Artesã de Curitiba conquista redes sociais vendendo bordados em folhas de árvores

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Curitiba

Jovem artesã conquista redes sociais vendendo bordados em folhas de árvores

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Escrito por Lucas Sarzi

Já dizia aquele ditado antigo: “filho de peixe, peixinho é”. Talvez seja um bom começo para explicarmos um pouco sobre quem é a jovem Laura Dalla Vecchia, 21 anos, que herdou de sua mãe o talento pelo artesanato e que, sozinha, inovou no meio das artes ao criar um tipo de bordado feito em folhas. Nas redes sociais, a Leveza Art, loja da jovem artesã, tem feito sucesso com os bordados inacreditáveis de tão perfeitos que são. E pensar que tudo começou na pandemia.

Laura, que é de Guaratuba, no litoral do Paraná, contou à Tribuna do Paraná que desde pequena teve contato com artesanato, pois sua mãe sempre trabalhou com isso. “Minha mãe é artesã, então fui criada nas feirinhas de Guaratuba. Quando era pequena, ela trabalhava com biojoias, então eu fui ajudando e aprendi a acompanhar o ritmo das folhas, das árvores, aprendi a desidratar, mexer com as folhas já nessa época”, contou.

Além de ter contato com o artesanato desde muito nova, Laura também foi incentivada a desenvolver suas capacidades e talentos. “Desde pequena minha mãe me colocou em vários cursos: aprendi tear, pintura, cerâmica, ponto russo, um pouco de tudo. Quando estava terminado a escola, o artesanato continuava sendo a fonte de renda da minha mãe, mas também era o que me permitia pagava meus estudos. Eu mesmo fazia artesanato com conchas para pagar as aulas e depois o cursinho”.

O sonho de adolescente era ser médica, mas as coisas não aconteceram como ela imaginara. “Não deu certo, não passei no vestibular. Então, entrei num curso de física, mas tranquei. Depois, me mudei para Curitiba e quis estudar biologia, mas por causa da pandemia eu tive que trancar também”.

Foto: Atila Alberti/Tribuna do Paraná.

Pandemia despertou o lado artesão

Com a pandemia, Laura se reconectou consigo mesma e entendeu que não era atoa o dom de família para o artesanato. “Foi realmente o que me salvou. Eu estava sem saber o que fazer para me sustentar, até porque não se vendia muito artesanato pela internet, né? Parecia algo surreal. Mas resolvi encarar e, de um hobby, entendi a minha verdadeira vocação”.

Sem planejar muito, Laura começou a fazer os bordados nas folhas, os mesmos que já fazia quando mais jovem por hobby, e resolveu se testar. “Eu não mostrava muito, não postava nada, era algo bem entre a família mesmo. Até o dia que eu inventei de postar num grupo de jovens artistas, onde mostram o trabalho para pedir opinião e tudo mais, e vieram as primeiras encomendas”.

Laura entendeu que aqueles primeiros pedidos eram, realmente, o gás que ela precisava para tomar ainda mais gosto pela coisa. “Aquilo funcionou como um empurrão para me ajudar a segurar o momento difícil que estava passando”. Ela nem imaginava, mas surgia aí a Leveza Art, uma loja de artesanato que vem encantando a todos nas redes sociais. “Depois, criei o Instagram e nunca mais parei. Tenho bordado noite e dia para atender o pessoal”.

Bordado de animais em folhas de árvores

O trabalho de Laura é tanto muito simples como também muito delicado. Ela faz os bordados todos nas folhas secas ou tratadas para receberem as agulhas e os fios. A escolha pelos pássaros se deu pela intimidade que já tinha com alguns deles, como o tucano. “O tucano realmente é quase que um símbolo de experimentação. Foi o primeiro bordado que eu fiz, mas também foi o primeiro com ponto russo e óleo sobre tela. Depois do tucano fui para a arara, o martim pescador. Quando vi estava fazendo apenas pássaros”.

A rotina de trabalho de Laura é vasculhar parques e praças de Curitiba para encontrar o principal, as folhas. “Recolho as folhas nos parques de Curitiba, andamos por vários: Passeio Público, Bosque do Papa. Recolhemos muitas folhas e depois precisamos fazer todo um processo de limpeza e tratamento”.

Algumas folhas, as que já caem secas, são mais fáceis de serem trabalhadas. “Outras ainda caem verdinhas e precisamos tratá-las. Muitas no tratamento já quebram, outras acabam danificando no meio do processo, então boa parte se perde. Depois de selecionadas as folhas, vamos para o processo dos pássaros. Estudo os detalhes mesmo de cada um, das características, e depois de um ou dois dias sai o bordado”.

