Time tem que vencer por dois gols.

Fortaleza – E agora? A derrota para o São Caetano pode ter aberto feridas irrecuperáveis na vida atleticana. Com remotas chances de classificação na Copa dos Campeões – o Rubro-negro terá de vencer o Goiás com uma diferença de pelo menos dois gols e torcer por uma vitória do Flamengo diante de do São Caetano para continuar na competição, qualquer atitude que for tomada (mesmo que tenha sido previamente decidida) reflete-se no futuro da equipe neste segundo semestre. Exemplo – o diretor de futebol Alberto Maculan já tinha avisado que voltaria ontem a Curitiba, mas agora já há uma reunião marcada para esta noite, onde novidades podem surgir.

Maculan vai se encontrar com o presidente Mário Celso Petraglia e com o Conselho Gestor (desfalcado de Edílson Thiele, que está em Fortaleza e passa a chefiar a delegação) para resolver diversos problemas pendentes do Atlético. Estavam na pauta a renovação de contrato de vários jogadores – como Gustavo, Cocito e Adriano – e outras decisões relativas ao futebol. Especula-se que o trabalho de Carlos de Oliveira Carli (Riva) como treinador passou a ser o primeiro ponto da reunião.

O treinador sabe que a situação da equipe na Copa dos Campeões passou a ser desesperadora. “Existem vários meios de não continuarmos na competição, e um deles é não fazendo a nossa parte”, disse. Segundo Riva, o Atlético desperdiçou as oportunidades que teve na partida de sábado. “No primeiro tempo escapamos de tomar mais gols, mas depois tivemos o domínio do jogo, fomos ousados e conseguimos chegar, mas perdemos as chances que tivemos, principalmente o pênalti”, analisou.

Apesar de algumas reclamações sobre a arbitragem (segundo Alberto Maculan, Luciano Augusto Almeida exagerou nas expulsões de Alessandro e Adauto), todos no Atlético sabem que a lição não foi feita. “Nós poderíamos estar muito melhores dentro do grupo se conseguíssemos ao menos marcar os gols”, resumiu o volante Cocito. “É duro, mas a partir de agora vamos começar a fazer contas. A pior coisa que existe é ter que usar a matemática para saber se ainda temos chances”, concordou o zagueiro Rogério Correia.

Viagens

Também será decidido na reunião de amanhã se Kléberson e Adriano (este se renovar o contrato) vão seguir para o Nordeste. Já era certa a vinda dos jogadores se acontecesse uma vitória, mas a derrota pode mudar os planos da diretoria rubro-negra – além do cansaço apresentado por outros pentacampeões (como Kaká e Rogério Ceni, do São Paulo) assustar a comissão técnica. O Atlético joga no sábado contra o Goiás, no Castelão.

Folga

Os jogadores tiveram todo o domingo de folga – enquanto muitos descansavam ou passeavam por Fortaleza, o preparador físico Eudes Pedro e o auxiliar Maurílio Evaristo estiveram no Castelão assistindo à partida entre Goiás e Flamengo. Hoje os treinos acontecem em dois períodos: pela manhã haverá um trabalho regenerativo na praia de Iracema e à tarde Riva comanda um treino tático no estádio Carlos de Alencar Pinto.

Torcida não dá o ar da graça

Fortaleza

– Desolador. Era o imponente estádio Plácido Aderaldo Castelo na tarde azul de sábado. Não havia sequer mil torcedores no local para a rodada dupla – que tinha Atlético x São Caetano como preliminar e um empolgante Ferroviário x Maranguape como jogo de fundo. O fracasso de público assustou até mesmo quem não esperava muita gente no Castelão – como os próprios organizadores da competição.

Olhando por um lado mais real (o dos cearenses), era perfeitamente compreensível a ausência de torcedores no estádio. No dia seguinte dois jogos movimentariam a cidade, e muitos preferiram guardar seus reais para assistir o Flamengo por primeiro e logo depois o clássico entre Fortaleza e Ceará. Com isso, apenas alguns torcedores do Fortaleza foram empurrar o Atlético, ladeados por alguns curitibanos que emendaram as férias com a torcida para o time de coração.

No final das contas, havia mesmo as organizadas do Ferrim (como eles chamam o Ferroviário) e do Maranguape – time da cidade onde nasceu o comediante Chico Anísio. Com tão pouca gente, podia se admirar a bela arquitetura do recém-reformado Castelão, com capacidade para 70 mil torcedores, todos sentados em cadeiras. Resta ainda a concretagem das gerais, que aumentará em 15 mil a capacidade do estádio. Ah, você quer saber quanto deu o jogo? Ferroviário 4×3 Maranguape, e foi um jogão.

Furacão irreconhecível

Fortaleza

– Se no primeiro jogo o Atlético não conseguiu ser o que realmente é, no sábado só o foi por alguns instantes. E eles não foram suficientes para salvar a equipe da derrota para o São Caetano por 2 a 1, no estádio Plácido Castelo. O pouco de bom futebol apresentado atendeu por um único nome – Dagoberto, que inexplicavelmente não começou jogando, e quando entrou quase mudou a história do jogo.

