Conheça a primeira lombada eletrônica de Curitiba (e também do mundo) | Tribuna do Paraná

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Xaxim

‘Certidão de nascimento’ comprova qual foi a primeira lombada eletrônica de Curitiba (e do mundo)

No mês passado, a Tribuna contou para você que a primeira lombada eletrônica de Curitiba era a da Rua Mateus Leme, no bairro São Lourenço. Mas e se a gente te contar que não é a da Mateus Leme, e sim a da Rua Francisco Derosso, no Xaxim. Ficou confuso? A gente te explica, pois encontramos a “certidão de nascimento” das duas lombadas, para desfazer o mal entendido.

Quem explica tudo isso é Luiz Gustavo Campos, o diretor comercial da Perkons (empresa que criou esta tecnologia, que ainda não existia no mundo), e Ricardo Augusto Simões, gerente de produtos da empresa. Eles não sabem dizer exatamente porquê muitas pessoas passaram a considerar a da Mateus Leme a primeira. Mas desconfiam que o motivo foi que uma tinha câmera fotográfica e a outra não. Com isto, a da Mateus Leme, que registrava imagens dos infratores, acabou ficando mais popular e polêmica. Aliás, as imagens renderam muitos processos e até separação de casais na época!

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“No início, o objetivo das lombadas eletrônicas não era o de multar. Era educativo, para fazer as pessoas reduzirem a velocidade para proteger vidas. A filosofia era igual a da lombada física. Tanto é que as primeiras ideias não incluíam a câmera fotográfica no equipamento. Aliás, nem se imaginava isso. Só depois é que foi pensada esta hipótese. Vimos que a lombada física podia causar acidentes, porque às vezes os motoristas só as enxergava muito em cima. A ideia das lombadas eletrônicas era a de ter um painel piscando para o motorista identificar de longe, bem visível de dia ou a noite, que ali é uma área de redução de velocidade”, diz Luiz Gustavo.

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Inovação

A lombada eletrônica é uma tecnologia inventada aqui em Curitiba, pela Perkons. Não existia ainda no mundo. E Ricardo conta que foi o dono da Perkons, Donald Schause, quem teve a ideia do novo equipamento, por causa de um “quase” acidente que sofreu. Ele voltava de um passeio em Morretes com a esposa, quando na Serra da Graciosa viu que tinha algo estranho caído no acostamento. Já bem em cima, percebeu que era a placa da lombada caída. Até ele ver que era uma placa de lombada e ver que tinha uma lombada a sua frente, deu uma freada muito brusca e por pouco não causou um acidente pior. Felizmente ele e a esposa ficaram bem. Nesse exato momento, Donald teve um insight de como resolver o problema da sinalização precária e assim surgiu a ideia da lombada eletrônica.

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Logo, Donald se juntou a um amigo, Osvaldo Navarro, que trabalhava no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc). Donald trabalhou toda a tecnologia e Osvaldo criou o design da lombada. E juntos eles teceram a filosofia de redução da velocidade nos centros urbanos, como forma de salvar vidas.

Certidão de nascimento

Em 1991, a ideia virou produto e a Perkons fez o pedido de patente da lombada. Em 20 de agosto de 1992, a lombada eletrônica com número de série 001 foi instalada na Rua Francisco Derosso (só alguns meses depois ela ganhou câmera fotográfica). Com pouquíssimos dias de diferença, a número de série 002 foi instalada na Rua Mateus Leme, já com a câmera fotográfica.

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Educação no trânsito

“Nós tínhamos algumas experiências mal sucedidas com lombadas físicas. Algumas tinham o piso todo desparceirado, para forçar o motorista a passar devagar. Mas sacolejava o carro todo e gerava muita reclamação. Depois um infeliz descobriu que se passasse a mais de 70 Km/h não sacudia tanto. Aí o Osvaldo, nosso supervisor de planejamento, sugeriu a lombada eletrônica. Foi aí que as pessoas começaram a entender que era necessário reduzir a velocidade em certos pontos. E digo que isto foi o embrião do que chamamos hoje de internet das coisas. A inteligência artificial, a inteligência aumentada, tudo isso vai fazer parte do dia a dia as pessoas.

E temos que criar novos conhecimentos e tecnologias para educar os motoristas, que andam muito mal educados”, analisa Cássio Taniguchi, presidente do Ippuc na época que a lombada foi instalada. Quatro anos depois, Cássio tornou-se prefeito de Curitiba por dois mandatos consecutivos. Sofreu um tanto a “discórdia” da população que levava multas, até a população começar a entender o caráter educativo do equipamento.

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Giselle Ulbrich

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