A entrevista coletiva concedida nesta terça-feira pelo lateral Phillip Lahm e pelo atacante André Schürrle teve um atraso de 40 minutos, o que é um escândalo para os rigorosos padrões germânicos. Logo surgiu a explicação: a seleção passou boa parte da manhã na companhia de Mike Horn, sul-africano radicado na Suíça que se intitula “o maior aventureiro dos dias atuais”.

Em seu currículo, Horn ostenta as seguintes “loucuras”: nadou no Rio Amazonas sem qualquer ajuda, fez a circunavegação da Terra pela Linha do Equador em um barco a vela, andou no Polo Norte durante a “temporada escura” e escalou todas as montanhas de mais de oito mil metros de altura do planeta. Com essa bagagem, naturalmente ele deu aos jogadores uma palestra sobre superação de limites.

Depois da palestra, o time e alguns integrantes da comissão técnica da Alemanha subiram em uma embarcação e navegaram por pouco mais de uma hora pelo litoral baiano. Não se tratou, entretanto, de um mero passeio, já que os jogadores chegaram a participar da condução do barco como uma maneira de incorporar um pouco do espírito aventureiro de Horn.

“Foi uma expedição muito interessante porque ele (Horn) nos fez uma apresentação sobre como lidar com desafios como a solidão”, contou Schürrle. “Era um barco enorme, de uns 35 metros. Nós executamos tarefas como baixar as velas e outras desse tipo. A intenção era fazer com que todos trabalhássemos juntos, como se fôssemos uma tripulação”, explicou Lahm.

O capitão da Alemanha na Copa do Mundo acredita que as horas passadas ao lado de Horn serão úteis para a equipe, que, a seu modo, também viverá uma aventura bastante desafiadora a partir de segunda-feira, quando estreará no Mundial contra Portugal, em Salvador.

“Ele (Horn) nos falou muito sobre suas técnicas para suportar as condições mais difíceis e nos disse que o mais importante é sempre respeitar profundamente o seu oponente, seja ele um time de futebol ou as condições naturais de um ambiente hostil.”