O primeiro tempo foi dos mais fracos do Atlético nos últimos tempos. Desencontrada, a defesa era apenas um rápido empecilho, facilmente ultrapassado pelos jogadores do São Caetano. Apesar dos alertas do auxiliar Maurílio Evaristo, que assistiu à estréia do time paulista na competição, não havia sequer acompanhamento para o lateral Rubens Cardoso, que trafegou livre por todos os pontos do ataque.

O gol tornou-se questão de tempo, e aos 10 minutos Robert fez boa jogada e Aílton completou para abrir o placar. Ao contrário do que geralmente acontece, o Atlético não conseguiu acordar na partida, continuando a ser dominado pelo São Caetano. Apenas Fabiano conseguia se sobressair, fazendo duas boas jogadas – numa delas, Alex arrematou fraco, facilitando a defesa de Sílvio Luís.

Era pouco para equilibrar as ações. Somália chegou a driblar toda a defesa rubro-negra (inclusive Flávio), mas acabou furando na hora do chute. De novo o gol era iminente, e ele aconteceu aos 35 minutos – Anaílson atraiu a marcação e tocou para Rubens Cardoso, que apenas desviou de Flávio, marcando o gol que seria o decisivo. O primeiro tempo seguiu no mesmo diapasão até o final, e a opinião do técnico Riva não podia ser melhor colocada. “Na verdade, era para ser um placar ainda mais dilatado”, disse.

Veio a segunda etapa e com ela Dagoberto, “para reforçar a marcação em cima dos volantes do São Caetano”, segundo Riva. Mas Dagoberto fez mais – marcou, armou e ousou, o que ninguém de camisa rubro-negra no primeiro tempo tinha feito. Era clara a recuperação da equipe, e a melhora foi confirmada aos 15 minutos, quando o atacante fez ótima jogada individual e chutou de fora da área, sem chances para Sílvio Luís.

Era o que o Atlético precisava – alguém que acendesse a chama daquele Atlético campeão brasileiro. Na verdade, Dagoberto incendiou o jogo e preocupou o São Caetano, ao ponto de Jair Picerni sacar um armador e um atacante para colocar dois volantes (Claudecir e Serginho). Superior, o Atlético conseguiu o que precisava – um pênalti, cometido por Marcos Senna em Dagoberto. Ele até poderia ter batido mas deixou para Alex, que cobrou fraco, perdendo a chance do empate.

Daí para frente o Atlético se descontrolou. Como pinos de boliche, os jogadores foram desabando no desespero. Primeiro foi Alex, que acertou um chute em Marcos Senna. Depois veio Alessandro, que agrediu Dininho e foi expulso. Logo em seguida, Adauto acertou Adãozinho e tomou o cartão amarelo. Na cobrança da falta, ele acertou de novo o paulista, sendo expulso no ato. Para fechar, Rogério Correa estranhou-se com Jean Carlos ao final da partida. Enquanto isso, Gustavo estava estirado no gramado, tentando entender o que estava acontecendo. O Atlético estava ali, derrotado e derrubado.

Parceria entre Galo e Furacão quase certa

Lucas Duarte

Restam apenas alguns ajustes de contrato para que o Grêmio Maringá feche um acordo de parceria com o Atlético Paranaense pelos próximos quatro anos. O coordenador técnico do Furacão, Antônio Carlos Gomes, esteve reunido com a diretoria do Galo no último final de semana, em Maringá, e garantiu que a parceria está praticamente selada. “Falta muito pouco e dentro de alguns dias o acordo já deverá estar firmado”, disse Antônio Carlos à algumas emissoras de televisão e rádio de Maringá.

Segundo o presidente do Grêmio Maringá, José Kaleffi, a parceria já está “verbalmente” acertada e o contrato definitivo deve ser assinado na próxima quinta ou sexta-feira. “A conversa foi muito positiva e agradou aos dois lados. Só vamos ajustar alguns pontos do contrato e acredito que até o próximo fim de semana tudo estará acertado”, disse à Tribuna. A parceria envolve também um grupo espanhol de etnia basca, cujo nome ainda não foi divulgado.

Na parceria, o Atlético cederia em torno de 15 jogadores inicialmente para o clube maringaense e o grupo espanhol mais sete atletas. No primeiro mês, os salários dos jogadores seriam pagos pelo Rubro-negro junto com o grupo espanhol e mais alguns patrocinadores da equipe maringaense. Mas a partir do segundo mês isso pode mudar, mas ainda não está definido.

Lucros

Um dos principais interesses nesta parceria é o possível lucro com a venda de atletas que se destacarem no Grêmio. “Se for algum dos nossos jogadores, ficamos com 70% do valor bruto da venda e o Atlético e o grupo espanhol ficam com 15%”, explicou Kaleffi. “Caso o atleta seja do Atlético ou do grupo espanhol, ficaremos apenas com 10%”,completou.

O Atlético ainda ajudaria com mais alguns patrocínios, como por exemplo, a empresa de materiais esportivos Umbro. Ela ficaria responsável pela cessão dos materiais para atletas e comissão técnica do Galo.