Aquiraz (CE) – Jogo da vida é pouco. O Coritiba entra em campo hoje, às 15h (16h em Curitiba), no Castelão, enfrentando o Fortaleza, o calor da capital cearense e todos os seus fantasmas – aqueles que fazem muitos pensarem que o time, mais uma vez, não vai conseguir atingir seu objetivo.

Além disso, vai ter que encontrar forças para vencer um adversário empolgado, que deve levar mais de 40 mil pessoas ao estádio.

Esse, em tese, seria o grande problema, mas para encarar o Fortaleza antes o Coxa vai precisar acabar com suas pendências internas. Desde o fracasso de domingo passado contra o Vitória, diretoria, comissão técnica e jogadores fazem discursos diferentes para chegar ao mesmo ponto – a importância de chegar na Taça Libertadores. Foram feitas reuniões em todos os ambientes possíveis (até no meio da praia) para acertar ponteiros e uniformizar o elenco.

Se deu certo? A impressão de quem vê o elenco é positiva. “A gente sente que eles estão mais animados”, comenta o zagueiro Odvan, um dos que mais tentam motivar os companheiros. Com o respaldo da experiência, ele ?assumiu? o posto de conselheiro dos mais jovens, principalmente da trinca André Nunes, Tiago Santos (que chegaram na segunda) e Ricardo, uma das novidades do time para o jogo de hoje.

Odvan e Reginaldo Nascimento também foram os comandantes da ?pressão? sobre os próprios companheiros. A intenção era ferir os brios dos jogadores, fazendo com que eles joguem precisando responder para alguém (ou para muitos que duvidam). A comissão técnica sabe que a liberação de Gélson, Ceará e Souza, ainda na Bahia, também atingiu duramente os que ficaram, que prometem oferecer uma vitória para os ?degredados?.

Também caíram como uma luva a auto-suficiência do Fortaleza (na cidade, a vitória do tricolor cearense é dada como certa) e infelizes declarações do técnico do Atlético, Mário Sérgio, que afirmou torcer contra o Coritiba. “É coisa de treinador de time pequeno”, atirou o secretário Domingos Moro. “Eles só fazem isso para atrapalhar. Ele é um moleque”, completou o coordenador técnico Sérgio Ramirez.

E mesmo com tantos motivos extracampo para vencer, os principais estão na tábua de classificação. Apesar de dois pontos atrás de Internacional e São Caetano, o Coxa joga dependendo apenas de si – vencendo Fortaleza e Criciúma, a vaga na Libertadores está assegurada. “Nós estamos em um momento decisivo, temos que estar concentrados. E não é concentrar de ficar deitado, e sim preparado para as dificuldades que vão acontecer”, resume o técnico Paulo Bonamigo.

E elas serão grandes. “Eu sempre pensei em conseguir três pontos em Salvador e ver o que iria acontecer aqui. Por isso eu fiquei tão irritado com o que aconteceu no jogo contra o Vitória”, admite Bonamigo. O treinador espera que, enfim, todo o elenco perceba o quanto é importante para eles a vaga no maior torneio interclubes do continente. Até porque é vital para ele, e um possível divisor de águas na história do Coritiba.

– A delegação do Coritiba deixa Aquiraz amanhã. A viagem está marcada para as 7h30, com chegada em Curitiba prevista para o meio-dia. Os jogadores serão liberados e voltam a treinar na tarde de terça.

– A última partida do Coritiba no campeonato, contra o Criciúma, já está definida para o próximo sábado, às 18h, no Alto da Glória.

Fortaleza assume todo favoritismo

Aquiraz – Para um time que andava muito tranqüilo, o Fortaleza teve um surto ditatorial no final da semana. A equipe de Márcio Araújo fez treinos secretos, um suposto ?espião? do Coritiba quase foi espancado e não se fala mais sobre possíveis opções táticas. Apesar disso, o tricolor cearense já está definido, e a torcida que deve lotar o Castelão espera vitória – coisa que, por sinal, eles cantaram desde o momento em que o Coxa chegou em Aquiraz.

Na quinta, enquanto acontecia um prosaico treino técnico no local do jogo, apareceu um cidadão com uma câmera de vídeo nas arquibancadas. “Descoberto”, ele quase foi agredido por torcedores.

Depois disso, Márcio Araújo decidiu comandar um treino secreto na sexta. Nem mesmo os jornalistas locais tiveram acesso pleno ao trabalho – e, segundo o jornal Diário do Nordeste, o trabalho fora fechado para que “jornalistas paranaenses e pessoas do Coritiba não tivessem acesso às jogadas do Fortaleza”.

Se o mistério toma conta da forma como o Fortaleza vai jogar, o time está montado. Ao contrário do que se falava durante a semana, Dude perdeu a posição para Erandir mesmo com a boa atuação contra o Paraná Clube. Com a alteração no meio-campo, são duas as mudanças em relação ao time que goleou no domingo passado: Erivélton ocupará hoje a vaga de Fernandão, que cumpre suspensão automática.

Mas nem mudanças nem segredos diminuem a empolgação da torcida. Foram colocados à venda 44 mil ingressos (R$ 10,00 em todos os setores do estádio, e R$ 5,00 para mulheres – crianças até 12 anos não pagam), e a expectativa é de casa cheia. E todos, sem exceção, confiam numa vitória tricolor, até com certa facilidade. Cabe ao Coritiba responder a esse favoritismo – e calar uma multidão. (CT)

Marcel sente lesão no último treino

Aquiraz – Tudo corria bem no último treino do Coritiba antes do jogo de hoje. O recreativo virara a inauguração extra-oficial do Estádio Armando Nogueira, que fica dentro do resort onde a delegação alviverde está concentrada. Só que um susto trouxe tensão ao trabalho – e abriu uma dúvida na equipe. Marcel torceu o tornozelo direito, saiu reclamando de dores e está em tratamento intensivo.

