“O Douglas passou por provações e já pensou em desistir. Mas Deus está tocando a vida dele sempre para frente, mostrando para gente que nunca devemos desistir dos nossos sonhos”. A frase dita por Cláudio de Freitas, amigo de Douglas Coutinho, põe ponto final num capítulo da incrível história do jovem jogador do Atlético. A convocação para a seleção brasileira sub-21 – que disputa três torneios no Catar, entre 1 e 10 de setembro – abre as portas de um novo caminho na busca do jogador pelo sonho de ser campeão com a seleção.

O técnico Alexandre Gallo há tempos tem chamado jovens promessas paranaenses para seleções menores. Essa não seria a primeira chance de Coutinho, caso o Atlético não tivesse vetado sua convocação. “Foi no sub-18, ano passado, durante o Estadual. O clube não liberou. Mas ela chega agora (convocação), momento dele, momento bom. Veio na hora certa, no melhor momento dele”, explicou Taciano Pimenta, empresário de Coutinho.

A chance de servir à seleção realmente veio no momento certo. Em 2016 acontecem os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e Alexandre Gallo será o treinador. Como essa é sua primeira convocação, tende a servir como base de trabalho para o período de preparação. “Acabei de falar com ele e está muito feliz. Havíamos conversado sobre isso (Olimpíadas), mas ele mantém os pés no chão. Vai continuar trabalhando porque a chance de estar na Olimpíada é grande”, acrescentou Pimenta. A convocação veio como um presente para Coutinho, pai do garoto Thierry, que faz aniversário no próximo dia 22.

Vida difícil

A vida ofereceu um plano para Douglas Coutinho. Não foi a única opção, mas parecia ser um inevitável destino que levou muita gente a um dia a dia ainda mais complicado, de pobreza e muitas vezes criminalidade. Abandonado pelos pais (ainda vivos) ele foi criado pela avó (já falecida), que chegou a trabalhar em sete casas de família como passadeira, além de catar latinhas para criar Coutinho e outros dois irmãos.

“Pra ele é um sonho que está se realizando cada dia mais. É um menino que vem de origem pobre e está vencendo na vida com garra e dedicação. Essa é sua índole, é o mais forte dele”, disse o amigo Cláudio de Freitas.

“É bacana. A gente torce para isso. Fiquei sabendo por você que ele foi convocado. Seleção é momento e como Coutinho joga num time grande acredito que mereça. O Gallo observa muitos jogos”, contou Sandro Forner, técnico de Coutinho na Copa São Paulo de 2012. Em 2013 foi o grande destaque do time no Paranaense na equipe sub-23 de Arthur Bernardes. Durante o Brasileirão teve oportunidades, mas lesionou-se e perdeu espaço. Nesta temporada começou timidamente, foi bastante criticado pela torcida e voltou a ganhar espaço com Leandro Ávila. No jogo contra o Corinthians, foi chamado, fez um gol e a partir dali ganhou a titularidade. “Talento ele tem e tem de sobra e está mostrando isso dia após dia. Ele dá tudo de si, sempre pelo objetivo maior. É uma pessoa super humilde, batalhadora, que quer alcançar o seu objetivo de vestir a amarelinha”, lembrou Freitas.

Coutinho já provou de que tem capacidade de superar todas as adversidade que a vida lhe impõe. Por isso, garante o amigo Cláudio, o novo status do atacante – agora jogador de seleção – não vai mudar em nada a pessoa que é. “Não muda, pois a personalidade dele é forte e focada. Não é porque está sendo convocado para a seleção que ele vai se tornar outra pessoa. Isso só vai fazê-lo crescer e correr atrás dos seus sonhos ainda mais”.