O temporal que atingiu Curitiba no sábado (24) gerou cenas impressionantes na cidade. Granizo ficou acumulado por horas em casas dos bairros Boa Vista e Uberaba, além de alagamentos no Centro, Rebouças e Vila Lindoia, o que motivou mais um protesto de moradores cobrando soluções para a enchente. O local, mais especificamente às margens do córrego Henry Ford, virou alvo dos candidatos que estão na disputa para administrar a capital a partir de 2021. Candidato à reeleição, Rafael Greca (DEM) confirmou que as obras ainda estão em andamento e que serão concluídas.

O córrego Henry Ford teve uma galeria construída pela prefeitura de Curitiba em 2007 e obras de controle de cheias em 2019, mas frequentemente as chuvas elevam o córrego confirmando os problemas para a comunidade e gerando um desafio para quem for assumir a prefeitura de Curitiba. Candidatos aproveitaram o ocorrido neste final de semana para cobrar o atual prefeito Rafael Greca (DEM) e propor soluções para a comunidade.

O candidato Fernando Francischini (PSL) ressaltou que Curitiba enfrenta este problema há anos, mesmo assim, nada muda. “Curitiba precisa mudar, avançar. Parar de criar projetos megalomaníacos quando não se tem nem o básico. Não é difícil prevenir esses problemas, basta querer”, disse o candidato. “Quando você usa o orçamento para fazer asfalto, é preciso separar uma parte dele para fazer galerias pluviais e limpeza de rios”, completou o candidato.

Paulo Opuszka, candidato pelo PT, afirma que a obra cria uma espécie de dique que retém a água das chuvas, fazendo com que esgoto entre nas casas das pessoas. “Há seis, sete anos que as pessoas vivem situações de alagamento. Tem gente que perdeu seus móveis durante os dias das grandes chuvas”, disse o candidato pelo Facebook.

João Arruda, candidato pelo MDB, disse que no Rebouças, por exemplo, basta uma chuva mais forte para tudo alagar. “Esse é o planejamento da atual gestão da prefeitura? Foi só eu denunciar uma inundação no Twitter, que literalmente ‘choveu’ mais exemplos no meu inbox. Precisamos urgentemente melhorar o investimento na rede de esgoto, nos nossos rios e em áreas verdes”, disse o candidato.

Eloy Casagrande, candidato pelo Rede, disse que a situação traz riscos para todos que vivem no entorno. “Enchente inundou as casas das pessoas com água suja e fedida. Obras que já consumiram uma boa parte dos R$120 milhões previstos para a Bacia do Pinheirinho e que se arrastam há mais de oito anos, sem resolver o problema”, disse o candidato pelas redes sociais.

Goura, que concorre à prefeitura pelo PDT, afirmou ser necessário uma medida para acabar com esse problema na cidade. “Precisamos de outro olhar sobre os rios que cortam a cidade, um plano de emergência hídrica e um projeto à altura de tal complexidade”, afirmou pelas redes sociais.

A candidata Marisa Lobo (Avante), postou um vídeo em que tenta atravessar a Avenida Visconde de Guarapuava, tomada pela chuva. “Dizem que Curitiba está perfeita. Hipocrisia. Não tem como passar, estamos alagados dentro do carro, depois dizem que está tudo lindo na cidade. Vou mudar essa realidade, um governo conservador se preocupa com as pessoas”, disse a candidata.

E aí, Greca?

Questionado pela Tribuna Rafael Greca explicou que a obra de macrodrenagem está andamento e será finalizada. “Desconfie quando um candidato a prefeito fala de uma obra ainda em curso, dizendo que ela não funcionou na última chuva. Como é que pode uma galeria que ainda não foi concluída canalizar as águas de um rio ou da chuva?”, questionou o prefeito. A obra citada por Greca fica no Rio Pilarzinho, que é um dos 20 nódulos de enchente na cidade. “São R$ 521 milhões em obras de macrodrenagem que fui buscar na Caixa Econômica, porque o prefeito anterior havia perdido”, disse.

Segundo Greca, a chuva do último sábado foi uma tempestade localizada. “Essa mesma gente que hoje fala mal de mim e se aproveita da chuva, quando podia ter feito não o fez. Vamos concluir as obras”, garantiu o candidato à reeleição.