Fernando deve voltar ao
time no lugar de Canindé.

Se ainda não exorcizou, o Paraná Clube ao menos espantou os fantasmas que pairam sobre o time ao golear o Cruzeiro. O técnico Paulo Campos – que marcou em sua primeira passagem por discursos às vezes excessivamente otimistas – preferiu não comemorar o resultado imposto em pleno Mineirão (4×1), onde o tricolor jamais derrotara o atual campeão brasileiro. Mas, com “a alma lavada”, o time se prepara para novo desafio: suplantar o Santos de Vanderlei Luxemburgo e avançar à próxima fase da Copa Sul-Americana.

Ao contrário do “sufoco” no Brasileirão, na competição da Conmebol o Paraná está em vantagem. Com um empate avança à etapa seguinte, para enfrentar o Flamengo. Mesmo perdendo por um gol de diferença, decidiria a sorte da chave em cobranças de penalidades máximas. Tudo porque no primeiro jogo, em Curitiba, o Tricolor (ainda sob o comando de Gilson Kleina) bateu o Peixe por 2×1. Sem poder se dar ao luxo de poupar jogadores, já que o elenco é reduzido e alguns atletas estão no departamento médico, Paulo Campos deve mexer pouco na equipe utilizada na última quarta-feira.

A única “baixa” é o meia Canindé, que não foi inscrito na competição. Para o seu lugar, o treinador deve confirmar a volta de Fernando à equipe. O jogador acompanhou pela tevê a primeira vitória do Paraná fora de casa neste brasileiro. “Agora é não deixar o ritmo cair. Recentemente, tivemos situações parecidas e não conseguimos sustentar o bom momento”, lembrou Fernando, numa referência às vitórias sobre Vitória e Santos, que foram sucedidas de derrotas para Flamengo e Juventude, respectivamente.

Fernando seguiu ontem à tarde para São Paulo, ao lado de Sinval. Os dois foram incorporados ao grupo, que fará na capital paulista o último treino para a decisão frente ao Santos (a delegação segue apenas amanhã para a Baixada Santista).

Paulo Campos, ao mesmo tempo em que demonstrava satisfação pela reestréia vitoriosa, fazia questão de não dar a este sentimento maiores proporções. “Feliz eu estou. Por essa nova oportunidade e pelo resultado. Mas, é importante que todos tenham a consciência de que nada foi conquistado. Vencemos um jogo, o que devolve ao grupo a auto-estima. Só que o caminho é longo e ainda temos muitas batalhas a vencer nessa busca pelo objetivo”, finalizou Campos, sempre evitando a qualquer preço usar a palavra “rebaixamento”, por ele “banida” do dia-a-dia do tricolor.

Urgência: 2 pra zaga

A zaga passou a ser um enorme problema para o Paraná Clube. Não para o jogo de amanhã, mas para a seqüência do Brasileirão. Na partida de quarta, contra o São Paulo, o técnico Paulo Campos terá que recorrer a João Vítor, caso a diretoria não obtenha sucesso em transações que estão em andamento. Fernando Lombardi levou o terceiro cartão amarelo contra o Cruzeiro e cumpre suspensão automática. Com Nelinho e Gélson Baresi lesionados, restaram poucas opções.

Alison, das categorias de base, está treinando com o grupo principal, mas tem poucas chances de ser aproveitado no momento. O vice de futebol José Domingos confirmou que a prioridade é trazer pelo menos dois zagueiros nos próximos dias e as negociações podem evoluir a partir da rodada desta noite, pela Série B do Brasileiro. “Temos alguns contatos, mas os atletas estão envolvidos em jogos decisivos. Mas pelo menos um reforço será contratado até o fim de semana”, comentou o dirigente.

O ex-paranista Ageu, hoje no Vila Nova-GO, é uma das opções e o clube ainda negocia com Maxsandro (ex-Coritiba), que está atuando pelo Ceará. “Temos outros nomes em pauta e é melhor não falar nada enquanto as transações não forem concluídas. O Tricolor também aguarda uma definição em relação à “novela” em que se transformou a negociação do atacante Didi.

O jogador está em Itu, tentando acertar sua liberação junto ao empresário Oliveira Júnior. Quando acertou as bases salariais com o Paraná, Didi não informou sobre o contrato em vigência que possuía com o clube paulista. Comenta-se que o Jaguares, clube mexicano no qual o atacante Didi atuou nos últimos oito meses, já manifestou interesse pelo seu retorno.

Porém, Didi foi ao interior paulista resolver essa pendência para poder ser inscrito pelo Paraná Clube. Independente disso, o Tricolor ainda busca mais um atacante para a seqüência da temporada. Faltam somente duas semanas para o fim das inscrições no Campeonato Brasileiro.