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Curitiba

Profissão dublê

Ele já teve dupla fratura no tornozelo direito, uma carreta passou por cima do esquerdo, quebrou duas vezes a costela, teve queimadura de terceiro grau numa das mãos, quebrou dois dentes, pulou de prédio de 30 andares e de cima de uma ponte. Já levou porrada da Angelina Jolie e já se passou por Rambo e 007 fazendo “malabarismos” em cima de veículos em movimento (trens, por exemplo). Esse é o Michel Belmond, 72 anos, que trabalha desde a infância como ator, dublê, produtor e diretor de cinema, e visitou a redação da Tribuna em uma rápida passagem por Curitiba.

O ator não tem nenhum medo de encarar os perigos da profissão, que vem de família. Seu avô e seus pais eram dublês. Na época em que ele começou, aos 11 anos, não existiam técnicas, nem os efeitos especiais de hoje. Belmond já pulou de moto de uma ponte, diretamente no mar. O dublê também saltou no mar em outra cena, em que anda de ponta cabeça pendurado em um helicóptero, sem qualquer segurança; só confiando no ator que estava segurando seu pé.

Parece loucura, não? Mas é o que Belmond gosta de fazer. Ele já fez 750 produções e seu primeiro Oscar veio pelo filme “Inferno na Torre”. Já contracenou com (ou como) Vin Diesel, John Wayne (que lhe deu a porrada que quebrou seus dentes), Chuck Norris, Sylvester Stallone (de quem ele guarda fotos na carteira) e muitos outros.

Não tem curso, só técnica

Foto: Pedro Serápio
Foto: Pedro Serápio

Michel não sabe como não teve pulmão perfurado, com as duas fraturas de costela que já teve. Também não sabe como suportou, “só” com uma queimadura de terceiro grau nas mãos, a sua roupa (especial, de amianto) pegando fogo por mais de um minuto.

Mesmo assim, ele conta que tudo valeu a pena. “É uma profissão gostosa. Estou vivo! Pra isso tem protético, que coloca uma prótese e sai tipo Silvio Santos, sorrindo”, brinca o ator. Para ele, o importante disso tudo é o dinheiro, a realização e que o público fique satisfeito com a cena, principalmente se a produção ganhar um Oscar.

Tempos são outros

Mas Belmond avisa: quem quiser entrar hoje na carreira, pense 10 vezes. “Porque o cachê não é tão bom quanto antigamente. R$ 250 pra pular de um prédio, não dá né. É o mesmo que pagam a um figurante por dia de trabalho na Globo, pra ele ficar lá no ar condicionado, comendo um lanchinho”, compara.

“Uma prótese resolve” (sic)

Foto: Pedro Serápio
Foto: Pedro Serápio

Michel Belmond explica que não existe curso para ser dublê. Apenas existem algumas técnicas a aprender, para minimizar os riscos. Uma delas é saber cair, para evitar fraturas.

“Tem que ter coragem, entrar em cena, amar a arte. Saber que você vai proteger o corpo de algum ator que não vai conseguir fazer várias cenas de ação, mas que é bom intérprete. Tom Cruise e Jackie Chan estão dispensando dublê, mas aprenderam a técnica comigo”, gaba-se o profissional, que ainda explica: soco é só mímica. Não existe sangue, só groselha. “Me sinto um dinossauro, porque quando comecei, a gente atravessava rios de verdade, caia de prédios de verdade. Só tinha um colchão simples, desses de dormir. Hoje tem colchão de ar, cabos especiais, vários itens de segurança”, explica.

Sobre o autor

Giselle Ulbrich

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