Valquir Aureliano
Ladrões encapuzados levaram até o apito do árbitro.

Único árbitro paranaense indicado para atuar no Pan-Americano, no Rio de Janeiro, Heber Roberto Lopes recebeu a sua indicação ?com muito orgulho e satisfação?. E o apitador sonha em ir mais longe, como participar de um grande evento num futuro próximo, numa Copa do Mundo, por exemplo. Em sua carreira internacional, Heber já apitou jogos dos Campeonatos Sul-Americanos Sub-17, na Bolívia (2003), Sub-20, na Colômbia (2005), e Mundial Sub-17, na Finlândia, além de partidas em Libertadores e Sul-Americana.

Heber e Evandro Roman estão na relação dos árbitros que mais atuaram no Brasileirão deste ano.

Os dois juntos apitaram por dez vezes, sendo que Roman comandou seis jogos – o árbitro mais requisitado no campeonato até o momento. Hoje, faz o sétimo jogo, entre São Paulo e Flamengo. Para Heber, essa exposição da arbitragem paranaense no Brasileirão se deve à boa conduta de Afonso Vitor de Oliveira à frente da comissão de arbitragem do Estado.

Sobre as recentes reclamações do Atlético mediante a escalação do londrinense para apitar jogos do clube, o árbitro encara a situação com naturalidade. ?Com toda a minha vivência, isso não me atinge mais. Reclamações fazem parte do futebol. Desde que as reclamações fiquem na esfera esportiva, no árbitro Heber, e não atinjam a pessoa Heber, o clube tem todo o direito de reclamar?, afirmou.

Assalto

Quando retornava para Londrina, após comandar o clássico Paraná e Atlético, no último sábado, Heber foi vítima de uma triste experiência. Num trevo próximo a Tamarana, norte do Estado, na PR-445, bandidos colocaram pregos na pista, o que ocasionou furos nos pneus do Astra em que o árbitro, seu assistente e um motorista estavam. Obrigados a parar no acostamento, eles foram assaltados. Três indivíduos armados renderam o grupo, levando-o até uma estrada secundária onde fizeram a limpa. Levaram R$ 6 mil em dinheiro (incluídas as taxas de arbitragem), jóias, celulares e até mesmo o uniforme do árbitro e do assistente. ?Ficamos apenas com a roupa do corpo?, contou. As vítimas foram amarradas e abandonadas em um canavial. ?Permanecemos presos das  3 às 7h, quando conseguimos nos desvencilhar e pedir ajuda?, afirmou Heber. Durante todo o assalto, o trio foi obrigado a ficar com a cabeça baixa e sob a mira de revólveres, o que impediu qualquer reconhecimento dos marginais.