Walter Alves
Esforço do atacante Josiel foi em vão contra o tricolor paulista, que teve uma ?mãozinha? do homem de preto.

Reza um dos conhecidos jargões do futebol que jogos eqüilibrados são decididos nos detalhes. No de ontem, entre Paraná Clube e São Paulo, o detalhe estava vestido de preto: a arbitragem comandada pelo gaúcho Leonardo Gaciba da Silva, que pendeu ao time paulista nos lances capitais. Resultado: o São Paulo venceu por 1 a 0 e derrubou o Tricolor da Vila da liderança do Brasileirão.

As queixas contra a atuação de Gaciba e seus auxiliares dominaram as entrevistas dos paranistas após o jogo.

O gol do São Paulo saiu num pênalti mal marcado – Marcos Leandro deixou mal a meta após rebater uma bola, mas o atacante Aloísio atirou-se no gramado antes do choque com o goleiro. Se vale como atenuante, à primeira vista a falta pareceu ter existido – só os closes das câmeras de TV denunciaram a encenação do são-paulino.

Pior ocorreu no último lance da partida, aos 47 minutos do segundo tempo, quando a zaga paulista fez a ?linha burra? para deixar os paranistas impedidos após cobrança de falta. O esperto Luís Henrique saiu de trás de defesa e cabeceou para as redes – mas comemorou por poucos segundos, pois o assistente José Javel Silveira já havia se precipitado e apontado um incorreto impedimento.

Deficiência ofensiva

Um 1 a 0 que bem poderia ser invertido, conforme a igualdade nas ações. O Paraná, que entrou em campo com três zagueiros e como líder isolado do Brasileirão, fez atuação defensivamente exemplar. Marcando firme e ocupando bem os espaços, minou a ofensiva paulista no nascedouro e deixou pouco espaço para os ex-atleticanos Aloísio e Dagoberto levarem perigo.

O problema foi a atuação ofensiva, que deixou a desejar. O São Paulo também marcou com vigor e os paranistas mostraram grande dificuldade em tabelar e trocar passes.

Na única jogada bem tramadas, Vinícius Pacheco perdeu gol incrível, cara a cara com Rogério Ceni.

Assim, os lançamentos longos para os atacantes viraram regra e deixaram a partida feia, principalmente no segundo tempo, quando o São Paulo exerceu ligeira superioridade por sempre recuperar a bola e tocá-la com maior categoria.

Uma amostra foi o comportamento da torcida da casa, que percebeu que o time não engrenava e murchou depois que o São Paulo abriu o placar. Curiosamente, o gol até saiu, mas o apito impediu que os paranistas passassem mais uma semana como líderes do Brasil.

Revolta com arbitragem

 Jogadores, comissão técnica e diretoria do Paraná Clube foram unânimes em atribuir à arbitragem a derrota para o São Paulo. O time lembrou que as falhas no lance do pênalti e do gol de Luís Henrique poderiam ter mantido o Tricolor da Vila na ponta do Brasileirão. ?O único gol válido foi o nosso. O São Paulo não faria o gol nunca, só com o juiz ajudando?, reclamou o zagueiro Daniel Marques.

O diretor José Domingos falou em enviar um vídeo com os lances polêmicos à Comissão de Arbitragem da CBF. O Tricolor fez o mesmo no ano passado, quando se viu prejudicado pelos árbitros. ?Não é a primeira vez que o Gaciba nos causa transtornos. Alguma coisa tem que ser feita?, esbravejou o dirigente, que viu omissão do árbitro na distribuição de cartões – item em que Gaciba foi correto.

Reclamações à parte, José Domingos salientou as falhas paranistas nas conclusões -tema também citado por Pintado. ?Já havia conversado (com os jogadores). Contra uma grande equipe não se pode desperdiçar. Ainda mais quando o extracampo é decisivo?, cobrou o técnico.

No próximo sábado, o Tricolor – que caiu para o segundo lugar do Brasileiro, um ponto atrás do Botafogo – enfrenta o Náutico, no Recife.

Comoção

Revelado pelo Paraná, o volante são-paulino Fredson sofreu grave contusão numa disputa com Vandinho.

O jogador foi removido de ambulância direto para um hospital, com suspeita de ruptura nos ligamentos cruzado e anterior do joelho direito.

Gramado é criticado

Paranistas e são-paulinos elegeram o mesmo culpado pela baixa qualidade do jogo de ontem: o gramado da Vila Capanema.

O goleiro Rogério Ceni disse que o próprio Paraná foi prejudicado pelo gramado irregular, que fazia a bola quicar bastante. ?Ele têm um times bastante técnico. O jogo só poderia ser decidido na bola parada, e foi o que ocorreu?, disse o jogador, que completou 300 jogos em campeonatos brasileiros. ?Com um gramado assim, a marcação prevalece e a partida fica truncada?, concordou o técnico Muricy Ramalho.

O volante paranista Beto atribuiu ao piso o excesso de lançamentos longos da defesa para o ataque.

?Temos jogadores técnicos, mas a marcação forte do São Paulo e o gramado tornaram difícil trocar passes?, falou.

O Tricolor paranaense justifica alegando que as baixas temperaturas das últimas semanas prejudicaram a grama. Para preservá-la, o time vem treinando em outros campos da cidade.

Campeonato Brasileiro    
4ª Rodada
Gol: Rogério Ceni, aos 30 do 2º tempo
Local: Durival Britto (Curitiba).
Árbitro: Leonardo Gaciba da Silva (Fifa-RS).
Assistentes: Altemir Hausmann (Fifa-RS) e José Javel Silveira (RS)
Cartões amarelos: Marcos Leandro, Parral e Adriano (P), Fredson e Souza (SP)
Público: 10.183 pagantes (total: 10.795)
Renda: R$ 191.290

PARANÁ CLUBE 0 x 1 SÃO PAULO

PARANÁ
Marcos Leandro; Daniel Marques, Neguete (Lima, aos 37 do 2º) e Luís Henrique; Parral, Beto, Adriano, Joelson (Vandinho, aos 18 do 2º)e Márcio Careca; Vinícius Pacheco (Everton, aos 26 do 2º) e Josiel. Técnico: Pintado.

SÃO PAULO
Rogério Ceni; Miranda, André Dias e Edcarlos; Ilsinho, Fredson (Hernanes, aos 22 do 2º), Souza, Leandro (Hugo, aos 31 do 2º) e Jorge Wagner; Dagoberto e Aloísio (Richarlyson, aos 43 do 2º). Técnico: Muricy Ramalho.