Processo sobre quem tem direito ao
estádio se arrasta há trinta anos.

A notícia de que o governo federal havia leiloado o terreno da Rodoferroviária, cedido pela Rede Ferroviária Federal (RFFSA) à Prefeitura Municipal de Curitiba, trouxe à tona uma dúvida: estaria o Estádio Durival de Brito e Silva, a Vila Capanema, ameaçado de também ir à leilão?

Ontem à tarde a resposta negativa trouxe alívio à nação tricolor. Como a Justiça ainda não definiu quem detém os direitos sobre o terreno onde foi construído o estádio paranista, a área não é dada como bem para penhoras. Portanto, não pode ser utilizada como garantia em processos que a Rede vem respondendo perante o Judiciário. “A gleba de terra onde está construído o estádio não faz parte do acordo que a rede tem com o governo, que resultou no leilão”, diz Paulo Sídnei de Ferraz, responsável pela regional da Rede Ferroviária. E mesmo que fizesse, não haveria maiores riscos, uma vez que RFFSA conseguiu anular o efeito do leilão, quitando a dívida trabalhista de R$ 25 mil que resultou na ação do governo.

O advogado do Paraná Clube responsável pelo processo contra a RFFSA, Márcio da Nóbrega, revela que o fato de o terreno estar em litígio livra o clube de qualquer risco. “O processo está em andamento. Mas como o processo tem mais de duas mil páginas, deve levar pelo menos mais cinco meses para que o veredicto seja dado”, adianta o advogado. A briga entre a Rede Ferroviária e o Paraná Clube sobre a posse do terreno onde foi construída a Vila Capanema já dura trinta anos. Em um primeiro processo, a Rede saiu derrotada. No segundo processo, o Tricolor foi vencido, mas recorreu da ação. O terreno da Vila foi cedido pela Rede ao Clube Atlético Ferroviário, um dos formadores do Paraná Clube. A Rede alega que por ter sido cedida por funcionários da RFFSA, a área pertence a ela. Já o Paraná defende que o Clube Atlético era uma entidade independente.