Washington cercado pela imprensa. Agora
é rotina na vida do atacante atleticano.

O clima na reapresentação do elenco atleticano ontem não poderia ser outro. Apesar de evitar o clima de “já ganhou”, não há como negar que a reconquista da liderança do Brasileirão deu mais leveza ao grupo. E não é à toa.

Além de voltar ao topo e passar a depender apenas dos próprios esforços para erguer a taça, os rubro-negros abriram dois pontos de vantagem em relação ao vice-líder Santos, podem ver o adversário direto perder mais mandos de jogo no julgamento do STJD na semana que vem e ainda enfrentarão o Grêmio em campo neutro.

De quebra, além do espaço natural na mídia pela conquista da liderança e a descontração proporcionada pela segurança da posição, a artilharia de Washington, apelidado de Coração Valente, colocam o atacante e o nome do clube na pauta de programas esportivos em todo o País.

O fato de ter assinalado 28 gols até agora e de estar a quatro de bater o recorde de Dimba, que marcou 31 no Brasileirão do ano passado, já seriam bons motivos para a mídia assediar Washington. No entanto, o que elevou o craque ao status de “superstar” foi um revés sofrido há dois anos. Recuperado de um problema cardíaco, ele virou o centro das atenções após a morte do zagueiro Serginho, em pleno gramado, após uma parada cardiorrespiratória. “Eu assisti a tudo, mas queria esperar para comentar o caso. Não pensei em momento nenhum em parar, porque meu problema foi resolvido a tempo e sou assistido de muito perto”, afirma.

Com grande destaque na mídia nacional – segunda ele foi um dos convidados no sofá de Jô Soares e sexta é exemplo de superação no Globo Repórter, Washington não desfoca do empenho na busca do título, mas confessa nunca ter dado tanta entrevista. “Fora as do dia-a-dia, perdi a conta já. É difícil eu voltar direto dos jogos fora para casa. Mas isso não me incomoda. Gosto de representar o clube e confesso que senti um pouco de falta disso tudo”, diz, lembrando dos quase dois anos que ficou parado, se recuperando para o retorno aos gramados.

Apesar do status de “celebridade” , Washington não se envaidece e sempre que pode enaltece o trabalho de toda a equipe. “Devo tudo isso a todos. O time está na liderança porque trabalhamos juntos.”

Fabiano também é jogador de Ratinho

O grande objetivo do futebol é o gol. Talvez por isso, a turma da frente, meias e atacantes, ganham sempre mais luzes dos holofotes do que o pessoal da retaguarda. Na verdade, a turma da defesa não deixa de ser um desmancha-prazer. Afinal, a função é impedir o avanço do ataque adversário.

Entretanto, vez ou outra aparece um jogador de defesa que, mesmo sendo discreto, chama a atenção pela raça e poder de liderança. É o caso do zagueiro Fabiano, capitão do Rubro-Negro, xerifão da zaga e o mais novo atleta da Massa Esportes, do apresentador Carlos “Ratinho” Massa. Ele negociou seus direitos econômicos, mas continua com seus direitos federativos.

A escolha do beque para a pasta de atletas do empresário, que já tem a procuração do atacante Dagoberto, não foi à toa. Não há como negar que depois que Fabiano entrou na defesa titular, o time cresceu. Mais que isso, ganhou ainda mais raça. No último jogo, contra o Flu, ele era o único zagueiro no final do jogo. “É exagero dizer que tive que segurar as pontas sozinho. O Alan, que já fez papel de líbero, ajudou e o fato deles terem um homem a menos, facilitou.”

Talvez por isso, Fabiano fique sem graça quando indagado sobre o apelido que recebeu por causa do seu visual. Com os cabelos crescidos, o companheiro de equipe Washington tascou-lhe um “Inri Cristo”, numa referência ao personagem que se intitula a reencarnação de Jesus Cristo. “Ah, não tenho nada de salvador. Faço só a minha parte. Isso de Inri Cristo é coisa do Washington.”

Com moral com a torcida, Fabiano prefere deixar para mais tarde o assunto transferência. “Quero primeiro pensar no Brasileiro, já que nunca ganhei um. Depois, gostaria de disputar uma Libertadores, que nunca disputei. Por isso, pensarei muito antes de sair.”

Na passagem anterior pelo Rubro-Negro, em 1999, ele ajudou a equipe a se classificar para a Libertadores na disputa do Torneio Seletivo e perdeu de saborear a conquista, já que partiu para o o futebol japonês. “Não me arrependo de ter passado quatro anos lá, mas não nego que ficou aquela vontade de disputar uma Libertadores. Mas, antes de pensar nisso, temos que nos concentrar na busca do título.”