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Luta por inclusão

A história de vida de Ricardo Vilarinho representa bem a luta das pessoas com deficiência para conseguir uma vaga no mercado de trabalho. Ele, que era gerente na área de tecnologia da informação, sofreu um acidente em 2006 e teve dificuldades para voltar a trabalhar na mesma função. “Naquela época as vagas de emprego para deficientes eram só para auxiliar. Como gerente eu queria começar a ganhar o último salário que eu tive”, conta ele que saiu de Teresina, no Piauí, e veio morar em Curitiba em 2008. “Nenhuma empresa pagava. As empresas colocavam os deficientes no call center, no almoxarifado. Escondiam a gente num cantinho da empresa”, critica.

Neste período, Vilarinho conheceu o trabalho da Universidade Livre para a Eficiência Humana (Unilehu), mas inconformado com a situação, recusou todas as propostas que não eram compatíveis com a sua capacitação. “Todo curso que aparecia eu fazia, mas emprego só o que me aceitasse como gerente ou algum cargo semelhante”, diz. Sua persistência chamou a atenção da equipe da entidade, que o convidou para participar de eventos sobre a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

Desde 2008 ele é mobilizador social da Unilehu e incentiva tanto empresas como profissionais a não desistirem da busca por uma vaga adequada. “Faço o trabalho de sensibilização, para que não pensem que as pessoas com deficiência são coitadinhas. Não é pra ter pena do aleijadinho, do ceguinho. Não somos incompetentes, não. Agora, depois de seis anos estou começando a ver o reflexo da mudança nas organizações, é um trabalho de formiguinha”, observa.

Realizado com sua nova função, ele tenta passar às demais pessoas com deficiência a importância da persistência e da perseverança. “Tive que reaprender a viver sendo deficiente e é o que eu sempre passo: as pessoas têm capacidades, mas têm que meter a mão na massa, produzir, mostrar serviço. Você pode, você consegue, mas se ficar esperando que Deus abra uma porta no céu e jogue dinheiro, isso nunca vai acontecer. Tem que se virar, se ficar na depressão não vai mudar”.

Inserir pessoas é o desafio

Capacitar e inserir pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Este é o principal objetivo da Unilehu, que tem sede no bairro Portão. A entidade atende pessoas de toda Curitiba e Região Metropolitana e também de outros estados, além de incentivar as empresas a investirem na inclusão.

Criada em 2004 para atender as exigências da Lei de Cotas, a iniciativa cresceu e hoje conta com 45 multinacionais que são mantenedoras dos projetos. Mais do que cumprir a legislação, a proposta é dar oportunidade para as pessoas que não conseguem uma colocação no mercado de trabalho por falta de capacitação ou por causa do preconceito que ainda existe em algumas corporações. Em dez anos foram mais de 9 mil pessoas com deficiência atendidas, 3,7 mil contratadas e cem empresas parceiras ou mantenedoras da instituição.

“Fazemos capacitações, como qualificação e elevação da escolarização para que as pessoas consigam o desenvolvimento necessário para o mercado de trabalho”, afirma a gerente operacional da Unilehu, Gleida Menegolo. Todo o atendimento é feito de graça, com recursos destinados pelas empresas envolvidas no projeto. “É uma espécie de recursos humanos, mas que observa também todo o desenvolvimento da pessoa, com acompanhamento educacional, de psicólogos, serviço social, até atingir o objetivo”, completa.

Os candidatos passam por entrevistas e palestras sobre o mercado de trabalho. Especialistas da instituição apontam em quais aspectos o profissional pode se desenvolver e a pessoa é encaminhada à capacitação. Também é feita a intermediação com as empresas que procuram pelos trabalhadores. “O foco não é só a procura da vaga, mas a retenção da pessoa com deficiência na empresa”, destaca Gleida. Para isso, gestores das corporações que irão receber os candidatos também passam por palestras sobre como lidar com o funcionário com deficiência.

Quebrando barreiras

A questão psicológica é muito trabalhada com os candidatos, já que muitos chegam à Unilehu “com o emocional bastante machucado”. “Pela história de vida, as pessoas não conseguem emprego e sofrem bastante preconceito. Por isso investimos no fortalecimento”, diz a gerente operacional. “Conseguimos bons resultados, a pessoa percebe que é produtiva e que a deficiência física ou outra deficiência não pode impedir de ir para o mercado de trabalho”, reforça. Para Gleida, a capacitação adequada e a ocupação da vaga correta é fundamental para o sucesso da iniciativa. Por Carolina Gabardo Belo.

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