Só os efeitos da altitude podem fazer com que Ricardo Gomes mude o time do Brasil para a final da Copa Ouro. Se nenhum titular tiver problema no reencontro com os 2.300 metros de altura da Cidade do México, a equipe será a mesma que começou jogando contra a Colômbia e os Estados Unidos, ainda em Miami. “Não tem motivo para mudar nada depois de uma atuação como a que tivemos quarta-feira. Se eu mexesse na escalação poderia até diminuir o moral do time e cortar o embalo”, justificou o técnico.

A altitude é uma preocupação para a comissão técnica. Ricardo Gomes tem certeza de que a seleção sub-23 não conseguirá repetir o ritmo que exibiu nas duas últimas partidas, disputadas ao nível do mar. “É impossível repetir na Cidade do México a dinâmica de jogo que mostramos em Miami, ainda mais que a final será ao meio-dia. Os meninos vão se doar ao máximo em campo, mas vai ser complicado.” O preparador físico Luiz Otávio disse que a queda de rendimento será inevitável, mas acredita que mesmo assim o desempenho dos jogadores será superior ao mostrado nos jogos contra México e Honduras na primeira fase.

Para minimizar os efeitos da altitude, o ideal, segundo Luiz Otávio, seria viajar para o México apenas amanhã de manhã. Mas aí o problema seria o desgaste provocado pela viagem. “O vôo de Miami para a Cidade do México dura em torno de duas horas e meia, não é muito longo. Mas é preciso contar umas duas horas do momento em que sairmos do hotel até embarcar, mais quase uma hora para conseguir deixar o aeroporto na Cidade do México e mais ou menos uma hora para chegar ao hotel se o trânsito estiver pesado. Nessa brincadeira vão quase seis horas”, calculou o preparador físico.

Como não haverá muito tempo para trabalhar, o principal será fazer o grupo descansar bastante até a hora da final.

Amanhã haverá um treino leve – no CT do América ou no estádio Azteca, ainda não está definido – e depois vai todo mundo descansar para o jogo decisivo de domingo.

Novos craques impressionam americanos

Quando Diego fez o gol de pênalti na morte súbita da semifinal da Copa Ouro, os norte-americanos se desesperaram por terem perdido a classificação num jogo que venciam até os 43 minutos do segundo tempo. Mas depois da partida, estavam conformados e reconheciam a superioridade do time brasileiro. “Aprendemos muito nesta partida. Pensando nas Eliminatórias para a Copa do Mundo, posso dizer que foi muito útil ter enfrentado um time tão bom como este do Brasil”, afirmou o meia Claudio Reyna.

Depois de terem jogado apenas contra adversários inexpressivos na Copa Ouro -El Salvador, Martinica e Cuba, os Estados Unidos sabiam que seria uma encrenca enfrentar o Brasil. “Não importa que é o time olímpico. O Brasil é sempre o Brasil, tem talento em qualquer idade”, disse o artilheiro Donovan. “Muitos jogadores desse time já jogaram na seleção principal. É uma ótima equipe”, concordou Reyna.