Ginasta de Curitiba faz história e pode dar nome a movimento inédito

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Curitibana faz história com movimento inédito na ginástica. “Sonho representar Curitiba em Paris em 2024”

Escrito por Gustavo Marques

A curitibana Júlia Soares, 15 anos, está perto de entrar para a história da ginástica. Moradora do bairro Vila Hauer, em Curitiba, ela realizou um movimento inédito em uma competição internacional e seu sobrenome deve entrar no seleto grupo no código de pontuação da modalidade.

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A ginástica entrou na vida de Júlia bem cedo. Aos 3 anos de idade, imitava a irmã mais velha Giovanna, que praticava o esporte. Faz ginástica desde os 4, quando entrou na escolinha do Centro de Excelência de Ginástica do Paraná (CEGIN), no bairro Capão da Imbuia. Da escolinha, passou a treinar nas categorias Infantil, pré-Infantil e juvenil. Aos 12 anos, entrou para a Seleção Brasileira de Ginástica, quando começou a chamar a atenção dos especialistas ao conseguir ótimos resultados em campeonatos.

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Aluna do primeiro ano do Ensino Médio do Colégio Maria Aguiar Teixeira e apaixonada pelos parques de Curitiba, Júlia dedica horas do dia para o treinamento no Cegin. E foi treinando que surgiu a ideia de fazer uma nova entrada na trave. A ginasta utiliza um trampolim para saltar em direção à lateral da trave em uma posição esticada. A inovação apresentada é uma meia pirueta no salto que leva à trave.  “ Eu fazia uma entrada reta e ficamos treinando por dois anos. No começo eu batia muito meu braço e ficava roxo. Fizemos uma adaptação com uma munhequeira para amortecer o impacto.  Uma japonesa chegou a fazer, mas em um torneio nacional e isso não conta para ter o sobrenome no movimento”, disse Júlia que é treinada pela ucraniana Iryna Ilyashenko.

Com seus 1,50m de altura, mas com uma personalidade de uma gigante, a curitibana preparou o feito para o Pan-Americano, no Rio de Janeiro. Ao realizar com êxito a manobra, a vida alterou em segundos. Júlia conseguiu a classificação para a final e levou a medalha de bronze ao concorrer na categoria adulta com concorrentes mais experientes e acostumados a uma decisão. “Não estou acreditando na repercussão até agora. São muitas mensagens e muita gente parabenizando. A Daiane dos Santos deu parabéns no dia e disse que eu fui muito bem. Fico feliz muito por isto e me espelho na Daiane, na Hipólito e tantos outros atletas que fizeram muito pela ginástica do Brasil”, reforçou Júlia.

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Na história da ginástica, quatro brasileiros tiveram elementos homologados. Daiane dos Santos (solo) em 2003, criou um duplo twist carpado batizado “Dos Santos”, Diego Hypólito (solo), Arthur Zanetti (argolas) e Sérgio Sasaki (paralelas) estão no hall.

Foto: Reprodução/ Ricardo Bufolin/ CBG.

E agora?

O movimento foi acompanhado pela delegada técnica da Federação Internacional de Ginástica (FIG), Helena Lario. Para ver o “Soares” homologado oficialmente, Júlia aguarda a nova publicação do código de pontuação da FIG, que deverá constar a letra atribuída ao elemento, que se refere ao valor na nota de dificuldade. “A ginasta, o treinador ou o delegado técnico têm que apresentar a descrição do elemento acompanhado por imagem (desenho ou vídeo). Neste caso, a ginasta brasileira apresenta na trave de equilíbrio um elemento que já existe, mas agregado de um meio giro, o que nenhuma outra ginasta o fez até agora”, valorizou Helena

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Na Ginástica Artística, a cada elemento é atribuída uma letra no código de pontuação, que se refere ao valor na nota de dificuldade. Essa gradação varia de “A” a “H”. Ao Soares foi atribuído o valor “D”.

Júlia Soares não vai representar o Brasil nos Jogos de Tóquio, mas o sonho de brilhar nos Jogos de Paris, em 2024 ganhou estímulo. “É um sonho de uma vida representar a minha família e minha cidade em uma Olimpíada. Acreditar sempre e seguir treinando com vontade vai ajudar”, completou Júlia que deseja no futuro se formar em Educação Física.

Foto: Arquivo Pessoal.

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Gustavo Marques

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