Jipeiro curitibano supera Mal de Parkinson e irá pedalar até o Uruguai de triciclo

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Curitiba

Jipeiro curitibano supera Mal de Parkinson e irá pedalar até o Uruguai de triciclo

Escrito por Alex Silveira

O jipeiro curitibano Norberto Boddy, 74 anos, sofre de Mal de Parkinson há 18 anos. Uma das piores consequências para ele, ocasionadas pela doença neurológica que afeta os movimentos, foi perder a sua carteira de motorista. Viajar dirigindo seu jipe Willys 51 – conhecido como Velho Joe entre os jipeiros – era seu hobby. Agora ele só vai como passageiro para os encontros dos amantes desse tipo de veículo. Na pandemia, uma depressão abateu o jipeiro curitibano, que de tanto desânimo até doou seu jipe para o filho mais novo. Preocupado, pois o guerreiro nunca foi de se “entregar para os paraguaios”, como ele diz, Boddy encontrou um jeito de reencontrar a alegria de viver. Em maio, ele fará uma expedição pedalando de triciclo até o Uruguai. O Parkinson não o impede? Bom, aí que está a parte bacana da história.

O jipeiro é aposentado e mora em Florianópolis (SC) desde 1982, onde foi professor de História e Geografia em cursinhos pré-vestibular. Em dezembro de 2019, Boddy veio para Curitiba visitar familiares. A pandemia chegou e ele acabou tendo que ficar na capital paranaense, por conta dos cuidados que precisa. O imprevisto fez com que Boddy conhecesse a Associação Parkinson Paraná, com sede em Curitiba. Foi o que mudou a vida dele.

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Detalhes do triciclo que será utilizado no desafio. Foto: Gerson Klaina

O convívio com os sintomas do Parkinson é uma espécie de luta diária para os acometidos pela doença, pois a síndrome não tem cura e vai piorando de forma gradual. É uma doença degenerativa crônica do sistema nervoso central, que prejudica a coordenação motora. Tremores, rigidez e movimentos lentos são os principais sintomas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), quase 30% dos doentes manifestam depressão e ansiedade.

“Já tive depressão, mas não tão significativa como na pandemia. Nunca me entreguei para os paraguaios. Para você ter uma ideia, em 2017, fiz uma expedição com o Velho Joe até a Patagônia, na Argentina, que tem até livro. Mesmo doente, procurei me manter motivado. Só que na pandemia foi diferente”, relata Boddy.

Na Associação Parkinson Paraná, uma instituição sem fins lucrativos, o jipeiro disse que voltou a ganhar ânimo. “O trabalho deles me fortaleceu. Não é aquele choramingo do Parkinson. Isso eu já tinha nesses 18 anos de doença. O que eu recebi foi um tratamento de várias áreas da saúde, me mostrando caminhos que me recuperaram”, contou Boody, que continua o atendimento psicológico on-line, mesmo já tendo voltado para Florianópolis.

Do convívio na associação veio a ideia e a motivação para andar de triciclo. “Pedalo de 30 km a 50 km por dia para me exercitar. Tudo dentro das minhas limitações”, explica ele. E o pedal virou aventura para Boddy, que decidiu emplacar uma viagem em direção ao Chuí (RS), cidade no extremo Sul do Brasil. O plano é sair em maio deste ano. “Vou sozinho, saindo de Florianópolis, mas terei o acompanhamento online da Associação Parkinson Paraná. Quero escrever um livro sobre a viagem e poder ajudar a associação de alguma forma”, planeja.

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O livro sobre a viagem de triciclo não será o primeiro que o jipeiro escreve. Ele tem um e-book, escrito em 2020, que se chama Meu Parkinson de Diversões. Também há o relato da viagem de 2017, com seu Willys 51. “O do Parkinson, a leitura é aconselhada para quem tem um mau-humor crônico”, brinca.

Segundo a Associação Parkinson Paraná, os profissionais que deverão dar apoio ao Boddy na viagem são das áreas da neurologia, psicologia e fisioterapia. A associação explica que não haverá apoio financeiro para a aventura porque a instituição é sem fins lucrativos. A instituição informou que apoia a iniciativa do seu associado.

Boddy disse que o apoio dos profissionais será feito por meio de um grupo de WhatsApp. Também haverá um grupo de WhatsApp para outras pessoas que quiserem acompanhar a viagem. “Para quem tem Parkinson, para amigos. As pessoas precisam saber que receber o diagnóstico da doença não significa que a vida acabou”, finaliza o jipeiro.

Ele não tem limites e parte para novo desafio. Foto: Gerson Klaina

Sobre o autor

Alex Silveira

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