Ao fim de uma temporada marcada por diversas críticas à Pirelli, as equipes deixam para trás os problemas verificados com os pneus ao longo do Mundial de Fórmula 1 e demonstram maior abertura para auxiliar a fornecedora italiana. O motivo é simples: a preocupação com os compostos que vão aparecer no grid de 2014.

O desenvolvimento dos pneus é mais um motivo de angústia para as equipes, que estão preocupadas também com as diversas mudanças técnicas previstas no regulamento, como a substituição dos motores aspirados V8 de 2,4 litros pelos motores turbo V6 de 1,6 litro. Diante destas alterações, os pneus terão relevância decisiva e vão exigir rápida adaptação da Pirelli aos novos modelos.

Por esta razão, as equipes passaram a facilitar a aproximação da fornecedora de pneus. “Sempre queremos ajudar a Pirelli a encontrar as melhores soluções, com o objetivo de buscar os pneus mais competitivos, que possam ser usados em todas as condições. E que permitam que nossos pilotos possam mostrar suas habilidades”, disse o chefe de equipe da Ferrari, Stefano Domenicali.

Nesta semana, a Pirelli já atestou a mudança na postura dos times. O diretor esportivo Paul Hembery disse que estava finalmente encontrando abertura com os dirigentes para ter ao menos uma breve noção de como serão os carros de 2014. No mês passado, o dirigente reclamava dos obstáculos que enfrentava para conseguir informações, ainda que restritas, sobre os futuros modelos.

Mais motivado, Hembery sugeriu até um teste no Bahrein, em dezembro. E solicitou que uma das equipes emprestasse um dos seus carros para a realização do evento. Chefe da Mercedes, Ross Brawn aprovou a decisão, mas admitiu a posição constrangedora de se candidatar como fornecedor do modelo.

Sua equipe foi punida no meio do campeonato por ter realizado teste secreto com a própria Pirelli em Barcelona, logo após o GP da Espanha. O caso foi julgado pelo Tribunal Internacional da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), que vetou a participação do time no teste de novatos, em julho, no Circuito de Silverstone, na Inglaterra.

“Estamos em uma posição delicada”, admitiu Ross. “O que vier a acontecer deve ser justo para todas as equipes. Todos queremos ajudar a Pirelli a fornecer o melhor pneu possível para o próximo ano, mas seria desagradável se apenas um time tivesse o benefício de testar os pneus de 2014”, ponderou.

O teste ainda não foi confirmado pela Pirelli e nem pela direção da Fórmula 1. Mas a fornecedora italiana deve insistir na proposta depois de ter frustrado o plano de testar os compostos de 2014 nos dois primeiros treinos livres do GP do Brasil, nesta sexta-feira. Por causa da chuva, as equipes deixaram de lado o pneu de teste e equiparam seus carros somente com os intermediários e os de chuva, confeccionados para a atual temporada.

Somente Sebastian Vettel entrou na pista com o composto do próximo ano. No entanto, percebeu rapidamente o risco de usar um pneu slick na pista molhada do Autódromo de Interlagos e permaneceu pouco tempo na pista, o que acabou não gerando nenhum dado útil à Pirelli. A fornecedora ainda pediu à Fórmula 1 para testar estes compostos no terceiro e último treino livre do GP brasileiro, na manhã deste sábado. Mas a proposta foi descartada. Equipes e pilotos aproveitarão a sessão para acertar os carros, após pouparem seus pneus de chuva nos treinos de sexta.