Como seres relacionais que somos, precisamos cada vez mais aperfeiçoar a forma de interação e conexão com o outro. Um dos aspectos para que isso aconteça é desenvolver a empatia. Normalmente, ela está presente quando se trata de relações familiares, amorosas e de amizade. Mas como ampliá-la, de modo a tornar a compreensão um instrumento facilitador para viver em harmonia? Quais benefícios a empatia produz na vida individual e comunitária das pessoas? Descubra o que podemos aprender quando nos colocamos no lugar do outro.

O que é empatia?

Uma das definições para o termo é “Empatia é a capacidade psicológica de sentir o que sentiria outra pessoa, caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. É tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar o que sente outro indivíduo.”

Essa capacidade envolve questões profundas, pois se caracteriza pela visão sob a perspectiva do outro. Implica no indivíduo se libertar de julgamentos e críticas para compreender as escolhas do outro, identificar suas alegrias, seus medos, suas forças e suas vulnerabilidades. Enfim, significa adentrar e entender tudo o que compõe o universo dos pensamentos, das emoções e dos sentimentos de alguém, que pode ser completamente diferente daquele de si mesmo.

Nesse sentido, se refere a se deparar com as emoções e situações que são vivenciadas de forma única e particular por cada um. Em outras palavras, ela é um exercício afetivo e cognitivo que envolve buscar interação. Vem do termo grego Empatheia, formado por “en”, traduzido por “dentro” e “pathos”, que significa “emoção, sentimento”, sendo então, “dentro do sentimento”.

Segundo pesquisas do professor de Neurociência Cognitiva e Social da Universidade La Sapienza (Roma) Salvatore M. Aglioti e do pesquisador e Doutor em Neurociência Cognitiva Alessio Avenanti da Faculdade de Psicologia da Universidade de Bolonha (Itália), a empatia tem uma resposta humana universal, comprovada fisiologicamente, que predispõe o ser humano ao comportamento e a atitudes altruístas, conforme publicação de dezembro de 2007 da Revista Mente & Cérebro.

Por que praticar a empatia?

A empatia é a habilidade socioemocional de perceber, reconhecer, compreender e reproduzir as emoções de outras pessoas. É inerente aos seres humanos, que podem, por meio dela, se conectar uns aos outros para conseguir expandir a visão de mundo, a forma de sentir e de se autoconhecer. Ela é um dos recursos que permitem desenvolver atitudes e comportamentos favoráveis à sobrevivência da nossa espécie, por exemplo a ajuda mútua. E há outros benefícios como:

1. Fortalece e amplia os relacionamentos;

2. Incentiva a colaboração, porque a partir da percepção das dificuldades do outro, é possível supri-las com habilidades e recursos compartilhados;

3. Potencializa os resultados em qualquer âmbito, notadamente no trabalho, na aprendizagem e nos processos de cura;

4. Fortalece os vínculos emocionais e gera a predisposição para enxergar sob perspectivas diferentes em situações diversas;

5. Permite a sobrevivência em variados contextos, ampliando o senso de comunidade, de cooperação, de preservação e de resistência às adversidades;

6. Ajuda a ampliar as capacidades cognitivas e a desenvolver a adaptabilidade;

7. Fortalece a confiança e o sentimento de mais valia;

8. Potencializa a sensação de prazer, porque o cérebro libera substâncias como a ocitocina, um dos hormônios responsáveis pela sensação de bem-estar e de felicidade.

9. Aumenta a qualidade de vida, pois gera sentimentos de união, de respeito, de satisfação, de cumplicidade e de acolhimento;

10. Estimula a compaixão, a humildade, o amor ao próximo e outras virtudes;

11. Auxilia a desenvolver e demonstrar atitudes de gentileza e de solidariedade, promovendo compreensão e harmonia;

12. Ajuda a minimizar e eliminar crenças limitantes e conflitos;

13. Desperta a humanidade e muitos valores positivos, fundamentais à convivência e à evolução do ser humano neste plano existencial.

Como desenvolver a empatia?

Agora que entendemos o que é empatia e seus benefícios, como podemos a desenvolver? Afinal, ainda que a empatia faça parte da essência do ser humano, ela precisa ser desenvolvida com a prática consciente e constante. Essa ação leva o indivíduo a ser empático, ou seja, a se identificar com o outro ou com a situação vivida por ele, conquistando relacionamentos saudáveis. Nesse sentido, é necessário adotar alguns comportamentos como:

1. Amplie seu autoconhecimento

O processo de empatia é mais fácil e isento quando você se conhece. Então, busque alternativas para ampliar seu autoconhecimento. Identifique e desenvolva seus pontos fortes, aprenda a reconhecer seus sentimentos, a forma como expressa suas emoções e compreenda seus valores, suas motivações e seus pensamentos. Pratique a atenção a você, pois isso ajudará a ter a atenção objetiva ao outro.

