Ficou para os 38 vereadores da Câmara Municipal de Curitiba resolver o impasse envolvendo a liberação dos recursos para a conclusão nas obras da Arena da Baixada, que vai receber quatro jogos da Copa do Mundo de 2014. Deverá ser votado na semana que vem, em regime de urgência, uma proposição do atual prefeito Luciano Ducci, que altera a lei número 13.620, aprovada em novembro de 2010, elevando o limite de títulos do potencial construtivo de R$ 90 milhões para R$ 123 milhões. Somente se os parlamentares aprovarem o pedido é que a CAP S/A, criada para gerir a reforma do estádio, poderá captar o empréstimo de R$ 131 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) dando as 246.134 cotas de potencial construtivo em garantia.

A proposição encaminhada pela Prefeitura de Curitiba, no entanto, difere da emenda à lei que Luciano Ducci já havia enviado à Câmara, e depois, às vésperas das eleições municipais, mandou recolher. Naquela, os títulos do potencial construtivo seriam divididos em cotas com o valor de R$ 500 cada, mas poderiam ter um valor flutuante conforme as obras da Arena da Baixada encarecessem. Desta vez, o prefeito, que vai entregar o seu mandato para Gustavo Fruet no final deste mês, sugeriu apenas o valor do aumento integral para R$ 123.666,666,67 milhões, sem que essa quantia possa ser alterada futuramente. Isso significa que a reforma da Arena da Baixada daqui por diante deverá caminhar dentro de um orçamento restrito, no que depender da verba pública alocada na obra. Caso extrapole, o Atlético é que deverá cobrir a diferença.

A assinatura do contrato por parte da CAP S/A não foi harmoniosa. Antes da reunião que ocorreu na Agência de Fomento do Paraná, o presidente do Atlético e da CAP S/A, Mário Celso Petraglia, e o secretário municipal da Copa do Mundo, Luiz de Carvalho, estiveram na Câmara dos Vereadores para prestar esclarecimentos sobre o porquê da não assinatura anteriormente – houve um princípio de discussão com alguns vereadores. Foi quando a dupla recebeu um telefonema e saiu às pressas para a sede da Fomento, onde, após uma reunião que se estendeu por mais de uma hora, foi selado o contrato a ser enviado ao BNDES.

Depois da assinatura, Luiz de Carvalho e Petraglia voltaram a Câmara e, enfim, prestaram os esclarecimentos. O presidente da CAP S/A destacou durante a reunião que a pedida do aumento do valor dos títulos do potencial construtivo deu-se pela mudança no orçamento das obras de conclusão da Arena da Baixada, que passaram, segundo ele, de R$ 135 milhões para R$ 184 milhões. “A Fifa disponibiliza um caderno de arenas e precisávamos cumprir tudo, de acordo com o que foi exigido, para recebermos a Copa do Mundo. Assim, houve o aumento do valor para a conclusão da Arena e tivemos que nos adequar a esse valor”, afirmou.

Luiz de Carvalho informou que em 2010 apenas um rascunho dos projetos e dos orçamentos para a realização da Copa do Mundo em Curitiba foram entregues à Fifa. Assim, com um tempo maior para elaboração do projeto e pela modernização que a entidade máxima do futebol exige, o orçamento precisou ser alterado. “Adequamos nosso projeto com base nessas exigências da Fifa”, ressaltou o secretário municipal da Copa do Mundo.