O que o torcedor atleticano mais temia aconteceu. O técnico Tiago Nunes não permanecerá no Athletico para a próxima temporada e vai comandar o Corinthians a partir de 2020. Diversos fatores pesaram para a escolha. Entre eles a proposta tentadora do Timão, que investiu pesado para tirar o maior treinador da história do Furacão. Foram pouco mais de dois anos dentro do clube, entre ser auxiliar, comandante do time de aspirantes e do grupo principal e diversas conquistas. Por isso, sem dúvidas vai deixar saudades.

As conversas para a renovação do contrato de Tiago começaram ainda no mês passado. Foram conduzidas pelo executivo de futebol Paulo André, e pelo vice-presidente do clube, Mário Lara, já que o presidente do Conselho Deliberativo, Mário Celso Petraglia, ficou internado em São Paulo por quase 50 dias. Algumas divergências apareceram no meio do caminho quanto ao valor do salário, multa rescisória e tempo de contrato. Por isso, o mandatário atleticano pediu para tomar a frente das negociações.

No último domingo (3), Petraglia saiu do hospital e o técnico, depois da vitória por 1×0 sobre o CSA, avisou que estipulou um prazo para definir seu futuro. A demissão de Fábio Carille do Corinthians, no final de semana, fez a diretoria do Athletico se apressar. Na segunda-feira (4) à noite houve a primeira reunião. A proposta continha um aumento salarial que chegou a R$ 350 mil, valor de multa rescisória estipulado, luvas e dois anos de contrato.

Tiago Nunes afirmou que ficaria se o Furacão pelo menos igualasse a proposta do clube paulista. Ali mesmo na reunião, que aconteceu na casa de Petraglia, o cartola afirmou que não faria loucuras. Tentou convencer o treinador, falou do projeto e da estrutura do clube, mas em vão. Foi então que Nunes pediu para ficar até o fim seu contrato. O dirigente não aceitou e, por isso, terminou ali mesmo a era do comandante no Rubro-Negro.

Petraglia não gostou da decisão de Tiago Nunes de sair e nem deixou ele terminar o contrato, que iria até o final do ano. Foto: Albari Rosa
Petraglia não gostou da decisão de Tiago Nunes de sair e nem deixou ele terminar o contrato, que iria até o final do ano. Foto: Albari Rosa

Assim, a terça (5) foi marcada por despedidas. Tiago Nunes quis se despedir de todos os jogadores, comissão técnica e funcionários que estiveram com ele nesses quase três anos de clube. Com o treinador, vão outros quatro integrantes da comissão técnica. Os auxiliares-técnicos Kelly e Evandro Fornari, o preparador físico Túlio Flores e o analista de desempenho Pedro Sotero. Por eles, o Timão vai desembolsar cerca de R$ 700 mil, só que com contrato de um ano.

Retrospecto positivo

Por isso, a partir de agora ficam as lembranças por parte dos torcedores dos grandes momentos que o comandante rubro-negro passou, especialmente nos dois últimos anos. Conquistas que fizeram a torcida cravar seu nome como o maior técnico da história do clube. Trajetória que começou ainda no Campeonato Paranaense de 2018. No total, foram 104 jogos, com 54 vitórias, 24 empates e 26 derrotas, um total de 59,6% de aproveitamento.

No comando do time de aspirantes, Tiago caiu nas graças do torcedor e conquistou pela primeira vez o Estadual utilizando a equipe alternativa do Furacão. Seguiu trabalhando na comissão técnica e não demorou muito para substituir Fernando Diniz no comando do grupo principal. Ainda como interino, tirou o clube da lanterna, levou para as primeiras posições do Brasileirão e conquistou o título da Copa Sul-Americana, o primeiro internacional da história.

+ Confira a classificação completa do Brasileirão!

Foi efetivado no começo de 2019, fez uma boa campanha na Libertadores, vencendo grandes times do futebol sul-americano, como Boca Juniors e River Plate, este na final da Recopa, quando acabou com o vice, mas voltou a marcar seu nome recentemente. Foi campeão da Levain Cup e na sequência da Copa do Brasil desbancando grandes concorrentes e se firmou de vez como um dos grandes treinadores do futebol brasileiro.

O assédio, então, passou a ser grande de outros clubes. No Athletico, Tiago Nunes também exercia a função de uma espécie de coordenador do departamento de futebol. Teve algumas divergências com Paulo André. Nunca escondeu que estava extenuado, inclusive desabafando às vésperas da decisão da Copa do Brasil. Então, chegou o momento do adeus. Talvez um até breve de um treinador que marcou seu nome na história do Rubro-Negro e que vai deixar muitas saudades.