Buenos Aires – Quando se fala da paixão no futebol, não existem limites. A ligação de um torcedor com o seu clube do coração vai mais do que as quatro linhas. Os esforços para acompanhar o time em um duelo tão importante superam as dificuldades para chegar a outro país e até questões emocionais. Mas e quando uma coisa está diretamente ligada a outra? Quando ir ao jogo é mais que puramente ver seu time jogar?

Independentemente do que acontecer nesta noite de quarta-feira (31), quando o Athletico encara o Boca Juniors, a fisioterapeuta Rafaela Bettes sairá emocionada da Bombonera, com lembranças marcantes. Por um longo tempo a única neta da família, ela tinha uma forte ligação com o avô, Carlos Arthur Xavier Bettes, que foi quem passou a ela a paixão pelo time.

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“Ele nunca foi de ir ao estádio, preferia acompanhar aos jogos pela televisão. Em 2001, na final do Brasileiro, assistimos ao jogo na casa dele e depois fomos juntos fazer buzinaço até a Baixada”, contou ela, que compartilhou com ele o sonho de ver o Rubro-Negro na Bombonera.

“Quando vim pra Buenos Aires e conheci a Bombonera prometi que quando o Athletico jogasse aqui eu viria. Na fase de grupos não foi possível por causa do trabalho, então tive a segunda chance após o sorteio das oitavas. Quando cheguei na casa dos meus avós contando que meu sonho era ir à Bombonera ver o Atlético jogar, meu avô prontamente se ofereceu para dar as passagens e ajudar a realizar esse sonho. Ate me surpreendi, pois achei que ia dizer que eu estava louca, que era perigoso, coisas de avô”, recordou a torcedora.

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Só que quis o destino que esse presente tivesse um impacto maior do que puramente realizar este objetivo. Pouco tempo depois, Carlos Arthur foi hospitalizado e ficou quase 40 dias na UTI, mas acabou não resistindo e faleceu aos 79 anos na sexta-feira (26), nas vésperas da viagem.

“Em um dos que seriam seus últimos dias de consciência, lembrei-o de que a viagem estava chegando. Ele sorriu, chorou, e disse para eu aproveitar. Minha vontade era de que ele me esperasse para ver as fotos, os vídeos, mas os planos de Deus são diferentes dos nossos. Mas agora eu entendo que ele está aqui, junto comigo e cuidando de mim lá de cima”, contou Rafaela, muito emocionada.

Rafaella e o avô em uma visita à Arena, Os dois tinham uma forte ligação e o Athletico era um elo especial. Foto: Arquivo pessoal
Rafaela e o avô em uma visita à Arena, Os dois tinham uma forte ligação e o Athletico era um elo especial. Foto: Arquivo pessoal

Apoio da família

Por muito pouco a viagem não foi cancelada. Abalada com a perda do avô, ela pensou em desistir. Mas o apoio da família pesou na decisão final. “Estive com ele o máximo de tempo que pude. Mas eu só arrumei minhas malas no domingo, depois da minha família me dar força e apoio para vir. De sonho para mim virou homenagem para ele”, finalizou.

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A torcedora chegou em Buenos Aires na última segunda-feira (29) e na terça-feira (30) foi conhecer o estádio ao qual voltará mais tarde. Claro que na cabeça vieram muitas memórias. Em outras entrevistas, chegou a chorar, mas, ao mesmo tempo, se divertiu. Algumas crianças até pediram para tirar foto com ela.

Em uma mistura de dor e alegria, Rafaela espera sair comemorando da Bombonera. Seria o desfecho ideal de uma história que teve um começo feliz e pode terminar com o mais épico final para o Athletico e a família Bettes. “Estou contando as horas. Imagino que seja uma experiência incrível. E estou super confiante na classificação”, disse a torcedora.

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