O impasse sobre a 2.ª fase do Paranaense 2009 está dividindo os clubes do interior. Sem um acordo sobre o artigo 9.º do regulamento, o futuro do Estadual está nas mãos da Justiça Desportiva. Mas seja qual for a decisão dos juízes, a expectativa é de mais confusão pela frente.

O regulamento publicado pela Federação Paranaense de Futebol (FPF) diz que os clubes se enfrentam na 2.ª fase com mando de campo da equipe melhor classificada. O que daria ao primeiro colocado na fase inicial o direito de disputar em casa os sete jogos da etapa decisiva.

Segundo a FPF, o texto não reflete o que foi combinado pelos clubes em arbitral.

A entidade diz que os quatro melhores colocados têm direito a quatro mandos de campo, enquanto os demais classificados jogariam três jogos em casa.

Com base neste entendimento, a FPF divulgou uma tabela de jogos que gerou ainda mais controvérsia.

O jogo entre os dois melhores da 1.ª fase foi marcado para a casa do segundo colocado, o que levou o Atlético a ingressar no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Na ação, o Furacão pede que o artigo 9.º seja cumprido à risca.

Tapetão

Sem acerto entre os clubes, a decisão ficará mesmo por conta do STJD. O caso deve ir a julgamento na próxima 5.ª-feira, mas pode entrar na pauta do tribunal apenas em 26 de março, um dia após o fim da primeira fase.

A decisão é aguardada com preocupação. Se a queixa do Atlético for acatada, o oitavo colocado terá que jogar todas as partidas da 2.ª fase fora de casa. Possibilidade considerada inviável pelos clubes do interior, principalmente porque a renda dos jogos pertence à equipe mandante.

“Até o Atlético concorda com isso, tanto que propôs uma alternativa. No arbitral, foi combinado o critério de quatro mandos para os quatro primeiros. Mas a redação do regulamento foi uma trapalhada do tamanho de um bonde”, diz o diretor de futebol do Iguaçu, Luilson Schwartz.

Rebelião

Os clubes divergem sobre qual atitude tomar caso o Atlético vença a batalha no STJD. “O que o tribunal mandar, nós acataremos. Mas quem pagará as despesas não sei. Foi um erro grosseiro da FPF e alguém terá que pagar por isso”, diz o presidente do Engenheiro Beltrão, Luiz Linhares.

Os dirigentes de Iguaçu, Cascavel e Nacional, ouvidos pelo Paraná-Online, também acatarão qualquer decisão. Mas Londrina e Foz do Iguaçu têm visão diferente.

“Temos que usar o bom senso. O que importa é o que combinamos. Acho muito difícil que o STJD acate a ação do Atlético. Seria algo inédito”, diz Peter Silva, presidente do Tubarão.

Peter não descarta um recurso à justiça comum. “Tem que haver um entendimento com os clubes e a FPF, para uma decisão conjunta. Vamos buscar todos os recursos jurídicos”, afirma. “Não dá para jogar assim. Os clubes terão que se unir e fazer alguma coisa”, concorda Loiri Dalla Corte, presidente do Foz.