Parreira em casa faz aposentado de Curitiba viver tarde inusitada

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Campo Comprido

Parreira na garagem faz aposentado viver tarde inusitada em Curitiba

Quando uvas estavam para doação ningué, pegou, mas quando o aposentado colocou preço bombou.
Escrito por Alex Silveira

Uma parreira cultivada desde 2017 na garagem do aposentado da prefeitura de Curitiba Mário Barbosa, de 59 anos, morador do Campo Comprido, fez com que a tarde da última quarta-feira (9) fosse inusitada para ele. Após colher cerca de 70 quilos de uva, produção anual da parreira caseira, o aposentado que já havia empanturrado a família com a fruta resolveu doar o que sobrou da produção para a vizinhança. O problema é que quase ninguém aceitava a doação. Encasquetado com isso, Barbosa abriu o portão da garagem da casa dele, estendeu uma toalha sobre uma mesa e pregou um cartaz informando que vendia uvas por R$ 4 o quilo. E não é que ele vendeu 40 quilos em uma tarde?

Segundo ele, que conversou com a Tribuna no portão de casa, como de graça ninguém queria, a solução para a uva não estragar foi vender. “Foi até engraçado, às 16h já não tinha mais uva. De graça, eu oferecia e não estava conseguindo doar. Depois que montei a mesa no portão com o cartaz do preço por quilo, pra vender mesmo, tinha gente que passava de carro e dava meia volta para comprar uva. Uma mulher chegou a pedir dez quilos”, brincou. O aposentado também fez um vídeo gravado com seu celular para contar a história. “Foi antes de vender toda a uva madura. Agora, só ano que vem”, disse ele pra Tribuna.

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A casa de Barbosa fica na via rápida da Rua Professor Pedro Viriato Parigot de Souza, alguns poucos metros depois da agência da Caixa Econômica Federal da Rua Professor João Falarz. “Rapaz, quem plantou a parreira foi a minha falecida esposa, em 2017. Ela faleceu em 2019 e nem aproveitou. O pé foi crescendo, eu fui ancorando e agora faz uma sombra boa e dá uma uva bem docinha. Fico até emocionado”, revela o dono do parreiral. Aliás, o pé de uva se tornou quase que uma relíquia de família. “Minhas filhas ficam muito felizes na época da colheita. Elas filmam e ficam postando na internet”, conta.

Barbosa explicou que, normalmente, faz a poda da parreira em maio, deixa tudo preparado. Em setembro, surgem os primeiros brotos e, mais ou menos em fevereiro, elas ficam boas para a colheita. Ele não é vendedor de uvas, mas gostou da brincadeira deste ano. “Acabei abrindo a minha casa para as pessoas e foi gratificante. Vamos ver se, na próxima, a turma aceita a doação e não me faz armar uma feira aqui na frente”, satiriza.

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E a uva é mesmo doce, do tipo niágara branca (também conhecida como niágara verde). Um cacho oferecido para a reportagem foi quase motivo de briga entre repórter e fotógrafo. No fim, deu tudo certo na divisão. Quem viu a mesa na calçada e enxergou a parreira na garagem foi o fotógrafo Gerson Klaina, que resolveu estacionar para comprar uvas e descobriu essa baita história. “Tem que viver a cidade, senão não é jornalismo. Eu gosto dessas coisas que são fora do tradicional, só não imaginava que seu Mário era tão gente boa”, destaca Klaina.

E não é brincadeira quando Gerson Klaina diz que gosta de coisas fora do tradicional. Leia essa reportagem em que o fotógrafo passeou com seu jipe adaptado pelos trilhos de trem da Serra do Mar.

E o dono da parreira?

Mário Barbosa nasceu em Campo Mourão, interior do Paraná. Veio morar em Curitiba em 13 de maio de 1989. Ele conta que fazia muito frio naquele dia, que não estava acostumado. No início, trabalhou como ajudante de pedreiro com os irmãos. Depois, foi cobrador de ônibus e passou em um concurso da prefeitura de Curitiba, em 1994. O último setor em que trabalhou como servidor público foi na Superintendência de Trânsito (Setran).

Para a Tribuna, o pedido foi para não esquecermos de mencionar a “mão boa para plantar” da esposa. “Todos diziam isso, que ela era maravilhosa com as plantas”, emociona-se Barbosa, contando que a parreira plantada por ela deu uma uva em 2018 e 15 cachos em 2019, ano em que ela faleceu. “A partir de 2020, foram quilos de uva”, finaliza com saudade o aposentado.

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