Cláudia Silvano transformou o Procon Paraná em referência no Brasil | Tribuna do Paraná

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Curitiba

#ficaclaudinha. A ‘cara do Procon’, Cláudia Silvano corre risco de deixar direção do órgão. Entenda!

Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná.
Maria Luiza Piccoli

“Pode ser que as coisas mudem. Mesmo assim vocês querem fazer a reportagem?”, perguntou em tom apreensivo porém firme, a advogada especialista em direito do consumidor e – até a redação desta matéria – diretora-geral do Departamento Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (PROCON-PR), Claudia Silvano, ao atendera ligação da reportagem da Tribuna do Paraná na manhã da última quarta-feira. Há 28 anos servidora do órgão público, Claudia ultrapassou o status de mera servidora pública, sendo, hoje, considerada uma das figuras mais conhecidas – e queridas – de Curitiba. A fama não veio “do nada”. Ativa nas mídias sociais e entusiasta da “democratização” do direito do consumidor, a advogada ajudou a viabilizar uma verdadeira revolução no atendimento do Procon e, paramentada com um guarda-roupa peculiar, ganhou ainda mais destaque – e carinho – entre o público, ficando conhecida como a “mulher de pijama do Procon”.

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Diante da incerteza frente o inúmero troca-troca de cargos decorrente da nova gestão do Governo do Estado, o futuro de Claudia à frente do departamento – segundo ela própria – ainda é desconhecido: notícia que causa perplexidade tanto entre funcionários do órgão, quanto entre a população e imprensa local – todos indubitavelmente conquistados pela “gata xadrez”. Para relembrar a trajetória de Claudia, a reportagem da Tribuna do Paraná visitou o “escritório” dela na semana passada, onde uma conversa descontraída revelou curiosidades sobre sua vida profissional e pessoal.

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O figurino não decepcionou. Calça clara com estampas florais, camiseta de malha cinza lisa e, por cima, um colete – também floral – “fait à la main” (feito à mão), pela própria Claudia. Sorridente, ela nos oferece café assim que entramos na sala. “Café facilita as coisas”, brinca. Adepta do “atendimento amigável”, Claudia não reserva a “regalia” apenas para a imprensa. “Em cada departamento aqui do Procon, se você olhar, vai ver que trem uma garrafa de café fresco. Serve tanto pros funcionários quanto pro público que procura atendimento aqui. Servir um cafezinho é uma coisa tão simples… faz com que as pessoas se sintam bem recebidas. É esse tratamento que a gente aplica aqui”, conta.

Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná.
Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná.

“Ligada no 220”, Claudia faz mil coisas ao mesmo tempo. Enquanto monitora, pela tela do computador, os atendimentos da manhã, planeja o tema da postagem do dia nas redes sociais, atende o telefone e responde às nossas perguntas rabiscando num bloco de rascunhos. “Eu entrei aqui em 1991 na área de pesquisas. Depois fui pro atendimento pessoal, telefônico e também trabalhei no setor de audiências”, relembrou. Nomeada diretora do departamento 20 anos depois, Claudia reconhece que a conquista do cargo só aconteceu pelo fato de – ao longo de sua trajetória – ter passado por todos os “níveis” da instituição. “Defendo a ideia de que pra mandar tem que saber fazer. Passei por quase todas as cadeiras do Procon e não imaginava que um dia chegaria à diretoria. Pra mim foi uma surpresa muito feliz descobrir que meu nome tinha chegado à Secretaria de Justiça simplesmente por conta do meu trabalho aqui dentro”, revela.

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Entusiasta das tecnologias, Claudia angaria seguidores no Facebook e Instagram, onde mescla fragmentos de sua vida pessoal e profissional, preocupando-se sempre em manter uma linguagem acessível ao público quando o assunto é direito do consumidor. “Não tem porque complicar. Não adianta usar uma linguagem rebuscada e termos complicados pra falar de um assunto que interessa pra todo mundo. Nosso papel é simplificar a vida das pessoas e resolver problemas de forma rápida e eficiente. Pra isso é fundamental estar perto da população”, explica a advogada, cujo “xodó” é o portal que, desde 2014, permite ao público protocolar reclamações online.

