Colaborou: Irapitan Costa

A controversa arbitragem da final do 1.º turno – Londrina 0 x 1 Coritiba -, realizada domingo, trouxe à tona uma denúncia, até então, mantida sob sigilo. No dia 15 de fevereiro, dois dias após o empate por 2 x 2 entre J. Malucelli e Paraná Clube, válido pela 8.ª rodada do Estadual, a diretoria do Tricolor esteve na sede Federação Paranaense de Futebol para formalizar seu protesto ao que considerou “um comportamento estranho” do árbitro Adriano Milczvski. Na reunião, foi denunciado ainda ao presidente da FPF, Helio Cury, e à Afonso Vitor de Oliveira, chefe da comissão de arbitragem, que no transcorrer da partida Marcos Tadeu Mafra, ex-árbitro envolvido no “caso bruxo” – escândalo que em 2005 expôs um esquema de corrupção da arbitragem paranaense -, estaria circulando pelas dependências do Ecoestádio, e tendo, inclusive, livre acesso ao vestiário do trio que apitaria o jogo. A FPF recebeu com surpresa a informação e promete levar a acusação à procuradoria do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-PR), que pode abrir um inquérito sobre o caso.

Do encontro com os homens que comandam a FPF, que aconteceu a portas fechadas, a cúpula paranista saiu com a garantia de que a entidade iria colocar na geladeira o árbitro Adriano Milczvski, que no jogo contra o Jotinha roubou a cena e acabou tornando-se o personagem central, com supostamente três pênaltis não assinalados a favor do Tricolor e uma atuação no mínimo polêmica, contestada por ambas as diretorias. Ainda foi assegurado que o fato envolvendo a aparição do “bruxo” seria apurado. Como nem uma nem outra medida foi tomada pela FPF, Celso Bittencourt, superintendente geral do clube tornou publica a denúncia, ontem. “Nos momentos decisivos do campeonato, coincidentemente ou não, a arbitragem tem cometido erros capitais. Naquele jogo, o comportamento do Adriano Milczvski foi estranho e a postura do árbitro, somado à presença nos bastidores do Marcos Tadeu Mafra, um cara condenado no caso bruxo, preocupa a diretoria do Paraná Clube”, afirmou.

Entenda o caso

Em 2005, foi revelado um esquema de corrupção na arbitragem. Na época, o presidente do Operário, Sílvio Gubert, admitiu ter pago R$ 2 mil a um árbitro, para evitar que seu clube fosse prejudicado. Treze pessoas foram denunciadas, entre elas árbitros, dirigentes de clubes e dirigentes da FPF, por manipulação de resultados em troca de dinheiro. O então árbitro Evandro Rogério Roman denunciou seis nomes da arbitragem. Dos 13, oito foram absolvidos e cinco condenados. Além disso, toda a comissão de arbitragem foi reformulada. Na época, alguns jogos da Segunda Divisão estadual – torneio mais afetado pela corrupção na arbitragem paranaense – foram apitados por árbitros da Federação Catarinense de Futebol.