Rafinha conduz a bola observado
por Lopes, e acompanhado por
Cléber e Adriano, no treino.

O técnico Antônio Lopes deve ser fã de filmes de mistérios. Apesar de treinar por quase duas horas com Cléber como titular, o Delegado ainda esconde a escalação do Coritiba para enfrentar o Palmeiras, amanhã, às 18h, no Couto Pereira. O treinador prefere, mais uma vez, a segurança de um esquema que vem dando certo, deixando a opção de três atacantes para o decorrer da partida.

O trabalho de ontem é o chamado exaustivo. Por noventa minutos (o tempo corrido de uma partida), Lopes exigiu muito dos titulares e dos reservas em jogadas de bola parada. Sabendo das dificuldades ofensivas e defensivas neste tipo de lance, o técnico alviverde preferiu realizar o treino tático em detrimento do coletivo, que não chegou a trinta minutos.

E Cléber foi o titular por todo o tempo, sendo inclusive, o responsável pela execução das faltas e dos escanteios ao lado de Rafinha – este oficialmente confirmado na lateral-direita. Enquanto isso, Alemão e Ricardo, que disputam (em tese) a vaga aberta pela lesão de Reginaldo Vital, ficavam no time reserva.

Mesmo assim, Lopes preferiu não confirmar nada. “Ainda tem o treino de amanhã (hoje), eu preciso avaliar mais algumas situações. Hoje (ontem) eu vi o Cléber, e quem sabe eu dê uma observada no Alemão”, afirmou o Delegado, que ao menos restringiu as opções. “Vai ficar entre o Cléber e o Alemão. O resto é isto aí que vocês acompanharam no treino”, completou.

Só que ainda surgiu mais um problema. Miranda torceu o tornozelo durante o coletivo e deixou o treino amparado pelo médico Walmir Sampaio. “A princípio, é uma lesão leve. Mas precisamos deixar o tempo passar, ver qual será a evolução do edema”, explicou Sampaio. Vágner, que entrou no time titular, está de sobreaviso. “Se o Miranda não puder jogar, vai o Vágner”, avisou Lopes. O zagueiro será avaliado momentos antes do jogo.

Era o que o Delegado precisava para manter a dúvida na equipe. Mas, em campo, viu-se a mesma formatação das últimas partidas, apenas com a saída de Vital para a entrada de Cléber. O pensamento de Antônio Lopes é tentar evitar a marcação forte do Palmeiras com muita velocidade e troca de posições – e com saídas rápidas da defesa para o ataque. E o mistério é tanto que o técnico pediu que nem esses contra-ataques fossem captados pelas câmeras de TV. Mas teve um problema: Cléber, o “pivô” da história, já confidenciou que vai começar jogando. Aí, não tem mistério que resista.

Cléber é a bola da vez

Para quem está no banco de reservas, não há momento mais especial do que ser chamado pelo técnico. É a hora de entrar, mostrar serviço e, quem sabe, ganhar uma vaga de titular. Imagine então ir até à beira do campo e não entrar. Imagine agora isso acontecer três vezes seguidas. É o caso de Cléber, que depois de passar pelo seu pior momento no Coritiba retorna à equipe principal amanhã, contra o Palmeiras.

“Eu nunca vi coisa parecida”, reconhece o armador, que chegou ao Alto da Glória com o status de ser o ?salvador? do meio-campo. A primeira frustação deve ter sido a mais complicada: contra o São Caetano, ele foi até o técnico Antônio Lopes, e só lá soube que não era ele o chamado, e sim Massai. No Atletiba, quatro dias depois, Cléber ia entrar para segurar a vitória, mas o Atlético marcou dois gols e o Delegado preferiu colocar André Nunes. Logo depois, contra o São Paulo, ele estava pronto para entrar quando Tesser se machucou e Thiago Soler acabou entrando.

Uma fase que derruba qualquer um. “Muitos perguntavam porque aquelas coisas estavam acontecendo, tentando entender. Eu mesmo não entendia”, conta o meio-campista, que depois reconhece o mau momento. “Quando eu cheguei, fiz boas partidas e estava bem. Mas depois caí de produção e não entrei mais”, comenta. “Ele é bom jogador, mas fez alguns jogos ruins”, confirma Antônio Lopes.