Orgulhosa por ter participado da viabilização da plataforma, Claudia comemora os bons resultados que vão desde a redução significativa no tempo de atendimento do Procon, quanto na própria resolução das reclamações levadas ao órgão que, só em 2018 chegaram à marca das 201 mil. “Hoje o Procon resolve 86% dos casos protocolados mas nossa ideia sempre é aumentar esse número”, afirma Claudia, que também implementou um sistema de audiências por videoconferência, permitindo ao consumidor litigar online com a empresa notificada. “Nossa matéria prima é o conflito. Por isso, quanto melhor e mais eficiente for o atendimento, e quanto mais pudermos ajudar a solucionar esses conflitos, melhor pra nós e pra sociedade”, diz.

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Como, felizmente, nem tudo na vida é tragédia, no âmbito pessoal a advogada reserva tempo para fazer o que gosta. “É um desafio porque eu penso 108% do tempo em trabalho. Sou meio workaholic”, brinca. Dividindo suas horas de descanso entre cadelas Cissa e Rebeca, Claudia também é adepta do corte e costura, por meio do qual fabrica as peças que lhe rendem tanto sucesso. “Minhas roupas são reflexo do meu estado de espírito. Aqui é cor, é vida, é alegria”, diz. A preferência pelos looks “diferentões” não é fruto do acaso. “Minha mãe teve um AVC em 1999 e depois daquilo a saúde dela só piorou. Aquela doença foi acabando com a gente aos poucos e, por um período de 12 anos foi só tristeza na minha casa”, conta a advogada, que ficou responsável por cuidar da mãe, Paulina, até que falecesse em 2011, aos 80 anos. “Depois que tudo passou, encontrei nas roupas uma forma de me expressar. Libertei-me da tristeza, da angústia e da dor. Meu guarda-roupa reflete essa mudança”, explica.

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Devota de Santo Expedito – o santo das causas impossíveis – Claudia se considera paulistana apenas por nascimento. Moradora de Curitiba desde o primeiro ano de vida, a advogada é também formada em pedagogia: área na qual jamais chegou a atuar. Optando por seguir a carreira jurídica, formou-se em direito algum tempo depois, lecionando em algumas universidades até o ingresso no Procon, na década de 90. Casada desde 2011, ela mora com sua companheira no bairro Cajuru desde 2009 e, na medida do possível, leva uma vida sossegada, conciliando profissão, vida pessoal e o “assédio dos fãs” que, seja onde for, abordam a advogada com acenos e cumprimentos simpáticos.

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Fã de um bom churrasco e comida japonesa, quando o assunto é comandar o fogão, Claudia afirma “não saber nem ferver água” e pra não ferver a cabeça com a rotina puxada, adotou como mantras, duas frases de sua autoria: “deixa eu entender isso melhor” e “não responda nada com o fígado”. Defensora do diálogo e da boa relação com público e imprensa, a advogada ostenta também na pele sua autenticidade, talvez melhor representada por uma pequena tatuagem na mão direita: um código de barras. “Simboliza meu vínculo com a profissão e os ideais nos quais acredito”.

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Se, por fora, Claudia leva um semblante tranquilo, por dentro, a incerteza em relação ao futuro na instituição a tem feito viver, conforme ela própria definiu, um “misto de emoções“. Distante dos planos de “aposentar os pijamas”, ela encara sua trajetória no Procon com reverência, principalmente diante do notório reconhecimento da população. Enquanto o novo governo põe na questão um grande ponto de interrogação, entre nós, não há sombra de dúvida de que, sem Claudia, o departamento perderia. E muito. Em acessibilidade, em empatia, em inclusão e, é claro, no colorido. #ficaclaudinha.

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Maria Luiza Piccoli

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