Macarrão Curitiba: publicitário empreende e vende macarrão sem frescura

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Curitiba

Com bom humor e sinceridade, publicitário empreende e vende macarrão sem frescura

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Escrito por Lucas Sarzi

Quem diria que de um papo com amigos surgiria uma ideia que se tornaria empreendimento? Pois foi exatamente assim que o publicitário Fernando Zolet, 25 anos, fez: uniu a ideia de oferecer ‘comida de verdade’ às pessoas ao seu bom-humor (às vezes ácido), e ao lado sincero de um publicitário, que entendeu como atingir e criar seu público. Surgia então a “Macarrão Curitiba, que chegou com objetivo de romper com o fast-food comum e provocar um pouco tretas na internet. 

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Fernando contou à Tribuna do Paraná que a ideia da Macarrão Curitiba surgiu de uma insatisfação dele mesmo. “Trabalhava à noite, não tinha nada decente para comer quando saía, fiquei um ano nessa situação e foi sofrido. Engordei um monte porque só tinha fast-food.  Foi aí que tive a ideia de fazer alguma coisa que fosse tão rápido e barato quanto fast-food, mas caseira. Queria uma comida de verdade e o macarrão se enquadrou certinho nas minhas exigências”.

Da ideia até a inauguração da empresa, em agosto de 2019, foram pelo menos cinco anos. E no começo parecia tudo uma grande brincadeira entre amigos. “Estávamos numa saída com amigos e pensamos: ‘bem que podia ter uma comida mais caseira ao invés do que sempre comemos’.  Pensamos no macarrão, comecei a criar e até esbocei uma logo, mas nisso foram uns dois anos e não saiu do papel”.  

Depois de um tempo, ainda com aquela frustração de não ter como opção nada além de hambúrguer, cachorro-quente e pizza, Fernando retomou sua ideia. “Comecei a fazer algumas receitas e vi que ficaram boas. Nisso, mais uma vez, foi mais um ano e meio, até que inauguramos”. 

A ideia inicial era a de abrir uma loja, “pensamos em abrir num desses pontos de fervos noturnos”. Só que Fernando teve o pé no chão. “Não iriamos ter dinheiro. Teríamos que esperar mais alguns anos, então abrimos como delivery e vimos que tinha futuro”. 

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Fernando começou a empresa com a namorada. Foto: Arquivo Pessoal.

Ideia simples, barata e gostosa

As receitas da Macarrão Curitiba foram pensadas por Fernando como uma forma simples, barata e gostosa para descomplicar. “A ideia era justamente essa. Não queria nada muito gourmet ou metido, simplesmente para botar preço, então busquei a mesma praticidade que eu queria em casa”.   

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No começo, ele mesmo cozinhava e a namorada provava. “Minha namorada gostava de experimentar as receitas e eu aproveitava: fazia para ela para ver o que diria. Quando ela disse que até que pagava para comer, percebemos que estava a nível de ser vendida. Resolvemos dar o pontapé”. 

Neste início da empresa, a estrutura continuou sendo bem simples. “Eu cozinhava, a Larissa [namorada] atendia e meu pai entregava. Depois fomos ter um motoboy. Pouco tempo passou e tínhamos mais de um motoboy, mas um deles passou a ser funcionário, veio para a cozinha, e hoje é meu sócio”. 

Foto: Atila Alberti/Tribuna do Paraná.

Simplificando e com sinceridade: “Perdi os freios”

Como deixou bem claro, a ideia de Fernando partiu de uma frustração por não encontrar outras opções que fossem um pouco mais saudáveis. Junto disso, ele também tinha guardado aquele sentimento de revolta por existirem tantos estabelecimentos “gourmetizando” as comidas. E foi num desses dias de revolta que a Macarrão Curitiba ficou conhecida. “Fiz um post desabafando que bombou tanto, mas tanto, que eu considero até que foi minha inauguração, porque as pessoas passaram a ver que existíamos”, contou o publicitário. 

Basicamente o post falava sobre algo que as pessoas estavam entaladas há muito tempo.  “Falei que não aguentava mais restaurante gourmet, que nem é tão bom e que tem um ambiente chique, que cobra o olho da cara por produtos meia-boca. Falei também que ‘aqui você não vai pagar R$ 30 numa batata porque meu ambiente é rústico e não vai pagar a mais porque tem um cara tocando violão enquanto você come’. Meu Deus, bombou demais”. 

