsonir Gauer, 60 anos, o Sony, mudou completamente. Ele recebeu ajuda de uma advogada de Curitiba, ganhou uma casa (de verdade) para morar, ajuda financeira e tranquilidade para trabalhar com os seus artesanatos em madeira. Até namorada ele arranjou e esqueceu a depressão.

A Tribuna esteve lá na casinha nova do Sony, no Barreirinha. Ele conta que estava sempre recebendo propostas de ajuda, para sair dali. Mas apesar da situação em que estava, o orgulho e a depressão não o deixavam aceitar nada. Um dia, uma pessoa deixou uma garrafa de café, um sanduíche e um bilhete: “Posso ajudar”, com um telefone. “Eu não liguei. Lá ia aceitar ajuda de estranho?”, diz Sony.

Leia mais: Sony, o morador da casinha de cachorro, recebe ajuda para voltar a ser artesão

Dias depois, a autora do bilhete apareceu, pensando que alguém tinha roubado o lanche com o recado. “Eu nunca tinha visto aquela pessoa na minha vida. Mas olhei o rosto dela e parecia que eu a conhecia há anos”, disse Sony. Alguma coisa dentro dele fez aceitar a proposta da advogada, de ir conhecer a casinha que ela tinha disponível.

O carpinteiro Sony hoje está muito bem. Sorri o tempo todo, sente-se feliz, com vontade de viver e já está quase deixando de lado os remédios para depressão. Foto: Felipe Rosa.
O carpinteiro Sony hoje está muito bem. Sorri o tempo todo, sente-se feliz, com vontade de viver e já está quase deixando de lado os remédios para depressão. Foto: Felipe Rosa.

Nova morada

Sony não sabe explicar, mas de primeira gostou do lugar e aceitou morar lá. Isso aconteceu dia 30 de março. A antiga moradia continuou lá na Marechal Deodoro até a semana passada, quando a FAS a levou até o novo endereço. Até então, ele continuou indo até a casinha de cachorro durante o dia, para vender seus artesanatos e pegar mais encomendas. De noite, voltava para casa nova, até que a frequência de idas ao Centro foi diminuindo.

A advogada levou Sony ao médico para tratar a depressão. O carpinteiro hoje está muito bem. Sorri o tempo todo, sente-se feliz, com vontade de viver e já está quase deixando de lado os remédios para depressão.

Se alguém quiser fazer encomendas com o Sony, ele atende no telefone (41) 3252-0635. Ele faz casinhas de passarinho, para bonecas, cofrinhos, mesinhas, banquinhos, enfeites de Natal ou o que mais a criatividade permitir.

Sony faz casinhas de passarinho, para bonecas, cofrinhos, mesinhas, banquinhos, enfeites de Natal ou o que mais a criatividade permitir. Foto: Felipe Rosa.
Sony faz casinhas de passarinho, para bonecas, cofrinhos, mesinhas, banquinhos, enfeites de Natal ou o que mais a criatividade permitir. Foto: Felipe Rosa.

Amor pra vida toda

O que Sony já não esperava mais, nesta altura da vida e com depressão, era encontrar um novo amor. Ele está namorando há quase três meses. Ela é uma das pessoas que vinha o ajudando há meses. “No começo, ela me chamava de Sr. José. Havia o maior respeito e nenhum de nós tinha interesse um no outro. Mas a amizade foi surgindo. Ela passou de ‘Sr. José’ para ‘José’. E de uns dois meses pra cá agora é ‘Meu José’”, conta ele, com um enorme sorriso no rosto. “Ela é especial. Uma mulher se interessar por um cara como eu? Só por Deus mesmo”, diz ele, cheio de sorrisos.

A namorada, que prefere anonimato, conversou com a Tribuna. “Eu sou uma solteirona convicta. Tive muitos namorados, mas nunca tive vontade de casar e ter filhos. Aí, nessa altura da vida, arranjar alguém pra ter como companheiro na velhice? Pra mim isso era impensável, mas aconteceu. O José é uma pessoa muito íntegra, correta. E nós dois estamos apaixonados como duas crianças”, diz a namorada, que tem a mesma idade dele, possui um negócio próprio e diz que se sente uma pessoa mais feliz, plena e bonita.

Se um dia ela deixar, a Tribuna vai contar essa história completa. Aguardem!

Sobre o autor

Giselle Ulbrich

Giselle Ulbrich

(41) 9683-9504