Foto: Valquir Aureliano/O Estado

Dagoberto chega para a audiência no TRT. Nada foi resolvido entre
o Atlético e o atacante.

A novela envolvendo a renovação do contrato de Dagoberto com o Atlético ainda está longe do fim. Não houve acordo entre o atacante e o clube na audiência realizada na tarde de ontem, no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em Curitiba. Assim, continua valendo a decisão judicial que prorrogou o compromisso de Dagoberto com o Furacão por 250 dias, até 29 março de 2008.

Na audiência de ontem, o juiz Paulo Ricardo Pozzolo, da 8.ª Vara, propôs uma negociação. A sugestão foi aceita pelo Atlético e negada por Dagoberto, que esteava presente, mas só se pronunciou através de seus advogados.

A defesa do jogador pediu a revogação da tutela antecipada que determinou a renovação do contrato. Porém o juiz informou que só irá proferir uma decisão após o Atlético se manifestar sobre os documentos apresentados. O prazo dado ao clube se encerra no dia 30 de agosto. O julgamento final do caso ficou marcado para o dia 20 de outubro.

?A partir do dia 30 de agosto até o dia 20 de outubro, o juiz pode eventualmente revogar (a renovação). Mas ele já disse que não há, por ora, fato novo algum que justifique alterar a decisão em favor do Atlético. Ele vai analisar os argumentos do Dagoberto e, se entender por revogar, será após o dia 30. Até lá a situação permanece intacta?, explicou o advogado rubro-negro, Diogo Fadel Braz.

A decisão favorece o Furacão, já que o prazo de inscrição de jogadores para o Brasileiro se encerra no dia 22 de setembro. Assim, se a renovação do contrato for mantida até o julgamento final da ação, nenhum outro clube brasileiro poderá contar com Dagoberto neste campeonato.

A legislação prevê que, a um ano do fim do vínculo, a multa de rescisão contratual cai para 20% do valor original, que no caso de Dagoberto é de R$ 16,2 milhões. O vínculo do atacante com o Atlético se encerraria em 23 de julho de 2007. Como não houve acordo para uma renovação, o Rubro-Negro foi à Justiça para evitar que a multa caísse para R$ 5,4 milhões, valor considerado muito baixo pelo time da Baixada.

O clube pleiteia que o contrato seja estendido por período equivalente ao que o jogador ficou afastado dos gramados, devido a uma contusão no joelho, conforme previa a lei na época da assinatura do compromisso. No dia 6 de julho, o Atlético conseguiu tutela antecipada sobre o caso, renovando o vínculo por 250 dias.

Mesmo contrariada com a decisão de ontem, a defesa do jogador acredita que pode reverter a situação. ?Quando a gente vem para uma disputa jurídica, tem que estar sempre confiante. Entendemos que o direito está do lado do atleta. Se trata de um caso único na legislação brasileira, de um atleta ter seu contrato prorrogado sem sua vontade e com base num decreto que já estava completamente revogado?, afirma o advogado do atacante, Fernando Barrionuevo.

Atacante diz que ?não tem essa de corpo mole?

Mesmo com toda a confusão envolvendo sua permanência no Atlético, Dagoberto diz que está motivado para continuar defendendo o time da Baixada. ?Depois que o clube entrou na Justiça contra mim, já fiz dois jogos. Todo mundo viu que quando coloco aquela camisa, procuro honrála como eu sempre honrei. Isso, ninguém nunca veio reclamar de mim?, disse o jogador, na saída da audiência de ontem, no TRT.

Mesmo assim, Dagoberto não escondeu seu descontentamento com a situação. ?Falaram que fiz corpo mole… É uma coisa meio absurda. Sempre trabalhei. Sempre fiz as coisas que me pediram. Me machuquei jogando. Trabalhei muito mais. Ficava final de semana, de manhã e à tarde todos os dias. Me impediram de ter férias. Trabalhei muito e por isso estou tranqüilo. Tenho contrato com o Atlético. Sou empregado e acho que é meu dever trabalhar?, desabafou.

O atacante preferiu não dar maiores detalhes sobre a audiência de ontem. ?Conversamos, passamos a defesa, e vamos deixar nas mãos do juiz. É uma coisa inédita um clube entrar contra um empregado, mas acredito que a lei vai me favorecer?, afirmou.

Sobre seu futuro, caso consiga reverter a decisão que renova seu contrato com o Atlético, Dagoberto foi evasivo. ?Não sei, vamos esperar?, finalizou.

Bahia propõe troca-troca

Ao mesmo tempo em que disputa com André Rocha a posição de lateral-direito no jogo contra o Grêmio, Carlos Alberto pode estar deixando o Atlético. O Bahia tem interesse no jogador e está propondo ao Rubro-Negro uma troca com o lateral Ari.

A informação foi dada ontem pelo diretor de futebol do clube baiano, Newton Mota. O interesse do tricolor por Carlos Alberto é antigo. Ele se destacou no campeonato baiano defendendo o Itabuna, antes de se transferir para o Furacão, no início do ano.

No Atlético, Ari reencontraria o técnico Vadão, com quem trabalhou no próprio Bahia. Recentemente, Ari foi dispensado por Internacional e Atlético-MG, onde esteve por empréstimo.

Quem também pode estar dando adeus ao CT do Caju é o atacante Neto Baiano, contratado em maio deste ano, junto ao Paulista. Ele não estaria nos planos de Vadão e pode ser emprestado a outro clube, já que o Rubro-Negro conta com vários jogadores para a posição.