Apaixonada por Curitiba, a artesã Ivanir Aparecida Batista, afirma que Deus não poderia ter escolhido um dia melhor para ela nascer. Ao comemorar 53 anos na próxima quarta-feira, dia 29, junto com a cidade, ela reafirma uma paixão nascida há 33 anos, quando chegou à capital paranaense, assustada com o tamanho da cidade e trazendo na mão uma mala cheia de sonhos. Veio de Catanduvas (SC) para ficar.

“Eu não me sinto catarina. Acredito que a gente pertence ao lugar que nosso coração escolheu, no meu caso, Curitiba. Meu porto seguro é aqui”, afirma. Ivanir veio para a cidade atraída pela propaganda da cidade, feita boca a boca. “Todo mundo que vinha pra cá me falava bem da cidade. Foi bem naquela época em que tudo que era para ser lançado, era testado aqui. Achei aquilo muito moderno”, lembra. Como estava desempregada, veio em busca de um futuro melhor na terra do “leite quente”. “Assim que cheguei, já me apaixonei”, afirma.

Ivanir e a neta Bibi, uma curitibaninha que faz a alegria da avó (Foto: Raquel Tannuri Santana).
Ivanir e a neta Bibi, uma curitibaninha que faz a alegria da avó (Foto: Raquel Tannuri Santana).

Sem parentes na cidade, desembarcou na Rodoferroviária sem ter a mínima ideia de onde iria se hospedar. Foi na rodoviária mesmo que um desconhecido indicou a casa do casal Teresa e Jiuvan Oliveira Melo, ela mineira e ele pernambucano. “Eles me acolheram sem me conhecer”, relata. Foi amizade à primeira vista. Nunca mais se largaram. A amizade é tão grande que hoje são compadres. “Eles me deram abrigo sem nem me conhecer. Devo muito a eles”, afirma.

Ela lembra  que quando chegou em Curitiba, se assustou até com o tamanho da Rodoferroviária. “Achei tudo enorme. Imagine, nunca tinha ido a um shopping. E muito menos entrado num cinema”, revela. Foram tempos de luta, já que tinha deixado o filho na terra natal, junto com a mãe.

Primeiro amor

Ivanir chegou à cidade e logo arrumou emprego. Também arrumou marido na primeira noite que saiu para se divertir. “Saí para dançar o logo no primeiro dia o conheci”, revela. Também era a primeira saída noturna do paranaense Vagner. “Nos casamos logo em seguida”, lembra.

Do casamento vieram mais dois filhos, mas infelizmente o companheiro, morreu de câncer depois de 20 anos de casamento. “Foi um tempo muito difícil e dolorido, do qual não gosto de lembrar”, diz. Com a morte do marido, a artesã teve que cuidar dos três filhos sozinha. Foram dez anos de luto, em que ela também enfrentou um câncer, até conhecer o atual marido, o advogado João Evangelista, parceiro que ela afirma ser a sua “alma gêmea”. “Somos muito companheiros, gostamos das mesmas coisas, ou seja, comer bem e viajar”, diverte-se.

Vista do apartamento no Água Verde com a Serra do Mar ao fundo. (Foto: Raquel Tannuri Santana).
Vista do apartamento no Água Verde com a Serra do Mar ao fundo. (Foto: Raquel Tannuri Santana).

Ivanir é espírita kardecista e foi na Federação Espírita Paranaense que conheceu o marido. “Logo que nos conhecemos já nos apaixonamos, temos muito em comum”, afirma. Já adultos e com os filhos criados, ela e o companheiro gostam se se aventurar Brasil afora. “Eu gosto de dirigir e ele de comer bem. A gente adora pegar o carro e sair país afora”, relata. Também fazer viagens internacionais, principalmente na América do Sul.

Aniversário

O casal vive hoje num amplo e iluminado apartamento no bairro Água Verde, com vista para a Serra do Mar. Na próxima quarta-feira a ideia é juntar os três filhos, a enteada e a neta Gabriele, a Bibi, no local com um churrasco e celebrar a vida. “Depois que a gente passa por muitas perrengues, o jeito é comemorar”, avalia. Ela e Curitiba inteira.