O único Museu do Holocausto existente no Brasil está instalado em Curitiba, há quase seis anos. Mas diferente de outros no mundo, o objetivo da exposição daqui não é o simples resgate de parte da história da Segunda Guerra Mundial. Mas o de fazer com que as pessoas que visitam o local saiam de lá diferentes, mais resilientes, mais humanas, refazendo suas considerações sobre preconceito, violência e intolerância.

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As histórias de várias pessoas que viveram o Holocausto são contadas por lá. Muitas são de sobreviventes que vieram para o Brasil, principalmente no Paraná. E é entendendo as dificuldades que os judeus – e vários outros perseguidos pelos nazistas – passaram neste período que os visitantes vão se sensibilizando e fazendo suas considerações sobre a vida, sobre o seu entorno, sobre questões pessoais e sociais, a política e até mesmo a economia. “Se a pessoa não sair diferente daqui, tem alguma coisa errada. Com ela, ou com a exposição”, diz Carlos Reiss, coordenador geral do museu.

Foto: Átila Alberti.
Foto: Átila Alberti.

A exposição tem um farto material, boa parte interativa: fotos, vídeos, objetos que pertenceram a judeus, cartazes, propagandas nazistas e antissemitas, livros censurados, documentos. Um exemplo é a boneca de uma menina que se chamava Sofia. “Quando os nazistas passaram recolhendo os judeus, ela escondeu a boneca no local que morava. Ela foi com a família para os campos de concentração, mas escapou de lá. Quando o Holocausto acabou e ela voltou para casa para ver se encontrava alguém, não achou mais os familiares. Só ela sobreviveu. Mas achou a boneca, escondida onde a deixou”, conta Carlos.

Quem foram eles?

“Nós queremos que os visitantes olhem para as pessoas nas imagens e pensem: se aquela pessoa estivesse aqui hoje, quem ela poderia ter sido? O que poderia ter agregado à humanidade? Algo na história poderia ter mudado se ela sobrevivesse?”, instiga Carlos, convidando as pessoas a olharem de forma humanizada para este momento da história, para a boneca da Sofia e para os sapatos recolhidos nos campos de concentração, mas que eles não sabem a quem pertenceu.

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A psicóloga Talita de Oliveira Teixeira, 25 anos, visitou o museu pela segunda vez. “A exposição traz todo um legado pra gente pensar o que não pode mais fazer. Se não cuidarmos, um Holocausto pode acontecer de novo. Não podemos repetir os erros do passado”, diz ela, repensando suas vivências. No final, a mostra ainda convida o público a pensar se, de fato, o Holocausto terminou ou se ele ainda existe no nosso dia a dia.

Foto: Átila Alberti.
Foto: Átila Alberti.

O que é o Holocausto?

O Holocausto, também conhecido por Shoá, foi o genocídio (assassinato em massa) em que os alemães nazistas, sob o comando de Adolf Hittler e do Partido Nazista, mataram cerca de seis milhões de judeus e de outras raças que eles não consideravam arianas (brancos puros). O fato ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial, entre as décadas de 30 e 40. Mais de um milhão de crianças, dois milhões de mulheres e três milhões de homens judeus que residiam na Europa morreram no período.

Judeus eram recolhidos em suas casas e esconderijos e levados a campos de concentração. Uma parte pequena deles conseguiu fugir para várias partes do mundo. Mas a grande maioria foi morta a tiros ou envenenada nas câmaras de gás. Pelo puro preconceito dos alemães, de que se não fossem da raça ariana, deveriam ser eliminados.

SERVIÇO
Museu do Holocausto
– Endereço: Rua Coronel Agostinho Macedo, 248 – Bom Retiro
– Atende cerca de 600 alunos por semana e já tem a agenda de visitas escolares fechada até dezembro
– Entrada gratuita tanto para escolas quanto para o público em geral, mas é preciso agendar horário
– Visitas: nas segundas, terças e quartas pela manhã e à tarde; na sexta de manhã e no domingo de manhã
– Informações e agendamentos: (41) 3093-7561 ou www.museudoholocausto.org.br