O lateral-esquerdo Sorín anunciou nesta terça-feira a sua aposentadoria do futebol. Aos 33 anos, o jogador argentino confirmou a decisão, motivada pelo excesso de lesões e a falta de chances no Cruzeiro. “Eu vou parar com o futebol. São 15 anos de carreira, uma carreira muito bonita, muito gostosa, que eu curti muito e tentei sempre dar o melhor de mim, me entregar”.

Sorín aproveitou para fazer uma avaliação positiva de sua carreira. “Vivi momentos incríveis com essa camisa [do Cruzeiro], assim como a camisa da seleção Argentina, do River Plate, do Argentinos Juniors, do Villarreal, do Paris Saint-Germain. A carreira foi muito rápida, mas acho que chegou o momento de parar bem”, disse o argentino, que também passou pelo Hamburgo, da Alemanha.

Em sua carreira, Sorín conquistou 12 títulos. A Liga dos Campeões (1995), pela Juventus, uma Libertadores (1996), três Apertura (1996, 1997 e 1999), uma Supercopa (1997), um Clausura (1997), todos pelo River Plate, uma Copa do Brasil (2000), duas Copa Sul-Minas (2001 e 2002) e um Campeonato Mineiro, pelo Cruzeiro, e uma Copa da França (2003/2004), pelo Paris Saint-Germain. Na seleção argentina, participou de 76 jogos e marcou 12 gols.

Sorín admitiu que sua terceira passagem pelo Cruzeiro não foi como esperava, por conta das várias lesões sofridas nos últimos meses. “Trabalhei muito, caí, levantei, tive muitas lesões e superei a mais importante, que foi a do joelho. As últimas foram musculares, nenhuma importante. Mas também não tive a sequência que queria. Joguei seis jogos em sete meses. É muito pouco, não estou orgulhoso desses números. Abri mão de tudo para vir para o Cruzeiro e encerrar minha carreira aqui”, lamentou.

Sorín revelou que começou a pensar em abandonar quando se contundiu poucos dias antes do duelo entre Cruzeiro e Universidad de Chile, pelas oitavas de final da Copa Libertadores. “Eu venho pensando em parar há um tempo, desde a lesão que tive antes do jogo contra a Universidad de Chile. Voltei para ganhar a Libertadores, mas jogando. Fiquei muito chateado e me prometi lutar. Lutei até o fim. Voltei e machuquei contra o Palmeiras. Falei que ia estar bem para a final da Libertadores, a gente ia chegar. Cheguei bem, não me arrependi de nada”, disse.

Sorín não escondeu que ficou decepcionado por não ter participado do clássico entre Cruzeiro e Atlético-MG, no dia 12 de julho, quando Adílson Batista escalou um time recheado de reservas e deixou o argentino no banco de reservas. “Queria jogar contra o Atlético-MG, um clássico incrível. Passei por muitos clássicos no mundo, França, Argentina, Itália. Mas um Cruzeiro x Atlético-MG tem sabor especial”, disse.

O lateral-esquerdo argentino acredita que será lembrado como um jogador de garra e entrega. “Sou um homem feliz. Foram muitos anos no futebol e vou deixar essa carreira sabendo que sempre que vesti a camisa deixei alma, deixei sangue”, comentou.