“O consumidor não aguenta mais pagar o triplo do que um prato vale com a desculpa de aquilo representar um alto status, na maior parte das vezes sem um pingo de qualidade. Se assim como eu você está cansado desse tipo de prática, seja bem-vindo. Aqui você paga o preço que o prato vale, com a mesma senão maior qualidade do que qualquer outro restaurante que custe o triplo. Não acredita? Peça meu amigo, se não gostar devolvo todo o seu dinheiro”, dizia parte da postagem. Veja a publicação:

Mas o que significa comida desgourmetizada? Significa, meus amigos, que eu não vou cobrar 30 reais numa batata frita…

Publicado por Macarrão Curitiba em Quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Muita gente apareceu, claro, para detonar o post. “Para me xingar, claro. Inclusive donos de estabelecimentos e músicos”, brincou Fernando. Mesmo assim, ele percebeu que surgia aí o segredo da coisa toda, a sinceridade. “Muita gente ficou do nosso lado, defenderam. Acho que era algo que estava entalado em muita gente. Vi que ser sincero compensa para caramba e comecei a fazer postagens assim”. 

Já pensou em ser chamado de “arrombado” por algum estabelecimento que você compre? Pois é, mas tudo com muito bom-humor. “As pessoas perguntam se eu sou um personagem, mas não, sou exatamente assim: muito sério e tacando o pau em algo que eu odeio, ou sendo descontraído e zoando”, comentou Fernando, justificando que trouxe isso para as redes sociais da empresa. “Funcionou tanto que considero a nossa guinada, mesmo”. 

Empreendendo aos 25 anos

Para o publicitário, empreender aos 25 anos foi mais do que apenas uma realização pessoal. “É. realizador demais. Mas também não vou negar: trabalho para caramba, é sofrido demais, não tenho sossego um dia da semana. É uma vida estressante para caramba, mas é tão realizador a ponto de valer a pena”. 

Outra forma de fazer a Macarrão Curitiba aparecer foi criando disputas de videogame. “Fiz um anúncio num canal de YouTube e a ideia era convocar gente para disputar um jogo: se eu perdesse, daria pote de macarrão para a pessoa. Perdi poucos potes, mas fui desafiado por aproximadamente umas 80 pessoas”. O objetivo, que era o de fazer a empresa ser falada por outros nichos de públicos, funcionou. “Penso em fazer de novo. É tudo artimanha de fazermos com que a empresa seja vista também, fazer com que o nome circule”.

Hoje a empresa tem sete pessoas na equipe, fora ele e a namorada. Com sua sinceridade, Fernando deixa até um recado para quem o odiava na faculdade. “Vejo meus conhecidos de escola e faculdade, muita gente está perdida até hoje. Eu estou com a empresa funcionando, estou ganhando dinheiro e tenho planos para cinco, dez anos. Muita gente me odiava na faculdade, então aproveito para deixar o recado, vocês se f…”, comenta o publicitário, aos riscos.  

Mas nem só de “rancor” é o coração de Fernando: no ano passado, ele não só elogiou, mas também pagou R$ 300 em um anúncio nas mídias sociais para ajudar uma galeteria instalada há 30 anos na Avenida das Torres, em Curitiba. Fernando, através da página da Macarrão Curitiba, decidiu fazer um baita elogio para a Galeteria Caxias, especializada em galetos com acompanhamentos italianos como polenta frita, macarrão, entre outros. “Meu macarrão parece um pote de bosta perto do dele”, disse o empresário na postagem.

Foto: Atila Alberti/Tribuna do Paraná.

Como funciona o delivery?

Como disse Fernando, a ideia é simplificar e sem frescura. Por isso, funciona assim: a pessoa escolhe uma massa (que pode ser espaguete ou penne), um molho (alfredo, funghi, rosé ou carne com cerveja) e, se quiser, um adicional (queijo ralado ou bacon). “O alfredo, que é um molho de queijo, é o mais pedido. Mas a nossa ideia é justamente levar comida boa, prática, para aqueles momentos em que não queremos comer porcaria”.  

Por enquanto, a Macarrão Curitiba funciona somente por delivery, pelo whasapp (41 99758-1139), com entrega grátis para 22 bairros de Curitiba ou com uma taxa de R$ 6 para outros 18 bairros. “Mas estamos começando o projeto de uma loja, que vai incluir o drive-thru. O atendimento no salão não vai ser o foco, mas teremos espaço se a pessoa quiser comer ali mesmo. A loja vai ser no Campina do Siqueira e ainda não temos data para inauguração, pois vai ser construída”, adianta Fernando.

A entrega, hoje em dia, é até outra questão complicada para o publicitário. “Virou até meme na minha página,  porque muita gente pergunta: ‘entrega no meu bairro?’ e, em alguns casos, ainda não entregamos. Para a gente ainda é difícil essa logística, talvez com a loja as coisas facilitem um pouco e eu consiga expandir”.  

Sobre o autor

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Lucas Sarzi

Jornalista formado pelo UniBrasil e que, além de contar boas histórias, não tem preconceito: se atreve a escrever sobre praticamente todos os assuntos.

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