Buenos Aires – “Tudo vale a pena pelo Athletico”. Foi com essa frase que o advogado Ricardo Lobo, 41 anos, definiu os esforços para estar perto do Furacão mesmo após diversos transtornos que teve para chegar até Buenos Aires. O atleticano de Wenceslau Brás percorreu um longo caminho para ver de perto a final da Recopa Sul-Americana contra o River Plate, nesta quinta-feira (30), às 21h30, e garantiu que trouxe com ele um amuleto que vai dar muita sorte ao Rubro-Negro: seu ‘filho’ mexicano, que virou atleticano com direito a cadeira na Arena da Baixada.

A saga de Lobo para chegar à capital da Argentina durou toda a terça-feira (28). Decidido a fazer da Recopa um momento mágico para seu filho de sangue Miguel,de 15 anos, e para o inter cambista do México Luís Fernando Rivas Domingues, 19 anos, que vive com sua família desde agosto do ano passado, ele tratou de comprar um pacote de viagem rumo à capital argentina.

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“Quando fomos campeões da Sul-Americana prometi ao Luís que se o jogo da Recopa acontecesse em uma época em que ele ainda estivesse no Brasil, o levaria”, contou o pai postiço, que tem um filho de sangue que está trocando de lado com Luís e vivendo no México.

A viagem prometia ser normal, já que seria um voo direto para a capital da Argentina, que sairia às 6h45 e deveria chegar ao destino em menos de três horas. O advogado se programou com antecedência, saiu da cidade onde mora um dia antes e já estava no Aeroporto Internacional de São José dos Pinhais às 4h10 com seus companheiros de aventura. Assim que o check-in abriu, Lobo entregou os passaportes, porém foi impedido de viajar com seu filho mais novo.

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O passaporte do garoto exigia que fosse emitida uma autorização para viagens sem um dois pais. No caso, como a mãe não estava presente, Miguel não poderia embarcar. Determinado a seguir para seu destino o atleticano tratou de dar ‘seus pulos’ para garantir a viagem. Deixou os meninos em Curitiba e percorreu quase 600 quilômetros entre ida e volta para ir buscar a autorização emitida em um cartório.

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Somente no meio do caminho teve a confirmação da agência de viagens de que haveria um voo em que ele poderia seguir. “Eu penso que não poderia decepcionar os dois. Tinha que conseguir cumprir minha promessa”, falou.

Problema com a documentação do filho mais novo fez com que os três mudassem todos os planos. Foto: Arquivo pessoal
Problema com a documentação do filho mais novo fez com que os três mudassem todos os planos. Foto: Arquivo pessoal

Já de volta com os dois no aeroporto, Lobo descobriu que ao contrário do que esperava, o voo faria uma parada no Paraguai. Depois de algumas horas no atraso, finalmente eles seguiram viagem. “Eu nunca tinha ouvido falar dessa empresa. Era uma aeronave pequena, teve muita turbulência”, lembrou.

Mais um problema

Em solo paraguaio, uma nova surpresa. Os três precisaram trocar de aeronave, mas na hora em que o avião decolaria, o piloto anunciou problemas. Mais uma vez, foi necessário trocar o transporte e, aí sim, a viagem seguiu. A aventura de Ricardo e os dois filhos, que começou por cerca de 4h da manhã só acabou em torno de meia noite. Esgotados por todos os contra-tempos, ainda assim os três estão muito animados.

Luís é um verdadeiro talismã do Furacão. Já foi em nove jogos do time na Arena, justamente na cadeira do filho mais velho de Ricardo, que está no México, e trouxe oito vitórias. Justamente por isso que o advogado fez questão de trazê-lo até a finalíssima.

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“Nós sempre brincamos com o Luís, que ele precisava manter no mínimo 90% de aproveitamento nos jogos do Athletico. Ele dá muita sorte ao time e como vai embora na semana que vem, tenho certeza de que a presença dele fará a diferença para ganharmos”, disse o pai, orgulhoso por ensinar o amor pelo Furacão ao mexicano.

Torcedor do Chivas, Luis vem sendo o pé quente do Furacão e espera dar sorte na Argentina. Foto: Arquivo pessoal
Torcedor do Chivas, Luis vem sendo o pé quente do Furacão e espera dar sorte na Argentina. Foto: Arquivo pessoal

Luís, que no México torce pro Chivas Guadalajara, garante que levará na bagagem de volta ao seu país mais do que apenas uma camisa do Rubro-Negro. “Eu gostei muito da Arena, do time, do jeito que eles jogam, com certeza vou levar essa paixão para o México. Já estou até vendo um jeito de assistir aos jogos lá do México porque vou acompanhar sempre”, arrematou.

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