Direto do Chile – Há cerca de cinco meses Santiago vem sofrendo com protestos. Desde outubro do ano passado as ruas da capital do Chile são palco de manifestos, pelos mais diversos motivos. Começou por conta do aumento do preço da passagens de metrô, passando pela desigualdade social, até que, no último domingo (8) milhares de mulheres saíram de suas casas para pedir direitos iguais.

É comum, principalmente no centro da cidade, encontrar paredes e muros pichados. Praticamente todos os dias surgem movimentos nas ruas principais. Localmente, março é visto como um período de cobranças ainda maiores.

Nem mesmo o futebol escapa. O esporte é visto como um aliado para as reivindicações, uma vez que tem um forte apelo popular, além de atrair a mídia. Basicamente todas as torcidas organizadas dos principais clubes, casos de Colo-Colo, adversário do Athletico nesta quarta-feira (11), Universidad Católica e Universidad de Chile, têm faixas em seus estádios criticando o governo.

Mulheres protestaram no último domingo pedindo direitos iguais. Foto: Albari Rosa/Foto Digital/Tribuna do Paraná

A tendência é que no duelo no estádio Monumental aconteçam manifestações ao longo do confronto com o Furacão. Como vem sendo costume. O sinal de alerta existe. Desde que os protestos começaram, o reflexo foi visto nas partidas.

No ano passado, a final da Libertadores, entre Flamengo e River Plate, seria em Santiago. Porém, de última hora precisou ser realocada para Lima, no Peru. O Campeonato Chileno também sofreu consequências, sendo encerrado ainda faltando seis rodadas para o seu término, por falta de segurança.

Em 2020, um torcedor do Colo-Colo, Jorge Luís Mora, de 22 anos, morreu após ser atropelado por um caminhão da polícia na vitória do Cacique por 3×0 sobre o Palestino por 3×0. Já no mês passado, o atacante Nícolas Blandi, também do Colo-Colo foi atingido por fogos de artífício, durante o clássico com a Católica e a partida foi encerrada faltando pouco mais de 20 minutos.

Público vai voltando aos jogos

Pela Libertadores, torcedores da Universidad de Chile colocaram fogo nas arquibancadas em meio ao duelo com o Internacional, pela segunda fase do torneio. Porém, nada disso afasta os torcedores.

Segundo o jornalista Mario Sabag, da rádio Bio Bio, aos poucos os hinchas foram voltando para as partidas, graças às medidas impostas, como a proibição de torcedores visitantes no Campeonato Chileno, além de partidas acontecendo mais cedo, com a luz do dia. Tanto que contra o Rubro-Negro a expectativa é de casa cheia.

“Normalmente os jogos do Colo-Colo se tem oito mil, dez mil pessoas. Mas contra o Athletico serão quase 40 mil. Eu não acredito que o medo seja vir ao estádio, mas sim o confronto com a polícia, que tem feito uma repressão muito forte e ficam com medo do que pode acontecer”, disse o repórter.

“Dentro do estádio são cânticos contra o presidente, contra a classe política, não futebolístico. O protesto é exclusivamente com o fenômeno social. Em todas as partidas se tem esses cânticos, de clubes de todo o país. É algo com tema social”, completou.

Nem mesmo os carros da polícia estão escapando dos protestos. Foto: Albari Rosa/Foto Digital/Tribuna do Paraná

Na terça-feira (10) à noite, no duelo entre Universidad Católica e América de Cali, da Colômbia, o público no estádio também foi positivo. Até mesmo torcedores do adversário compareceram em peso. Inclusive, Yadir Utria, colombiano que mora na Venezuela e que foi ao Chile apenas por causa do jogo, sem se preocupar com os protestos.

“Não é um problema, pois venho de Caracas e lá está acontecendo o mesmo, com protestos contra o governo. É normal nesse momento. O problema é entrar com fogo nos jogos, mas por enquanto tudo está normal, disse ele.

Foco no jogo

Apesar dos problemas que interferem até mesmo nos jogos, o zagueiro Robson Bambu quer o Athletico pensando apenas no duelo com o Colo-Colo, deixando de lado o que pode acontecer na arquibancada.

“A gente sabe que acontecem este tipo de adversidades nos estádios, mas todos nós somos maduros o suficiente para suportar qualquer tipo de dificuldade em uma partida. Esperamos estar totalmente focados para fazer um bom jogo”, disse o defensor.

“A gente se preocupa muito com isso (com a questão social), mas vai ter total segurança no estádio e vamos chegar lá e jogar futebol. Esperamos que isso não aconteça, mas se acontecer, a polícia estará preparada”, acrescentou.

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