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Curitiba

Apertados

Escrito por Luisa Nucada

No dia 6 de julho, o contrato da prefeitura com a empresa terceirizada responsável pela limpeza dos banheiros do Jardim Botânico terminou e não foi renovado. Desde então, funcionários públicos municipais que trabalham no local tiveram de assumir a tarefa, levando vassoura, rodo e outros materiais de suas próprias casas e botando a mão na massa. “Não houve uma ordem pra fazermos isso, mas sentimos uma pressão psicológica, é como se eles dissessem ’se vira’. E nós nos viramos, não tem o que fazer”, conta uma das servidoras, que preferiu não se identificar. A situação se agravou com o aumento do fluxo de visitantes provocado pelas férias escolares e pela passagem da tocha olímpica por Curitiba, ontem.

De acordo com a funcionária, todos que ali trabalham têm muito orgulho do Jardim Botânico, o principal cartão-postal da cidade. Por esse motivo, resolveram vestir a camisa e manter os banheiros limpos, para não estragar a imagem do local para os turistas e frequentadores. “Além de não ser nossa função, são os mais velhos que sofrem com isso. É uma senhora quem está limpando os banheiros que ficam no posto da Guarda Municipal. Ontem eu limpei os vidros do Salão de Exposições, tirei cocô de pombo. É um serviço pesado”, conta.

Segundo ela, a administração do Jardim Botânico está recebendo queixas pelo 156 por causa da situação irregular. “Teve um rapaz que ligou reclamando que foi usar o banheiro e não podia, porque era uma mulher quem estava limpando”, diz.

Sobrou pro artesão

Foto: Felipe Rosa
Artesãos fazema limpeza do salão. Foto: Felipe Rosa

Outros funcionários se recusaram a dar entrevista, alegando que foram orientados a não dar informações. Artesãos que apresentam seus produtos no Salão de Exposições também não quiseram dar declarações, mas, segundo a servidora municipal que falou com a Tribuna, também tiveram que entrar no rodízio da limpeza. “Eles pagam uma taxa pra expor aqui, e a prefeitura entra com a estrutura. Mas são eles que estão fazendo a limpeza do salão. Os banheiros de lá foram fechados para o público e reservados só para os artesãos e funcionários, porque se não, não damos conta de limpar. O papel higiênico somos nós que estamos trazendo de casa.”

Corte não é só lá!

Foto: Felipe Rosa
Funcionários terceirizados perderam o emprego. Foto: Felipe Rosa

A servidora que conversou com a reportagem relata ainda que a coisa está pior em outros locais da cidade. “No Cemitério Municipal São Francisco de Paula está um horror. Era a mesma empresa que fazia a limpeza dos banheiros de lá. Além disso, eles demitiram estagiários que trabalhavam no arquivo, com a desculpa de reduzir despesas. Eles cortam estagiário que ganha R$ 200, mas não tiram um cargo comissionado que seja”, indigna-se ela. “Além disso, as seis funcionárias da empresa terceirizada que limpavam o Jardim Botânico perderam os empregos, porque o contrato não foi renovado. E nessa crise!”

De acordo com outra pessoa que trabalha no local e também não quis revelar a identidade, os banheiros do Centro de Atendimento ao Turista, inaugurado em março, nunca foram abertos nos fins de semana. “O funcionário que trabalha lá diz que não pode abrir porque só tem gente pra limpar de segunda a sexta. Os visitantes acabam usando os banheiros da lanchonete e da loja de souvenir, que são mantidos pelo Instituto IPCC (Instituto Pró-Cidadania de Curitiba).”

Sem previsão

Foto: Felipe Rosa
Foto: Felipe Rosa

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA) informa que está em andamento a contratação emergencial de uma empresa para a limpeza dos espaços sob sua gestão, em substituição à prestadora anterior, que atendia os dez parques com banheiros públicos – entre eles o Jardim Botânico – e quatro cemitérios (Boqueirão, Santa Cândida, Água Verde e São Francisco de Paula).

“Nesse intervalo, a limpeza dos banheiros ao longo da semana é feita por funcionários da própria secretaria, com atribuição para tanto definida no escopo da carreira. Portanto, não há desvio de função, mas apenas remanejamento temporário de atividades. Também não há qualquer determinação para que outros funcionários façam o serviço, e muito menos para que forneçam material de limpeza, que continua sendo fornecido pela SMMA.”

De acordo com o órgão, a limpeza de sanitários e vidros do salão de exposições também é feita por servidores habilitados da secretaria. “Expositores se dispuseram a fazer a limpeza do piso do espaço nesse período de transição.”

Segundo a pasta, a limpeza dos sanitários do Centro de Atendimento ao Turista é feita por servidores habilitados do Instituto Municipal de Turismo, de segunda a sexta-feira. Os banheiros serão abertos nos fins de semana a partir da contratação de uma empresa terceirizada para o serviço, ainda sem previsão de data, conforme informou a prefeitura.

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Luisa Nucada

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