O embargo das obras na Arena da Baixada para a Copa do Mundo do ano que vem deixaram todos no Atlético preocupados. Com um cronograma extremamente apertado, a paralisação da reforma desde quarta-feira, por determinação da juíza do trabalho Lorena de Mello Rezende Colnago, caiu como uma bomba no clube.

Tanto que o presidente do Furacão e da CAP S/A – sociedade de propósito específico criada para gerir as obras -, Mário Celso Petraglia, entrou ontem com um mandado de segurança no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) para que os funcionários pudessem voltar a trabalhar normalmente e evitar um atraso ainda maior. Porém, o pedido foi negado pela juíza Eneida Cornel e o Atlético terá que aguardar uma nova vistoria do Grupo Móvel de Auditoria de Condições de Trabalho em Obras de Infraestrutura (GMAI), que está marcado para hoje, às 9h.

O embargo na reforma do estádio se deu por conta de um relatório entregue pelo próprio GMAI, que vistoriou a Arena entre os dias 16 e 27 de setembro, onde detectou 208 autos de infração, sendo a maioria de segurança do trabalho. Com isto, além de uma ação civíl pública de julho, foi decretado o embargo das obras por parte do Ministério Público do Trabalho.

No entanto, de acordo com Petraglia, as exigências todas foram cumpridas e os erros consertados, porém ninguém da fiscalização voltou à Arena para fazer uma nova vistoria. “Depois de apontarem os erros, nós corrigimos, mas a equipe de Brasília foi embora e falou que não iria voltar. Não houve uma fiscalização local e a juíza determinou a interdição”, disse o dirigente.

Além disso, o presidente rubro-negro afirmou que houve intransigência e rigorosidade por parte do GMAI, que, segundo ele, criou um clima terrível na obra. “Tivemos uma visita surpresa do GMAI. Eles estiveram aqui por vários dias e criaram um clima terrível”, reclamou. “Assumimos nossa culpa, tínhamos coisas para corrigir e nos adequamos. Não tivemos nenhum acidente na obra, exceto algumas marteladas e um choque. Nas outras arenas ocorreram acidentes terríveis e até óbitos, mas nenhuma foi interditada”, questionou.

Ontem pela manhã, membros do Atlético e da CAP S/A tiveram audiência com a juíza Lorena de Mello Rezende Colnago, que, diante das explicações dos dirigentes, decretou que o GMAI faça uma nova vistoria hoje na Arena. Se o grupo comprovar que tudo está dentro do exigido, as obras voltam à normalidade. Porém, a incerteza é total entre os dirigentes da CAP S/A. Não é para menos. A manutenção do embargo pode levar a um périplo por Brasília para conseguir que a Arena da Baixada retome as obras.