Coritiba e Atlético, membros fundadores da Primeira Liga, decidiram, na tarde de terça-feira (22), depois de uma reunião realizada em Belo Horizonte, que estão fora da edição de 2017 da competição regional. O principal motivo da desistência da dupla foi a divergência quanto a divisão dos valores das verbas de televisão. O pedido era para que os valores fossem divididos igualmente entre os participantes, mas não houve o acordo e, assim, os dois principais clubes do Estado não disputarão o campeonato na próxima temporada. Com isso, o Paraná Clube pode ser o único representante paranaense no torneio. O Londrina pode ficar com uma das vagas ainda.

A Primeira Liga surgiu no final de 2015 e, depois de enfrentar alguns obstáculos, como por exemplo, a resistência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para ser incluída no calendário, foi disputada pela primeira este ano. O torneio, na verdade, era o primeiro passo dos grandes clubes para que o futebol brasileiro se tornasse mais independente, sem ter maior interferência da CBF.

O atual presidente do Conselho Deliberativo do Furacão, Mário Celso Petraglia, era um dos grandes defensores da Primeira Liga, mas encontrou os mesmos problemas enfrentados nas competições organizadas pela CBF. O Coritiba sempre compartilhou da mesma ideia e, no mês passado, os dois clubes se uniram e pediram a convocação de uma reunião de emergência para que o rateio das verbas de televisão fosse melhor discutido. A dupla propunha que a divisão fosse feita da seguinte forma: 50% entre os clubes, 25% por audiência e 25% para premiação. Entretanto, ficou definido que a divisão será feita com 46% da verba para os participantes, 31,5% por audiência e 22,5% para os prêmios. Além disso, os clubes participantes foram divididos em quatro grupos de cotas, com os dois paranaenses apenas no terceiro grupo.

O presidente do Coxa, Rogério Portugal Bacellar, lamentou a falta de união dos clubes e criticou a postura, principalmente de Flamengo e Fluminense, que se beneficiariam com a divisão desigual dos valores para a participação da Primeira Liga.

“Nós resolvemos sair porque quando o Coritiba tratou do retorno da Sul-Minas primeiramente era para ser um torneio democrático e para formar um bloco de clubes com o objetivo de fazer frente nas discussões com a CBF, Rede Globo, etc. Com isso, nós demos o início a Primeira Liga. Com o início da Primeira Liga, Flamengo e Fluminense entraram como convidados e agora a divisão de parcelas está sendo diferente e o Coritiba está chateado com o tratamento que eles têm feito a respeito com a união dos clubes”, apontou Bacellar, em entrevista à Banda B.

O Atlético foi representado na reunião por Petraglia. O presidente do conselho administrativo do Furacão, Luiz Sallim Emed, confirmou a saída do clube  e ressaltou que a decisão tomada em conjunto com o rival prova a vontade dos clubes de fortalecer o futebol paranaense.

“O Atlético tomou a decisão de não disputar a Primeira Liga. Isso foi uma decisão em conjunto com o Coritiba”, contou Emed. “É importante uma coisa assim. Não vou nem dizer que está unido, foi uma decisão tomada em conjunto. Entramos juntos e saímos juntos. Isso mostra que, fora de campo, os dois clubes estão pensando de uma maneira mais harmônica. Acho que isso também é importante. Tudo o que for fortalecer o futebol paranaense tem que fazer. Isso demonstra que não está apenas no discurso, mas é uma decisão fática mesmo que tomamos”, acrescentou o mandatário rubro-negro.