Monza – A McLaren está se esforçando bastante, junto com sua parceira Mercedes-Benz, para que seu piloto Kimi Raikkonen perca a cabeça e chute o balde na equipe. Ele, que já teria até um pré-contrato assinado com a Ferrari para 2007, está perdendo a paciência com o time, embora não demonstre.

Pela terceira vez neste ano, teve um motor quebrado nos treinos. A troca o fez perder dez posições no grid. Junte-se a tragédia aos três GPs que abandonou neste ano por quebra quando liderava, e pode-se ter uma idéia de como o "homem de gelo" tem direito a ficar irritado.

A resposta à total falta de confiabilidade de seu equipamento, essa o finlandês deu na pista. Fez o melhor tempo no treino de classificação e largaria na pole hoje para o GP da Itália, em Monza. É a 15.ª corrida do ano. A punição pela troca o empurrou para o 11.º lugar no grid. Quem herdou a ponta foi Juan Pablo Montoya, que tinha feito 1min21s054 em sua volta lançada, 0s176 mais lento que Kimi.

"Assim fica difícil, mas não há nada que eu possa fazer. É sentar e tentar o melhor resultado possível", falou Raikkonen. Seu rival na luta pelo título, Fernando Alonso, 24 pontos na frente, parte em segundo. O piloto da Renault recusou o rótulo de sortudo, após mais uma infelicidade de seu adversário.

"Sorte tem ele, que poderia quebrar na primeira volta se eles não percebessem a tempo que o motor tinha problemas. Por esse ângulo, o azarado sou eu", disse o espanhol, valendo-se de estranho raciocínio. "A verdade é que não temos o melhor carro desde a quarta etapa, e estamos aproveitando as chances que a McLaren vem nos dando".

Kimi estava absolutamente sereno depois do treino. "Vou dormir tão bem quanto dormi ontem. Essas coisas não me tiram o sono. A gente está dando moleza para a Renault, mas não tenho nada com isso. Minha corrida, de certa forma, vai ser a mais fácil de todas: acelerar e tentar ganhar".

Se depender de Montoya, Kimi não deve esperar muita coisa. "Ele está muito atrás e não sei como poderei ajudar. Acho que nossa meta mais realista é pensar no título de construtores", falou o colombiano. A McLaren está nove pontos atrás do time francês. "Mas se ele aparecer atrás de mim, vamos ver o que acontece", concluiu, referindo-se ao companheiro.

O GP da Itália, com 53 voltas, começa às 9h de Brasília, com previsão de sol e calor em Monza. Dependendo do resultado, o título pode ser decidido já no domingo que vem, na Bélgica. Se Alonso sair de Spa com mais de 30 pontos de vantagem para Kimi, será o campeão antecipado.

Antonio Pizzonia leva susto ao saber que ia correr

Monza – Antonio Pizzonia dormia sossegado quando o telefone de seu quarto no hotel em Monza tocou às 8h30. Faltava meia hora para o início dos treinos livres para o GP da Itália. "Vem correndo para a pista", avisaram. "Já estão indo te buscar". Um funcionário da Williams, então, chegou com uma lambreta e levou o brasileiro para o autódromo. Ele estava escalado para substituir Nick Heidfeld no GP da Itália.

O piloto alemão bateu na sexta-feira retrasada nos testes de Monza. Anteontem, sentiu-se mal, com dor de cabeça e tonturas, depois dos treinos livres. Levantou ontem ainda meio grogue, foi ver os médicos da FIA e eles recomendaram que não corresse. Será o 16.º GP da carreira do amazonense, que não guiava um F-1 com motor V10 havia três meses.

Pizzonia correu 11 vezes pela Jaguar em 2003 e quatro no ano passado pela Williams, no lugar de Ralf Schumacher. Fez pontos três vezes, com sétimos lugares, um deles em Monza. Hoje, revive a dupla que formou com Mark Webber na Jaguar. Antonio fez apenas o 16.º tempo ontem na classificação. Foi o primeiro a ir para a pista, e acabou ficando na frente apenas dos carros da Minardi e da Jordan. "A gente se concentrou mesmo no acerto da corrida. O potencial do carro é maior".

A chance de correr que Antonio ganhou veio em boa hora para ele. O brasileiro ainda não sabe o que vai fazer no ano que vem. Um bom resultado poderia lhe abrir algumas portas nos times que não definiram suas duplas para 2006. Um deles é a BMW, que assume a Sauber na próxima temporada. (FG)

DIÁRIO DE MONZA

Williams: terceiro desfalque – É a terceira vez seguida que a Williams fica sem um piloto titular em Monza. Em 2003, Ralf também havia batido nos testes da semana anterior e se sentiu mal depois dos treinos livres. A equipe escalou Marc Gené, que largou e terminou em quinto. No ano passado, o caçula dos Schumacher ainda se recuperava do acidente de Indianápolis e Pizzonia correu. Ficou em sétimo. Hoje Antonio substitui Heidfeld, que acordou tonto.

Barrichello: melhor brasileiro – O melhor brasileiro no grid foi Rubens Barrichello, em sétimo. Felipe Massa ficou em 15.º. Rubens acha que vai ter problemas de pneus hoje. Felipe queixou-se de ter sido um dos primeiros a fazer volta lançada, pegando a pista suja. Ambos largam atrás de seus companheiros de equipe. Schumacher ficou em sexto e Villeneuve, em 12.º. "Tirando a McLaren, até que estamos competitivos", disse o alemão. "Vamos tentar os pontos".

GP2: Kovalainen segue líder – O finlandês Heikki Kovalainen venceu ontem a 18.ª etapa da temporada da GP2 e segue na liderança, agora com 97 pontos. Nico Rosberg, 11 pontos atrás, foi o segundo. Nelsinho Piquet terminou no pódio, em terceiro. Xandinho Negrão empacou na largada, mas como houve a entrada do safety-car, conseguiu sair do lugar. Logo depois, no entanto, bateu. A segunda prova da rodada dupla de Monza, mais curta, acontece hoje.