Alex, fanático por clássicos.

Desde garoto, o meia Alex, do Cruzeiro, tem uma predileção especial pelos clássicos regionais. Gostava de ir ao estádio Couto Pereira para assistir ao Coritiba seu time do coração e onde iniciou sua carreira, enfrentar o rival, Atlético-PR. Ele se recorda bem da “badalação” em torno dos atletas e do clima de decisão que envolvia a capital paranaense. “Aquilo me fascinava. Era uma coisa que me chamava a atenção, que eu queria um dia poder chegar próximo”, lembra o jogador.

Pois foi justamente no maior clássico do futebol mineiro que Alex confirmou a ótima fase que atravessa. No último domingo ele comandou seus companheiros na vitória por 4 a 2 sobre o Atlético-MG, que deixou a equipe celeste em situação confortável para a conquista do título do estadual de 2003. O meia fez dois gols e foi fundamental nos outros dois. A atuação serviu também como uma resposta aos críticos que costumam duvidar do futebol do jogador nas partidas decisivas. “Fiquei muito feliz com minha atuação. Sempre gostei de jogar partidas decisivas, com estádio cheio. Foi a vitória mais saborosa desde que cheguei ao Cruzeiro”, confessou Alex, que recebeu elogios rasgados de Varderlei Luxemburgo.

O treinador foi o responsável pela contratação do meia, que, em maio do ano passado, deixou o Palmeiras chateado com a eliminação do clube no Torneio Rio-São Paulo e bastante decepcionado por não ter sido lembrado por Felipão para a disputa da Copa.

Luxemburgo não esconde sua admiração pelo atleta e convenceu a diretoria do Cruzeiro a contratá-lo para a disputa do campeonato brasileiro do ano passado. Os dirigentes mineiros estavam relutantes, pois o meia já teve uma passagem sem brilho pela Toca. “Não sei se é porque gosto muito dele, mas o Alex desequilibra, é um jogador muito inteligente”, afirmou o treinador.

Apesar de ciente de sua boa fase, o jogador prefere ser cauteloso ao avaliar a possibilidade de voltar à seleção brasileira. “No momento, penso apenas em ajudar o Cruzeiro. A convocação, se vier, será conseqüência”, desconversa.

Astral

Aos 25 anos, Alex atribuiu as atuações destacadas à tranqüilidade que alcançou ao chegar, recentemente, a um acordo sobre seus direitos federativos com o Parma, da Itália. Os prêmios de melhor jogador em campo tornaram-se freqüentes nas últimas rodadas e o meia decidiu presentear os funcionários da Toca da Raposa II. “Estou dando né? Dei um rádio para o Chico, o massagista, outro dia dei um para o pessoal da rouparia…” Com os dois gols que marcou no clássico, Alex chegou a cinco no campeonato mineiro, um a menos que o seu companheiro Mota, artilheiro da competição com seis gols.

Em campo e fora dele, o meia procura se espelhar em dois ídolos do futebol brasileiro: Zico e Rivelino. O ex-flamenguista é para ele um “exemplo de caráter e profissionalismo” para a sua geração. Quanto a Rivelino, diz que possui com ele uma afinidade, já que também iniciou no salão. Além disso, “foi a melhor perna esquerda que o futebol brasileiro já teve”.