Daniel Derevecki
A principal obrigação dos novos mandatários do Furacão será concluir a Arena e brigar para que a capital paranaense seja uma das sedes da Copa 2014.

A futura administração do Atlético deve ser conhecida hoje à noite, após a realização da assembléia-geral extraordinária, e caberá a ela gerir o clube durante o próximo biênio 2008/09.

Dentre as principais obrigações imputadas aos membros dos conselhos gestor e deliberativo estará a de participar efetiva e politicamente para que a Arena conquiste espaço e se transforme em um dos estádios-sede para os jogos da Copa de 2014. Tarefa nada fácil, pois o Estado não tem sequer conseguido uma audiência com Ricardo Teixeira, presidente da CBF, para tratar do assunto. Curitiba briga com outras 17 cidades para ser uma das 12 sedes do megaevento. Na semana passada, durante uma entrevista, o atual presidente administrativo do Atlético, João Augusto Fleury, criticou a falta de empenho das autoridades governamentais na luta por Curitiba, deixando apenas ao clube o trabalho de elevar o nome do Estado.

Ainda dentro desse contexto de Copa do Mundo, os novos dirigentes também terão a missão de buscar patrocinadores fortes e investidores para a conclusão da Arena. Espera-se que na próxima gestão, ao menos, as obras de conclusão do moderno estádio atleticano sejam iniciadas. O projeto já foi divulgado e a maquete está em exposição na sede do clube. Estima-se que a obra de conclusão leve 18 meses e os gastos devem ficar próximos aos 30 milhões de dólares.

A negociação do ?naming rights? da Arena – que representa o direito a exposição da marca de um patrocinador embutida no nome do estádio – é outro ponto a ser apurado pela nova administração. Atualmente, a detentora da nomenclatura é a empresa japonesa Kyocera, cujo contrato termina no final deste ano. A concessão do nome pode ser renovada e as conversações estão em andamento. Com a probabilidade de sediar jogos da Copa do Mundo, os valores do contrato de ?naming rights? devem alcançar cifras muito maiores do que as atuais – que giram em torno de dois milhões de dólares/ano. O contrato em vigor, com a empresa japonesa, tem validade por três anos e cláusula de renovação por mais dois.

Outro desafio para os novos mandatários engloba a política externa do clube e, conseqüentemente, sua representatividade nacional. Como é notório, o relacionamento do Furacão com o Clube dos 13 anda meio estremecido e desgastado. Perdendo espaço até para o rival Coritiba. Uma reaproximação com a entidade que comanda a distribuição de verbas e de certa forma o futebol da 1.ª divisão do País seria útil aos próximos comandantes do Rubro-Negro.

Hora de olhar pro futebol

Outro item, não menos importante, mas que tem ficado em segundo plano nos últimos anos, diz respeito ao departamento de futebol. Gestões anteriores se preocuparam em dar a estruturação necessária ao clube, com a modernização do CT do Caju e da Arena, referências nacionais.

No entanto, com a divulgação de que o CT está auto-sustentável e que o dinheiro gasto na conclusão da Arena virá de investimentos externos, e não de dinheiro arrecadado pelo clube, espera-se uma maior atenção na formação de elencos fortes e na conquista de títulos.

A junção desses dois fatores fará com que o torcedor reencontre a magia do que é o futebol rubro-negro, ganhando incentivo para freqüentar ainda mais os jogos de seu time e apoiá-lo, contribuindo assim com o aumento da receita.

A conquista de títulos é fator determinante para o crescimento da torcida e, conseqüentemente, do clube, com projeção nacional e internacional. Ressalta-se que o Atlético não ergue o campeonato estadual há dois anos (2005) e a última boa campanha no nacional aconteceu em 2004, com o vice-campeonato brasileiro.