Nem mesmo o distanciamento social e as dificuldades impostas pela pandemia de Covid-19 impediram o estudante Alex Sandro de Matos, […]

Nem mesmo o distanciamento social e as dificuldades impostas pela pandemia de Covid-19 impediram o estudante Alex Sandro de Matos, 17 anos, de se dedicar aos estudos com a regularidade necessária. Aluno do 2.° ano do Ensino Médio no Colégio Estadual Jayme Canet, em Curitiba, durante mais de 12 meses ele acompanhou as aulas remotamente, ora pelo computador, ora pelo smartphone. Nas horas vagas, escrevia e estudava inglês, duas ferramentas fundamentais para a profissão que pretende seguir, a de jornalista.

“Claro que foi um período complicado para muitos alunos. Muitos não tinham acesso à internet, não conseguiam entrar nos “meets” (aulas). A opção era ir até a escola, pegar as atividades impressas e entregar no prazo. Todos tiveram opções para estudar”, relata o estudante, ressaltando que foram disponibilizados diversos recursos para os alunos da rede pública estadual do Paraná.

Ao retornar às aulas presenciais, Alex também se surpreendeu em perceber novos equipamentos, como notebooks em todas as salas para permitir que as aulas sejam transmitidas em tempo real para os alunos com algum tipo de comorbidade e que, em função do risco para a Covid-19, não podem participar de forma presencial.

Buscando oferecer uma formação de qualidade aos estudantes, o Governo do Paraná investiu nos últimos anos mais de R$ 1 bilhão em infraestrutura escolar. Além dos recursos destinados à construção e manutenção das escolas, boa parte desse valor foi destinado ao investimento em novas tecnologias para que os quase 1 milhão de estudantes da rede pública tivessem acesso a equipamentos, softwares e outras ferramentas necessárias para o desenvolvimento pedagógico.

Ferramentas

O Governo do Estado investiu tanto em infraestrutura quanto em programas pedagógicos. O secretário da Educação e do Esporte do Paraná, Renato Feder, salienta que no mês de novembro foi anunciado o investimento de R$ 65 milhões em computadores e pontos de wi-fi, com o objetivo de aprimorar a conectividade em todas as salas de aula do Paraná. “O primeiro passo é garantir que os estudantes e os professores tenham condição de acesso às tecnologias educacionais que implementamos”, afirma. Foram 22 mil pontos de acesso wi-fi e 10 mil computadores distribuídos em todo estado.

Entre os exemplos de inovação implantados recentemente na rede pública estão os mais de 2,5 mil kits de robótica, ação que integra o Programa Robótica Paraná, com investimento de mais de R$ 9 milhões. Aproximadamente 100 mil alunos terão acesso a conteúdos que englobam programação de robótica básica, automação, conceitos de IoT (internet das coisas) e domótica – área relativa à integração de mecanismos tecnológicos em uma residência.

Ainda na área de programação, o Governo do Estado investiu R$ 4 milhões no EduTech, um programa que oferece aulas de programação, jogos e animação para alunos do estado. “Queremos que eles dominem a linguagem do computador, da tecnologia, para chegarem preparados a esse mercado de trabalho, um dos que mais cresce, paga bem e tem vagas sobrando, uma vez que existe demanda por mão de obra qualificada nesse setor”, destaca Feder.

Idioma

Outra estratégia que vem dando bastante resultado e tem atraído a atenção dos alunos dentro e fora da sala de aula é o Programa Inglês Paraná, um aplicativo que ensina o idioma para o aluno digitalmente. O investimento nessa plataforma foi de R$ 12,9 milhões. O estudante conversa com o aplicativo, que corrige a pronúncia do aluno e o ajuda a ter fluência na língua, de forma didática. “Estamos muito contentes vendo o desenvolvimento dos alunos, conquistando proficiência nessa segunda língua”, reforça.

Mas não é só em inglês que os estudantes paranaenses se destacam. O Paraná conquistou em 3.º lugar na prova do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), a maior evolução entre todos os estados brasileiros todo o país. O ranking revelou ainda que os estudantes do ensino fundamental no Paraná estão entre os que mais aprendem português e matemática no ensino fundamental.

Uma das iniciativas que contribuiu com este índice é o Programa Redação Paraná. Desenvolvido pelo Departamento de Tecnologia da Informação da Secretaria de Estado da Educação (SEED), o software usa recursos de inteligência artificial para incentivar a prática de escrita entre os alunos. Feder cita esse como um dos exemplos de plataformas educacionais que ajudam o estudante a utilizar a tecnologia em prol da aprendizagem, sem dispender recursos extras.

Outra ferramenta é o Componente de Educação Financeira, que envolve toda equipe escolar no Ensino Médio – cerca de 350 mil estudantes e mais 2,9 mil professores. O objetivo das aulas, que acontecem duas vezes por semana, é que os alunos e suas famílias sejam livres e independentes, o que passa por uma relação saudável com o dinheiro, sem tabus.

Além de toda a parte pedagógica e de infraestrutura, o Paraná também disponibiliza aos estudantes os colégios cívico-militares. Hoje são 206 unidades em todo o estado e cerca de 110 mil alunos beneficiados.

Feder enfatiza que todos estes investimentos visam oferecer ao estudante da rede pública os mesmos recursos que as escolas da rede privada oferecem. “Queremos que o nosso estudante chegue preparado e confiante ao mercado de trabalho, sabendo inglês, programando, fazendo bons textos e sabendo como administrar seu dinheiro”, argumenta o secretário.