Preocupado com as relações entre o Poder Público e as organizações desportivas, o senador paranaense Alvaro Dias prometeu acompanhar de perto a organização da Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Disse confiar na escolha de Curitiba como uma das sub-sedes do mundial de futebol e revelou, ainda, preocupação com o excesso de dinheiro público utilizado nos Jogos Pan-Americanos do ano passado e com o desenvolvimento do esporte olímpico brasileiro.

Paraná-Online: O senhor tem uma preocupação declarada com o esporte. Recentemente pediu informações sobre a utilização dos recursos repassados ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e também pediu acompanhamento da Gestão da Copa do Mundo. Qual a importância para um país sediar competições como o Pan de 2007 e a Copa do Mundo de 2014?

Alvaro Dias: A preocupação nossa se dá em relação à corrupção denunciada constantemente na área do esporte. São bilhões de reais de dinheiro público que acabam sendo aplicados desonestamente ou de forma incompetente, e que devem ser investigados. O melhor exemplo é dos jogos pan-americanos que com uma previsão de 170 milhões de dólares de gastos públicos, chegamos, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU) a R$ 3,3 bilhões e não se chegou à ficha final, porque o governo não forneceu todas as informações.

O COB tem sido denunciado, também, em relação às Olimpíadas, em que os gastos foram exorbitantes e os resultados decepcionaram. Há denúncia de desvio de finalidade de recursos públicos. Recursos da lei de incentivo ao esporte estão sendo usados indevidamente. Estão tendo acesso a esses recursos apenas os grandes, enquanto o inverso é que seria o correto. Esse recurso é para atender as camadas mais pobres e organizações mais modestas.

Tudo isso tem sido colocado e nós não podemos ignorar, por isso temos necessidade de investigar. Principalmente porque se pleiteia para o Brasil dois grandes empreendimentos mundiais: as Olimpíadas e a Copa do Mundo. São projetos caríssimos para o País, que envolvem elevado montante de recursos públicos e o Poder Público não pode ficar de olhos fechados para o que vem ocorrendo e o que pode ocorrer. Tem que haver um monitoramento.

Paraná-Online: Qual é o papel do Poder Público na organização destas competições?

Alvaro: O oferecimento de uma infra-estrutura adequada é papel do Poder Público. Questões como segurança e transporte, obviamente, passam pelo poder público. Os aeroportos estão em condições? O sistema de segurança pública oferece tranqüilidade aos visitantes de todo o mundo que virão? São questões de responsabilidade do governo, que vão exigir recursos significativos.

Por isso que um empreendimento como esse tem de ser administrado conjuntamente pelas entidades esportivas e pelo governo, com o acompanhamento do Legislativo, com transparência absoluta e prestação de contas, inclusive com auditorias do TCU. Eu pretendo, inclusive estimular, no início do ano uma subcomissão de esportes para fazer esse acompanhamento. Também estamos colhendo assinaturas para instaurar uma CPI para investigar a aplicação dos recursos públicos no esporte olímpico.

Paraná-Online: Comentou-se que um dos obstáculos para a vinda da Copa de 2014 para Curitiba era a desavença do presidente da CBF, Ricardo Teixeira com o senhor por conta da CPI do Futebol. Qual sua opinião sobre a vinda da Copa do Mundo para Curitiba?

Alvaro: A minha opinião é de que em vez de atrapalhar, as minhas divergências com o presidente da CBF só ajudam. Porque, agora, até para evitar que especulem ter, sido uma atitude revanchista, ele terá que confirmar a realização da Copa em Curitiba. O que houve foi uma exploração política, já que os critérios para a definição das sedes são da Fifa e não da CBF. E são critérios eminentemente técnicos e a Fifa acompanha de perto essa decisão. Houve um provincianismo, na exploração política de um fato que não ocorreu.

Paraná-Onlie: Como o senhor está vendo as definições sobre as sedes. Estão sendo priorizadas questões técnicas ou políticas?

Alvaro: Até agora não podemos avaliar definitivamente. Vamos aguardar a definição das sedes. O que se sabe é que a CBF faz relações públicas com o futebol brasileiro. Todos os eventos da CBF, inclusive os jogos da seleção brasileira, transformam-se em convescote de políticos, inclusive com membros do executivo e do judiciário também. O que aconteceu no jogo da seleção em Brasília (milhares de convites foram distribuídos no Congresso) foi uma repetição do que já havia acontecido em Belo Horizonte. Há uma exploração política do futebol, mas ainda é cedo para analisar se os critérios para a escolha das sub-sedes são políticos ou técnicos. Espero que sejam técnicos.