Depois de uma disputa de bola, o centroavante coxa saiu mancando e desabou atrás do gol. De lá, ele seguiu amparado para iniciar o tratamento. “Foi uma lesão leve, mas que inspira cuidados porque aconteceu muito perto do jogo”, comenta o médico Walmir Sampaio. A preocupação é com alguma lesão ligamentar, mas na avaliação feita o jogador não teria nada mais grave.

Só que, como disse o médico, aconteceu em cima da hora. Daí a preocupação, que só vai passar quando Marcel for para o aquecimento. “O tempo é curto, mas ainda temos como recuperá-lo. Como não foi uma lesão preocupante, acho que ele vai jogar”, diz o técnico Paulo Bonamigo. Numa última hipótese, André Nunes está avisado da hipótese de começar jogando.

Seria o terceiro desfalque do time, que já não conta com o suspenso Roberto Brum e com o lesionado Edu Sales, que ontem ficou de árbitro do treino. Nos lugares entram Lima e Alexandre Fávaro, dois jogadores de características semelhantes, mas de motivações bem diferentes: enquanto Lima já olha para o futuro, pensando no Cruzeiro, o “Príncipe” tem a maior chance para se firmar na equipe.

Fávaro sabe disso, e também tem consciência da importância dele no time que enfrenta o Fortaleza. “Ele nos agrega técnica, qualidade e a eficiência nas bolas paradas. E além de ter uma ótima assistência, o Alexandre tem boa conclusão”, comenta Bonamigo. O meia foi um dos cinco jogadores chamados para o treino específico de cobranças de faltas na manhã de sexta.

Virtudes e tanto para um jovem jogador, que iniciou a temporada como a grande esperança do elenco – mas que não conseguiu se firmar por causa da inconstância e de uma lesão no púbis que o tirou dos campos por mais de três meses. E, mesmo com tudo isso, Alexandre Fávaro pode virar o herói da classificação coxa para a Libertadores. “Eu não penso em ser herói. Quero que todos se ajudem e que o Coritiba ganhe”, desconversa o “Príncipe”. (CT)

CAMPEONATO BRASILEIRO

FORTALEZA X CORITIBA

Fortaleza:

Jefferson; Chiquinho, Erivélton, Ronaldo Angelim e Sérgio; Dino, Erandir, Richarlyson e Mazinho Loyola; Rena e Vinícius. Técnico: Márcio Araújo

Coritiba:

Fernando; Maurinho, Danilo, Odvan e Ricardo; Reginaldo Nascimento, Pepo, Jackson e Lima; Alexandre Fávaro e Marcel (André Nunes). Técnico: Paulo Bonamigo

Súmula
Local:

Plácido Castelo (Fortaleza – CE)
Horário: 15h (16h em Curitiba)
Árbitro: Álvaro Azeredo Quelhas (FIFA-MG)
Assistentes: Alexandre Santos Conceição (MG) e Guilherme Dias Camilo (MG)

As lições do mestre Armando

Cristian Toledo

Aquiraz (CE)

– ?Vê se fala bem da gente?. O pedido nem precisaria ser feito, pois Armando Nogueira encantou Fortaleza no rápido período em que passou pela cidade. O jornalista (e colunista do Paraná-Online) ministrou palestra para cerca de cem pessoas na sexta, e ontem viu o estádio com seu nome ser inaugurado no resort em que ele está hospedado – e o Coritiba concentrado. Ao lado de ?Magic? Paula e Roberto Dinamite, ele foi o astro de um final de semana recheado de grandes nomes do esporte brasileiro.

Armando discorreu sobre ?O Avanço do Esporte na Responsabilidade Social?, tema em voga nos últimos meses. Para um público ávido, ele falou sobre o que devia falar e sobre o que todos queriam que ele falasse – cartolagens, problemas do esporte e a magia do futebol. ?Eu já tenho quatro processos nas costas, de gente como o Caixa D?Água (Eduardo Viana, presidente da federação carioca). Não me importuno mais com isso?, diz.

E o veterano jornalista vê nos nossos clubes o exemplo que o Rio de Janeiro deveria seguir. ?Os times de Curitiba vão ficar por muito tempo na primeira divisão. Atlético, Paraná e Coritiba têm infra-estrutura, estão preparados, assim como os times de Santa Catarina. E isso é algo que não existe no Rio. Não sei se, da forma que está, os grandes times cariocas vão resistir?, afirma.

A estrutura coxa também fez Armando alertar os cearenses. ?Eu já falei para meus amigos e para o pessoal que vem conversar comigo: o jogo não está ganho, o Coritiba é um time forte, que está disputando uma vaga para a Libertadores, que é um torneio importante e dá dinheiro?, comenta o ex-diretor de jornalismo da Rede Globo.

Ontem, ele ficou apenas como assistente da festa de inauguração do estádio que leva seu nome. Em campo, estrelas de Ceará e Fortaleza, além de ex-craques da seleção brasileira, como Careca, Elzo, Donizete, Gonçalves e Roberto Dinamite. O Coritiba estava representado pelo coordenador técnico Sérgio Ramirez (que treinou o Ceará) e pelo auxiliar Edson Gonzaga (que jogou no Fortaleza).

Ídolo

Depois de Armando e Paula, foi Dinamite a grande estrela do final de semana. Ele foi muito questionado sobre a eleição no Vasco (que ele perdeu para Eurico Miranda), e reafirmou as suspeitas de que as agressões aos jogadores do Coritiba foram premeditadas. ?Não há como provar, mas tenho certeza que aquela ação foi programada para tirar o time de São Januário e evitar que a situação do time influísse na eleição?, acusa.