Com um saco de lixo às costas, Rodrigo Solto deixa o CT do Caju.

As lágrimas nos olhos do volante Rodrigo Souto na frente do CT do Caju não deixaram dúvidas. Ele era o primeiro nome confirmado da lista de dispensas do Atlético.

Junto com ele, outros 11 jogadores e mais a comissão técnica ganharam a mala da diretoria após a vexaminosa derrota para o Independiente Medellín, terça-feira, na Kyocera Arena. No caso do ex-jogador rubro-negro, foi pior. Com o carro numa oficina mecânica, saiu a pé carregando um saco plástico nas costas com seus pertences e calçando apenas chinelos.

Se despediu rapidamente da imprensa e foi embora. Imagem mais desoladora, impossível. E olha que ele nem jogou nas últimas partidas e pagou pelo que não fez. Inscrito com a camisa 8 na Copa Libertadores da América, será substituído, provavelmente, pelo meia Rodrigo Almeida. Além dele, já deixou o clube o atacante Tavares, contratado como favor ao empresário Jorge Baidek, o mesmo do ex-treinador Casemiro Mior. Souto era do empresário Luís Taveira, que também perde no Furacão os meias Netinho e Morais, este último está indo para o Vasco.

Os atacantes Dennys e Dinei serão emprestados e nem precisam mais bater ponto no CT do Caju. Outros jogadores menos conhecidos e que estavam rodando por clubes do interior também serão encaminhados para outras agremiações. Os dirigentes não comunicaram pessoalmente as dispensas aos envolvidos. O Estado apurou que coube ao mordomo José Carlos dos Santos a ingrata missão de dar a má notícia, nos vestiários, a quem não iria treinar na tarde de ontem.

Já esperada, a dispensa do técnico Edinho Nazareth era questão de tempo, de horas, para ser mais preciso. Desde que começou a falar mal do preparo físico e do planejamento, o treinador começou a arder num fogo brando. A seqüência de derrotas seguidas foi apenas a oportunidade de a diretoria aumentar o fogo e queimar Edinho na mesma frigideira que já tinha assado Casemiro Mior. Com ele, saem o auxiliar Leandro Ávila e o preparador físico Márcio Meira.

O outro auxiliar técnico desta comissão, Lio Evaristo, que é funcionário do clube, "ganhou" 30 dias de férias para "descansar". A medida é apenas uma praxe do clube de demitir quem é da casa. Dificilmente voltará ao cargo. Nos bastidores, Lio foi acusado de boicotar o trabalho de Edinho numa tentativa de herdar a função. Em apenas um mês de clube, o ex-treinador comandou a equipe em sete jogos, sendo três vitórias e quatro derrotas.

Por enquanto, Borba Filho é quem comanda

O assessor executivo Borba Filho assumiu interinamente o comando do Atlético e já deu uma dura nos jogadores: quem quiser continuar vai ter que mostrar interesse. Do contrário, tomará o mesmo rumo daqueles que foram dispensados ontem pela diretoria. Jornalista e treinador de futebol, Ronaldo Augusto Borba, que vinha desempenhando o papel de observador dos adversários, foi o escolhido para comandar o time contra o Corinthians e enquanto os dirigentes não contratarem um substituto definitivo de Edinho Nazareth.

?O jogo de ontem ficou marcado por uma série de coisas contundentes que nós vamos precisar administrar nos próximos dias. Alguma coisa precisava ser feita?, apontou Borba. Esses tais pontos contundentes passam pelas péssimas atuações de alguns atletas seguidamente e da falta de comando do treinador anterior. Como Edinho foi substituído, Borba deu o recado do que quer para os atletas. ?Vão comigo nessa empreitada aqueles que realmente querem ir. Quem não estiver totalmente disposto a nos acompanhar nessa jornada vai ficar de fora?, avisou.

Ele deixou claro que não está assumindo definitivamente a função. ?Eu estou aqui atendendo um chamamento da diretoria e espero que o mais breve possível seja solucionada esta questão do novo treinador?, destacou. Mesmo assim, há possibilidade dele permanecer no cargo. Os resultados definirão essa questão.

Para domingo, o desfalque será o atacante Aloísio. Ele sofreu uma lesão na canela, que não chegou a ser quebrada, mas precisará passar por uma cirurgia. O seu substituto deverá ser Maciel. O restante do time poderá sofrer alterações, inclusive com a mudança do esquema 3-5-2 para o 4-4-2.

Chamusca, primeira especulação

O novo técnico do Atlético terá que ter comando firme, ou seja, ser durão com os jogadores, mas com um estilo "paizão". Deu para entender? Para a diretoria do Atlético, foi isso que faltou a Edinho Nazareth na rápida passagem do carioca pelo comando do rubro-negro e é isso que será buscado agora. Um perfil que também agrada aos próprios atletas. Os dirigentes, oficialmente, ainda não têm nomes nem prazo para trazer o treinador, mas já se fala em Péricles Chamusca nos bastidores rubro-negros.

"O jogador quer um treinador que comande a equipe, não só dentro de campo, mas fora de campo. Eles querem um líder, sabe? Conversando agora há pouco com eles foi isso que eles me falaram", revelou Antônio Carletto Sobrinho, assessor executivo. O dirigente não gostou nada da postura de Edinho e deu a entender que faltou pulso ao dispensado. "Treinador tem que ser aquele que, quando você perde para o Santos, entra no vestiário e vai levantando a mão nos jogadores, como a gente faz. Eu entrei no vestiário e vi o treinador mais abalado e isso passa para o elenco a falta de liderança", apontou.

Segundo ele, a definição do novo nome pode sair nas próximas horas. "A coisa foi muito repentina e logo nós teremos um nome. Mas, a escolha do Borba foi muito boa. Ele é uma pessoa que eu conheço há muitos anos, já participou de duas Libertadores, é uma pessoa de confiança e tem um vasto conhecimento. Já que ele é um grande treinador e começa a ganhar, ganhar, porque tirar?", destacou. Isso quer dizer que se o novo técnico demorar a ser contratado, Borba poderá ser efetivado, em caso de bons resultados.

Mesmo assim, a procura continua. O ex-técnico do Goiás, Péricles Chamusca, está bem cotado para vir para a Baixada. Ele já foi sondado outras vezes e não acertou. Agora, parece ter chegado a hora do baiano. O maior título dele na carreira foi a Copa do Brasil, ano passado, dirigindo o Santo André.