Mortes por gripe dobraram no Paraná. Tomou vacina e gripou? Veja porque | Tribuna PR - Paraná Online

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Curitiba

Ih, gripei!

Escrito por Maria Luiza Piccoli

Curitibanos questionam eficácia da vacina da gripe, após pegarem a doença mesmo tendo sido imunizados

A resposta foi simples e veio numa só palavra: “derrubada”. Assim Loren Milena Napolitano, 25, definiu como se sente após o “combo” de gripes que pegou no último mês. Pior do que os episódios seguidos da doença, no entanto, é a indignação da designer pelo fato de todos terem acontecido após a administração da vacina há alguns meses.

Assim como Loren, muita gente tem reclamado da mesma coisa em Curitiba e, apesar da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa) não computar o número exato de curitibanos vacinados que, mesmo assim, foram infectados, os Informes Epidemiológicos da Influenza, divulgados mensalmente pela própria SESA confirmam que, no Paraná, as pessoas estão gripando mais em 2018.

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As estatísticas não mentem. Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, 365 casos confirmados de gripe foram registrados em todo o Paraná desde janeiro até agora. Destes, 49 resultaram em mortes. Fazendo as contas, os números quase dobraram esse ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Para que se tenha uma ideia, de janeiro a junho de 2017 foram 169 diagnósticos de influenza e 21 mortes registradas em todo o estado, o que representa um aumento de 116% no número de casos e 134% nas ocorrências fatais só esse ano.

Diante dos números, uma série de lendas e boatos surgem em questionamento à eficácia da vacina fazendo com que muita gente se pergunte: afinal, a imunização de fato funciona?

Quem responde é o médico e secretário geral do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), Luiz Ernesto Pujol: “a vacina não só funciona como deve ser administrada obrigatoriamente a cada temporada de imunização”, destaca.

Segundo o médico, muita gente ‘deixa para lá‘, ou por acreditar que a vacina é ineficaz ou por achar que – pelo fato de já ter ser vacinado no ano passado – não precisa mais se proteger. ‘Todos os anos as vacinas são adaptadas às modificações sofridas pelos vírus que causam a gripe, por isso, a cada nova imunização, tipos específicos e mais perigosos de influenza são combatidos”, afirma.

A explicação esclarece. Porém, “na prática”, nem sempre é fácil de entender já que, quem toma vacina, normalmente acredita que não vai pegar gripe. É o caso de Loren que, pela segunda semana seguida, tem como companheiros inseparáveis os antitérmicos, analgésicos e anti-inflamatórios.

“Quando me imunizei não imaginava que a gripe me derrubaria desse jeito. Além de acreditar que passaria o ano livre da doença, a impressão que dá é a de que o vírus está ficando mais forte a cada ano”, diz.

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Segundo Pujol, a sensação é válida. O médico explica, porém, que não se trata de um “vírus mais forte”, mas de sintomas novos. “Por conta das mutações sofridas anualmente pelos vírus da gripe, a sintomatologia acaba mudando também. A gripe que você pega hoje não é mesma gripe que você pegou ano passado e muito menos aquela que você pegava quando era criança por isso, não se pode esperar que todas as gripes se desenvolvam do mesmo jeito”, esclarece.

Quanto à incidência de novas infecções mesmo após a administração da vacina, o médico explica que as doses disponibilizadas para imunização combatem apenas quatro tipos de vírus com base na potencial letalidade de cada um.

“Não existe um só tipo de gripe. A vacina é desenvolvida para combater as mais perigosas, mas ainda assim existem diversos vírus – menos fatais – que as pessoas ainda podem pegar mesmo que estejam protegidas”, pondera. Ou seja, pra quem tomou vacina e mesmo assim gripou, vale se apegar ao ditado: “dos males o menor”.

É lenda!

A Tribuna do Paraná procurou a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa) para saber a quais fatores, exatamente, pode se atribuir o aumento dos casos de gripe esse ano no Paraná. Quem respondeu foi médico e chefe da divisão de vigilância das doenças transmissíveis da secretaria, Renato Lopes, que afirmou se tratar de uma maior transmissão de pessoa para pessoa e não de uma endemia.”Esse ano o vírus circulou mais, ou seja, as pessoas transmitiram mais gripe de uma para a outra seja por conta dos hábitos de higiene ou pelo próprio contato”, afirmou.

Segundo Lopes, os dois vírus mais incidentes esse ano, no estado, foram o H3N2 – que provocou verdadeiro surto no último inverno americano – e o H1N1, já conhecido pelas complicações que pode provocar caso não tratado adequadamente. Para o médico, os dados servem de alerta para que a população não deixe de se vacinar.

“Não se pode acreditar nessas lendas que afirmam que a vacina fortalece o vírus ou prejudica as defesas do corpo. Se não fosse pela existência da imunização, as doenças sairiam de controle como aconteceu na pandemia de gripe suína em 2009. Se existe vacina, ela deve ser administrada”, finaliza Lopes.

Ainda dá tempo!

Foto: Arquivo/Ivonaldo Alexandre /Gazeta do Povo
Foto: Arquivo/Ivonaldo Alexandre /Gazeta do Povo

Com a meta de vacinar a maioria dos paranaenses pertencentes ao grupo de risco da gripe, a campanha de vacinação deste ano teve início em abril e imunizou cerca de 3 milhões de pessoas em todo o estado. Ao fim da ação, em junho, o número total de vacinados foi alto mas, poderia ter sido melhor segundo a Sesa, já que não chegou a contemplar 100% do público-alvo da ação que incluiu crianças de 6 meses a 4 anos; idosos de 60 anos ou mais; doentes crônicos; gestantes; profissionais da saúde; professores e indígenas. Segundo a secretaria, 92,3% dos grupos-alvo receberam imunização.

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