2. Pratique o acolhimento

Diante das inúmeras situações de intolerância e de toda a diversidade que vivemos é fundamental construir relacionamentos saudáveis de modo constante. Lembre-se que as pessoas vão amadurecendo e se transformando ao longo do tempo! Então, além de aceitar as próprias emoções é necessário acolher as emoções alheias, respeitando as diferenças na forma, na intensidade e na expressão delas. É um aprendizado que envolve não se colocar como centro das atenções, não se entender com superioridade ao outro e demonstrar compaixão. Logo, console, aconselhe ou comente uma situação, somente após ouvir atentamente e entender os motivos do outro.

3. Adote comportamentos de colaboração ao outro

Ao se dispor a colaborar com o outro, você constrói sentimentos de confiança, de reciprocidade e de cumplicidade. Ao mesmo tempo em que se estabelecem objetivos comuns e resultados esperados, também se desenvolvem a audição atenta, a identificação de pontos comuns e de pontos a serem aperfeiçoados. É um exercício de abertura à compreensão, que potencializa a união, a criatividade, a descoberta de talentos e a produtividade. Além disso, o foco passa a ser o outro, um comportamento que converge para uma atitude mais altruísta e menos egocêntrica.

4. Elimine julgamentos, críticas e rótulos

Praticar empatia requer essencialmente eliminar julgamentos, críticas e rótulos, sejam eles relacionados aos pensamentos, à forma de sentir, às emoções ou às atitudes. E eles não são expressos apenas em palavras. Então, preste atenção, inclusive, aos comportamentos não-verbais. Gestos e expressões faciais podem revelar pré-concepções.

Assim, desenvolver esse comportamento significa ampliar a visão de mundo e mostrar disposição para enxergar as diferenças e conhecer o universo do outro indivíduo, com atenção genuína para estabelecer conexões e fortalecer laços.

Então, é necessário o empenho para perceber a realidade, o mais objetivamente possível. Nesse sentido, é necessário primeiro se questionar, ao invés de julgar. Um exemplo: antes de criticar um colega que usa uma determinada peça de vestuário no trabalho, tente entender e perceber que circunstâncias o levam a isso. E mais, evite ouvir boatos ou confiar em suposições. Atenha-se a informações confiáveis e fidedignas. Lembre-se que a empatia é um processo maduro, particular e que interessa exclusivamente aos envolvidos e não deve se basear em rumores.

5. Exercite a escuta atenciosa

Ouvir atentamente requer evitar falar, expor julgamentos, ideias ou pensamentos. Antes de mais nada, envolve manter a humildade e a compreensão de que todos cometemos falhas, temos problemas e estamos em processo de evolução, de modo a evitar críticas. Ao mesmo tempo, é uma forma de reconhecer as qualidades do outro, porque da mesma forma que todos têm imperfeições, também têm características fortalecedoras e construtivas.

6. Disponha-se a ver sob nova perspectiva

Desenvolver a empatia requer abrir mão das próprias convicções e se abrir para enxergar a vida sob novas perspectivas, sob outros ângulos. Não significa concordar com tudo o que o outro diz, mas tentar compreender que as pessoas pensam, sentem e agem de forma diferente, de acordo com suas próprias referências, experiências, valores e outros fatores.

Assim, pergunte às outras pessoas quais os pontos de vista delas. Demonstre interesse. Quanto mais praticar, maior será a oportunidade de desenvolver essa compreensão.

7. Seja gentil

Ao desenvolver a empatia, você se dispõe a melhorar a qualidade dos relacionamentos. E, ao adotar uma atitude gentil, permite que o outro se sinta mais livre, acolhido, compreendido e seguro. Além disso, você cria a oportunidade, pelo seu exemplo, para que ele aja da mesma forma, buscando relacionamentos mais leves, solidários e construtivos.

E, mesmo que em algum momento, você não possa dar a atenção devida, tenha um comportamento delicado e cordial, apresentando as razões da impossibilidade e já mostrando interesse em outra ocasião. É importante reforçar que em situações de cansaço ou pressa, é melhor adotar o adiamento de uma conversa no processo de empatia.

Ainda, evite manifestar expressões de impaciência ou de desconforto. Mais uma vez, atente-se à linguagem corporal. Do mesmo modo que ela pode ser facilitadora para demonstrar sua empatia, pode denotar exatamente o oposto. Logo, não deixe que sua generosidade seja ofuscada desta forma. Prefira um momento mais adequado.

8. Enfrente os desafios da empatia

Sabe aquela pessoa que apresenta comportamentos que lhe são irritantes? Ela pode representar um desafio para você no desenvolvimento da empatia. Portanto, empenhe-se a estabelecer com ela o processo de compreensão das razões que a levam a tais ações. Nesse exercício, você terá a oportunidade de praticar a tolerância e de enxergar as situações sob o ponto de vista dela. Ao final, você vai perceber um grande ganho para ambas.

Para finalizar, a empatia envolve interação com o outro. Ela a amplia a consciência, estimula a compaixão e gera bem-estar, aumentando a qualidade de vida e dos relacionamentos, estando diretamente ligada ao amor e ao altruísmo. Ao praticá-la, aprendemos a construir reciprocidade e a exercer generosidade. Estabelecemos vínculos e nos conectamos com a nossa essência. Então, comece por você a buscar um ambiente mais harmonioso. Aprenda a ouvir com o coração e com a mente aberta. Pratique esse processo de entrega genuína!