Mulher que perdeu fotos da filha que morreu faz apelo emocionado em cartas por Curitiba

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Pinhais

Mulher que perdeu fotos da filha que morreu faz apelo emocionado em cartas espalhadas por Curitiba

Laura faz apelo por fotos da filha que já morreu
Maria Luiza Piccoli

“Socorro! Por favor me ajudem sou uma mãe desesperada. Perdi nas imediações do Carrefour Pinhais, no Jardim Amelia, uma sacolinha branca com fotos e um diário da minha filha que faleceu em 21/07/2008”. Escrita à mão, com letra simples, a carta encontrada num terminal de ônibus, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), continua com o apelo por ajuda de quem souber do paradeiro dos documentos perdidos. Quem assina o bilhete é Laura Garcia, 57, que não fazia ideia de que seu pedido já circula há meses pelas redes sociais.

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Quando atende à ligação da reportagem da Tribuna do Paraná, a voz ganha tom de esperança. “Dona Laura? Foi a senhora que deixou um bilhete pedindo ajuda no banheiro do terminal?”, pergunto. “Ah! Sim! Vocês encontraram meus documentos?”, replica Laura com a voz embargada. Infelizmente nós não encontramos mas, talvez com uma mãozinha dos leitores a gente cumpra essa missão.

Laura Garcia está desempregada. Vive em Pinhais, na RMC, bem perto de onde perdeu os últimos registros que tinha da filha de 20 anos, que morreu de forma trágica em 2008. Comovida, Laura prefere não entrar em detalhes sobre a morte precoce da moça, mas revela que a filha era sua grande companheira. “Ela era a continuação da minha vida. Sempre linda e presente. Quando ela morreu, demorei muito para me reerguer porque ela era tudo que eu tinha”, relembra.

Foto: Lineu FIlho

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Aos poucos, a vida de Laura foi retomada. Ela casou-se, teve outro filho e, com o tempo, conseguiu recursos para comprar itens que, até então jamais tivera. Como telefone celular. “As pessoas me perguntam se eu não tenho foto digital dela, ou no celular. Mas eu nunca tive condições de comprar celular até pouco tempo atrás. As únicas lembranças da minha filha eram seis fotografias em papel e um diário que eu mesma comecei a escrever depois que ela morreu”, conta.

Laura conta que em meados de janeiro deste ano, resolveu emoldurar as fotos da moça para pendurar na parede da sala, como lembrança. “Eu tinha ido ao centro de Curitiba para orçar as molduras e, na volta passei no mercado. Na saída, me dei conta de que a sacolinha com os documentos tinha sumido. Fiquei sem chão. Voltei várias vezes no mercado, perguntei se alguém tinha visto e não conseguiu achar. Ninguém viu”, afirma.

Sem acesso à internet, e pouco familiarizada com a redes sociais, Laura escreveu à mão um bilhete pedindo ajuda. “Tirei algumas cópias e espalhei pelos terminais e perto de onde perdi a sacolinha”, conta, sem imaginar que o apelo seria publicado no Facebook, alcançando quase 2 mil reações em menos de 4 horas. “Sou boba com essas coisas de internet. Não sei mexer”, lamenta.

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Foto: Lineu Filho

Na publicação, na qual seguem-se milhares de comentários, a mobilização do público já começou e, mesmo que os documentos ainda não tenham sido achados, Laura não contém a emoção. “Só de saber que estão lendo a minha história já me enche de felicidade. Se eu pudesse falar com quem publicou minha carta na Internet eu diria que amo essa pessoa, mesmo sem conhecê-la”, emociona-se.

Ao fim da ligação, Laura pergunta cheia de alegria: “será que vão encontrar minhas fotos?”. Esperamos que sim, Laura!

Você viu os documentos da Laura por aí?

Descrição: sacola branca de nylon com a sigla ISA na estampa
Conteúdo: 6 fotografias e um diário escrito à mão
Local onde sumiram: Carrefour Pinhais
Data: meados de Janeiro
>>> Se você achou, ligue no (41) 3669-9225

Sobre o autor

Maria Luiza Piccoli

Maria Luiza Piccoli

(41) 9683-9504