Sem nenhum curso de desenho, Laura observa muito os bichos para poder fazê-los com perfeição. Além disso, também troca experiência com os próprios clientes. “Muitas vezes acabamos trocando experiencias sobre espécies locais, pois vendemos para o Brasil todo. Tudo agrega ao trabalho e no resultado final”.

Foto: Atila Alberti/Tribuna do Paraná.

Trabalhando ao lado do namorado

No começo, Laura trabalhava sozinha, mas percebeu que não daria conta de fazer tudo com o perfeccionismo que exige dela mesma se continuasse só. “Meu namorado trabalhava com tecnologia, mas estava chegando num ponto que sozinha eu não dava mais conta. Eu não conseguia mais bordar e atender os clientes. Então, ele resolveu largar o emprego e comprar a minha ideia. Passamos a trabalhar juntos. Comigo fica só o bordado e todo o resto, do atendimento ao planejamento do site, é ele quem faz”, contou a jovem.

Fernando Andrade, de 27 anos, o namorado de Laura, disse que demorou a tomar a decisão. “Eu fiquei com bastante medo no começo, tanto que levei um bom tempo para amadurecer a ideia e decidir. Era analista de TI, já estava fazendo home office e ficava entre a empresa e ajudá-la, então resolvi mudar tudo. Deu medo, afinal de contas pedi demissão numa pandemia, mas foi bom. Deu tudo certo”, comemorou o rapaz.

Foto: Atila Alberti/Tribuna do Paraná.

Vendendo para todo o Brasil!

O bordado de Laura, de tão surreal que é, chamou a atenção não só de seus quase 50 mil seguidores, como também de artistas brasileiros. “Chamou a atenção do Luiz Mello, que é de Curitiba, e curte tudo que fazemos. Recentemente, nosso trabalho chegou ao Bruno Gagliasso. Ele começou a nos seguir e comenta tudo que postamos, se apaixonou também e nós ficamos assustados”, brincou Laura.

De abril do ano passado, quando o casal começou de fato a vender, até agora, já foram pelo menos 75 espécies bordadas. “Mas muitas eu fiz mais de uma vez, como o tucano, que é o mais pedido. Acredito que ja tenha feito em torno de 180 quadros. Virou profissão, quero continuar e só aperfeiçoar, tanto que a gente tem testado o bordado em outras superfícies, como casca de árvore e cabaça, até para ver se dá certo e se podemos ampliar as opções”.

O casal tem vendido para todo o Brasil, mas ainda se impressionam com a repercussão que tomou. “Foi tudo muito rápido, temos trabalhado igual loucos. Mas perceber que chegou ao ponto de um artista ver o nosso trabalho, nós entendemos que estamos chegando a muita gente mesmo. Quando eu trabalhava em feirinhas de Guaratuba, era no máximo 100 pessoas que paravam para olhar meu trabalho, hoje são quase 50 mil seguidores no Instagram, é muita gente”.

Para dar conta da demanda, Laura criou um próprio método de comercializar as peças que produz: toda segunda-feira, às 20h, o casal disponibiliza alguns bordados no site da loja. “Foi uma forma que nós encontramos de garantir que as pessoas consigam comprar. E tem funcionado de um jeito impressionante, as pessoas ficam esperando soltarmos as peças no site. É incrível isso”.

Laura caracteriza seu trabalho de duas formas: um tanto de paciência e um tanto de perfeccionismo. “Porque estou sempre tentando melhorar. Mudou muito o meu olhar para os pássaros, para os animais, porque hoje em dia enxergo muito mais cor neles, mergulho na estética mesmo. É uma terapia, passo dia inteiro olhando e analisando como eles são”.

Por vender pela internet, a artesã vê muito pouco da reação das pessoas sobre o trabalho, mas se impressiona quando fica sabendo o quanto impressionou. “É gratificante saber que aquilo que eu fiz gerou uma emoção em alguém. Quando para as pessoas, elas postam, marcam, querem realmente ter em casa. Saber que alguém quer ter a peça, colocar numa parede, deixar num lugar legal em casa, é maravilhoso”. O contato para vendas também pode ser pelo telefone (41) 99637-1035.

Sobre o autor

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Lucas Sarzi

Jornalista formado pelo UniBrasil e que, além de contar boas histórias, não tem preconceito: se atreve a escrever sobre praticamente todos os assuntos.

(41) 9683-9504