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Curitiba

Por um fio…

O emaranhado de fios, as ligações irregulares e os muitos cabos soltos nos postes de iluminação de Curitiba vêm chamando a atenção e preocupando a população. Compartilhados pela Copel com empresas de telefonia, internet e TV por assinatura, os postes são alvo de muitas reclamações de gente que teme os riscos de acidentes oferecidos pelo atual estado de conservação destes equipamentos públicos e também de quem acha que o excesso de fios deixa a cidade mais feia.

Para a técnica de enfermagem aposentada Maria Néris Benatto, 63, o que incomoda é o fato de estar exposta ao perigo toda a vez que precisa passar perto de um poste que apresenta um fio solto. “É perigoso, para quem passa na rua, para os ciclistas e até para os carros. Tem muitos. Tenho medo de tomar um choque. Uma vez vi um fio destes ‘fritar no chão’ quando entrou em contato com a água da chuva”.

Ronaldo reclama que os ajustes são feitos aos sábados no horário comercial.
Ronaldo reclama que os ajustes são feitos aos sábados no horário comercial.

Outra cidadã insatisfeita é a advogada Glaucia Ostaszewski, 50. “Mesmo não estando energizados, o risco de alguém passar com uma moto ou bicicleta, enroscar nos fios e levar um choque é grande, até mesmo um choque fatal. Os fios podem, inclusive, ser de alta tensão. É um perigo para todo o mundo, além de ser feio e de passar um aspecto de descuido total. Deveriam ser feitas vistorias, para noticiar as empresas, afinal, se houver algum problema, um acidente, cabe indenização, uma ação de dano material e moral”, destaca.

Comerciante na região central, o empresário Ronaldo Luiz Lucilha, 49, conta que em frente a seu estabelecimento os postes e a fiação solta têm causado prejuízo. “Tem fios caídos próximo ao chão. É ruim, muita gente têm medo. Além disto, também tem o problema dos cortes de energia. Eles cortam geralmente no sábado para fazer os reparos, no horário em que o comércio está funcionando. A gente fica sem luz, justamente no dia em que temos mais clientes, isso prejudica as vendas”, reclama.

Responsabilidade

Foto: Felipe Rosa
Foto: Felipe Rosa

Sobre a utilização dos postes, fios caídos e a existência de fiação irregular, a Copel informa que mantém com as empresas de telecomunicações contratos para o compartilhamento de postes, que estabelecem normas rígidas para a instalação e manutenção dos cabos, conforme exigido pela Lei Geral de Telecomunicações (Lei 9.472/97, Art. 73).

“As prestadoras do serviço são responsáveis pela correta instalação de seus cabos, e a Copel atua como fiscal desta ocupação de infraestrutura. Em situações que possam colocar em risco a segurança de terceiros ou o fornecimento de energia, a Copel notifica as empresas sobre a urgência de regularização. Caso não regularizem, as empresas são multadas. Se o cabo oferecer risco, seja ao sistema elétrico seja à população, a Copel faz a remoção”, explica a empresa, em nota.

Ainda segundo a Copel, ações de fiscalização estão sendo feitas em bairros da cidade. A próxima ação será nesta semana, no Centro da capital, nas proximidades do cruzamento ente a Rua Emiliano Perneta e Visconde do Rio Branco.

Parceria

Maria: É perigoso, para quem passa na rua, para os ciclistas e até para os carros.
Maria: É perigoso, para quem passa na rua, para os ciclistas e até para os carros.

Questionada sobre o problema, a Prefeitura de Curitiba explica que em novembro de 2014 teve início uma parceria entre o município e a Copel, para a retirada de cabos irregulares de postes, no Centro e outros bairros da cidade. “Este trabalho foi feito em 2015 e em 2016. Agora, a atual gestão está trabalhando para retomar o mais breve possível essa parceria. Serão feitas operações conjuntas para retirada de cabos e postes irregulares”.

A parceria prevê que a Copel corte os cabos irregulares, alguns de empresas de telefonia ou de outros serviços, que ficam muito baixos, com risco de atingir as pessoas e causar acidentes. “A Copel faz o corte e a prefeitura a limpeza destes cabos cortados. No entanto, ainda não há uma data definida para a retomada deste tipo de trabalho”, informa a administração.

Também procurados, o Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil) e a Associação Brasileira de TV por Assinatura (Abta) não quiseram se manifestar sobre a questão.

Foto: Felipe Rosa
Foto: Felipe Rosa

Serviço

Denúncia

Como é difícil identificar se o cabo rompido é de energia elétrica ou de comunicação, a Copel orienta as pessoas a entrarem em contato com a Companhia pelo 0800-51-00-116 para registrar a ocorrência. A empresa lembra que os cabos de telecomunicações, embora sejam destinados à transmissão de dados, podem oferecer risco de choque elétrico caso estejam em contato com cabos de energia.  A Copel possui aproximadamente 2,8 milhões de postes no Paraná. Cerca de 1,6 milhão são compartilhados com 265 prestadoras de serviços de telecomunicação.

Multa

Irregularidades cometidas pelas empresas podem ser enquadradas na Lei Municipal 11095/2004, que prevê multa por poste, em função de usurpação de bens e equipamentos públicos. Em caso de reincidência, o valor da multa dobra. A prefeitura também pode acionar a Justiça para pedir a regularização. A aplicação das multas é de responsabilidade da Secretaria Municipal de Urbanismo.

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Diego Petri

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