Adriano, a caminho das
seleções brasileiras de base.

A juventude ajuda nessas horas. Nos sete jogos do Coritiba no campeonato brasileiro, o time ficou claramente ?manco?, jogando basicamente pelo lado esquerdo. E isso impunha ao lateral Adriano uma exigência quase sobre-humana de marcar, apoiar, cruzar, lançar e até mesmo aparecer na área para chutar a gol. E sabe de uma coisa? Ele gosta de ser a ?válvula de escape? do Coxa.

Quando os jogadores são tão acionados, geralmente há reclamações – por parte dos próprios atletas, que se vêem forçados a sempre resolver, o que às vezes pode ser prejudicial. Mas, ao contrário da maioria, Adriano não reclama da vida. “Quando eu converso com meus companheiros, brinco sempre que se eles estiverem marcados, que joguem a bola para mim que eu resolvo”, diz o lateral-esquerdo, maior revelação do Coritiba nos últimos anos.

E ele vem dando conta do recado. É através de suas lancinantes arrancadas que o Coritiba está conseguindo gols fundamentais, como o primeiro contra o Paraná, que começou em uma rápida avançada do lateral, que cruzou com precisão para o chute de Edu Sales. “Eu gosto de jogar assim, partindo para cima do adversário. É a forma que meu futebol melhor aparece”, comenta Adriano.

Por sinal, anda aparecendo bastante. O nome do jogador não é apenas citado para defender a seleção brasileira sub-20 (com 18 anos, é em tese a categoria que ele poderia defender). Adriano é nome considerado certo para as próximas convocações da seleção sub-23, que disputará no meio do ano a Copa Ouro, nos Estados Unidos. E é claro que tendo tanta participação nos lances ofensivos do Cori, o lateral vai ganhando mais visibilidade. “Realmente, isso acaba sendo importante para mim”, concorda.

Apesar disso, e da eficiência que Adriano demonstra, o técnico Paulo Bonamigo quer ver equilíbrio no Coritiba. Por isso ele deve escalar Jackson pela ala direita contra o Grêmio, domingo (18h), no Olímpico. “Quando eu ficava mais isolado, era o Jackson que aparecia para me ajudar na criação”, relembra o lateral, que mesmo perdendo um ?parceiro? não reclama. “Agora, com ele na direita, as jogadas estão mais divididas, o que é melhor para o time”, avalia.

Na formatação pensada por Bonamigo nos últimos dias, o possível companheiro de Adriano para tentar as jogadas é Tcheco. “No treino, foi ele quem mais apareceu por ali”, diz o lateral. “Eu gosto, porque o meu posicionamento não muda muito”, afirma Tcheco. Equilibrado ou não, os adversários que se cuidem – Adriano continua a fim de atropelar os marcadores. “O meu objetivo é ajudar o Coritiba, jogando da maneira que eu sei”, finaliza.

Pepo pode voltar à ala contra o Grêmio

A dúvida, a princípio, continua a mesma. Mas a noite de ontem pode ter sido decisiva para a escalação do Coritiba que enfrenta o Grêmio, domingo, 18h, no Olímpico. Não é nenhum treino ?noturno?, mas o técnico Paulo Bonamigo queria ver como o time gaúcho se comportaria contra o Olimpia, pela Taça Libertadores da América, para quem sabe alterar seu planejamento de equipe. E, se for o caso, a ousadia pode dar lugar para a cautela.

Segundo o treinador, era importante ver como o Grêmio iria jogar. “Preciso ver qual é a estrutura tática neste jogo, se eles vão perder algum jogador por lesão. Isso pode mudar o pensamento deles para o domingo”, disse Bonamigo, que não acredita também em mudanças profundas. “É claro que eles têm uma forma de jogar definida, e que nós já conhecemos”, garantiu.

Só que a motivação que pode acontecer com qualquer resultado que o Grêmio tivesse na noite de ontem fez Bonamigo parar para pensar. “Posso usar um time mais agressivo ou contar com uma compactação maior no meio-campo”, explicou o treinador. Compactação, na verdade, significa reforçar o meio e mudar em parte a estrutura usada no treino de quarta.

Para isso, a idéia seria voltar com Pepo na ala direita, sacando Lima ou Marco Brito. “Se eu usar o Pepo, fecho uma porta lá na frente. E não posso tirar o Edu Sales do time, pois ele está merecendo esse retorno”, comentou Bonamigo. Se o treino de ontem valer como elemento de análise, Lima está atrás na briga, já que Brito foi um dos destaques do trabalho. Se Jackson for mantido na direita, a trinca ofensiva é mantida.

E ainda há a dúvida na primeira função do meio-campo. Ontem, Roberto Brum começou e terminou o treino tático como titular, mas Willians também jogou no time de cima. E para quem quer definições, esta e as outras dúvidas não serão dirimidas em Curitiba. “Vou deixar essas situações lá para Porto Alegre”, avisou o treinador coxa.