Em um documento de quatro páginas e 42 pautas da Comissão Atlética do Estado de Nevada (NSAC, sigla em inglês), o nome de Anderson Silva aparece apenas uma vez e como o 38.º assunto na ordem do dia.

Entre pedidos de boxeadores e lutadores de MMA para obter a licença necessária para competir e pedidos de promotores para realizar eventos, o maior campeão da história do UFC recebeu uma linha.

“Requisição para suspensão temporária ao lutador Anderson da Silva, para possível ação”, diz o comunicado datado para esta terça-feira, às 13 horas, no horário do Pacífico – 19 horas no fuso de Brasília.

No primeiro andar do número 555 da East Washington Avenue, em Las Vegas (EUA), Spider pode ouvir a maior derrota da carreira. Flagrado no exame antidoping duas vezes, antes e depois da luta contra Nick Diaz, em 31 de janeiro, o paulista radicado em Curitiba tem audiência marcada para esclarecer o caso.

As substâncias encontradas em seu exame de urina foram os anabolizantes drostanolona e androsterona e podem render pena de oito meses a um ano de suspensão.

Sua presença na sede da NSAC não é obrigatória – ele pode, por exemplo, mandar um representante ou uma declaração por escrito – e existem alguns cenários possíveis para a sessão.

Como há uma evidência contra o brasileiro, ele tem o direito de pedir a contraprova, o que ainda não foi feito. “Se isso acontecer, vão definir uma data para abrir o frasco B com a presença dele, se quiser participar”, explica o presidente da Comissão Atlética Brasileira (CABMMA), Rafael Favetti. “Mas se houver confissão, a pena sai na hora e o julgamento acontece ali mesmo”, emenda.

Caso se julgue inocente, mas não convença a NSAC, Anderson será suspenso temporariamente até o julgamento, que acontecerá provavelmente março.

Defesa

A posição da defesa do atleta de 39 anos ainda é um mistério. Em contato com a reportagem da Gazeta do Povo, o advogado Claudio Dalledone se recusou a falar. “No momento não vamos comentar nada”, disse.

É provável, no entanto, que seja alegado falso positivo por causa do uso de um anti-inflamatório durante a recuperação da fratura na perna esquerda. Spider ficou 13 meses sem competir até voltar à ativa no mês passado.

Além de Anderson, outros dois atletas do UFC estão convocados para a audiência por motivo de doping: Nick Diaz (maconha) e o cubano Hector Lombard (esteroide).