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Fernandinho e a intimidade
com a bola. Bom predicado.

O Atlético embarca hoje para o Rio de Janeiro com apenas um intuito: trazer de São Januário a segunda estrela dourada e provar que não era uma "nuvem passageira". Em meio ao tiroteio verbal da semana, das provocações de Eurico Miranda, ameaças da torcida adversária e de ter que jogar no folclórico estádio do Vasco da Gama, os jogadores se mostram preparados para a decisão contra a equipe carioca e dar ao clube o bicampeonato. Para isso, o time terá que superar o tabu de nunca ter vencido o adversário no seu estádio. O confronto está programado para as 16 horas de amanhã.

"Nós sabíamos que o nosso time não era uma nuvem passageira, tanto é que está aí, decidindo o título. Todo mundo sabe que está fazendo um bom trabalho e é só coroar tudo isso nesse próximo jogo", aponta o capitão Fabiano. Segundo ele, o time está tranquilo com a situação e deixa na mão dos dirigentes as garantias de que a partida transcorrerá sem nenhum problema. "Depois dos incidentes que ocorreram em São Januário, eu acho que tudo já foi solucionado e a nossa diretoria também tomou as providências. O Maculan (Alberto, diretor de futebol) conversou comigo e já passou que está tudo resolvido", destaca.

Com essa garantia repassada pelos dirigentes, os jogadores querem apenas se concentrar em jogar futebol e provar que o Rubro-Negro merece ser campeão. "Não podemos derrapar nesses dois jogos, para não dar margem para muita gente falar o que quiser. Por isso, a equipe está concentrada e vamos em busca desses três pontos", diz o zagueiro Marinho. Para o meia Fernandinho, a equipe está tratando a partida como se fosse uma decisão e é assim que todos irão entrar em campo. "Nossa equipe depende dessa vitória para ficar mais próxima do título ainda, então está todo mundo num espírito de decisão de Copa do Mundo", garante.

Para o técnico Levir Culpi, a agitação extra-campo passou dos limites e está na hora de todos se preocuparem apenas em jogar futebol. "Essa parte extra-campo está um pouco intragável. Até ridículo em algumas situações. De qualquer forma, dentro de campo a coisa segue muito bem e não vai acontecer nada de diferente", analisa. O treinador aposta no lado emocional para superar os últimos obstáculos na busca do título. "É assim que tem que acontecer. Não esperamos nada de diferente no andamento da partida e, fora de campo, as pessoas têm que ser responsáveis para preservar o espetáculo", finaliza.

Atlético está pronto para a decisão de amanhã

O ala-direito Raulen e o volante Fabiano deverão ser as novidades do Atlético para a "decisão" contra o Vasco da Gama, às 16h de amanhã, em São Januário.

Uma vitória sobre os cariocas e um fracasso do Santos garante o título do campeonato brasileiro. O meia Jádson cumpre suspensão e, por isso, o técnico Levir Culpi manteve sua política de mistério e testou duas formas de atuar para enfrentar a equipe de Joel Santana. Hoje, o elenco faz um recreativo pela manhã e embarca após o almoço para o Rio de Janeiro.

"A gente vem trabalhando forte, eu tive a felicidade de entrar bem nessa última partida e isso pode estar me dando o crédito para entrar nesse jogo", aponta Raulen. Mesmo sem afirmar categoricamente que vai para a partida, ele foi a opção que mais treinou durante a semana e a mais lógica para o Rubro-Negro manter seu sistema de jogo. "Eu venho fazendo um bom trabalho aqui e ajudando a equipe. Se aparecer a oportunidade novamente, vou fazer aquilo que venho fazendo", destaca.

O ponto de interrogação na cabeça de Levir (se é que ele já não definiu e só espera mais algum tempo para comunicar seus atletas) se chama Fernandinho. Sem poder contar com Jádson, que levou o terceiro cartão amarelo contra o São Caetano, Fernandinho poderá ser deslocado para a meia. Ele, que vem atuando na ala, voltaria para sua real posição e deixaria a camisa 2 para Raulen, mas prefere não adiantar nada. "Tem mais um dia de treinamento e eu acho que o Levir vai soltar (a escalação) minutos antes da partida e meia hora antes vocês (imprensa) vão saber onde eu vou jogar", desconversa.

Mesmo assim, ele confirma que atuou de ala e de meia durante a semana. "Treinamos as duas maneiras aqui (CT do Caju), mas ninguém sabe qual foi que ele mais gostou e a gente também está na expectativa para saber qual é a formação tática", diz. O treinador pôs o time para atuar no 3-5-2 e no 4-4-2. Se Fernandinho não atuar pela meia, William e Morais têm chances de jogar como articulador. De certo mesmo, somente o retorno do capitão Fabiano ao meio-de-campo após cumprir suspensão automática. Dessa forma, Pingo volta ao banco de reservas.

O último treinamento antes do embarque para a Cidade Maravilhosa está programado para hoje pela manhã. Após o almoço, a delegação segue viagem e se concentra num hotel da Zona Sul do Rio.

Paulistas e cariocas forçam e STJD denuncia o Atlético

O Atlético-PR corre o risco de não atuar em casa a última partida do Campeonato Brasileiro, domingo, dia 19, contra o Botafogo. O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) indiciou o clube por causa de um copo plástico que caiu próximo da árbitra reserva de seu jogo com o São Caetano, no último domingo, na Arena da Baixada.

Por causa disso, o clube paranaense foi denunciado com base no Artigo 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) – deixar de tomar providências capazes de prevenir ou reprimir desordens em sua praça de desporto.

Na súmula da partida, o árbitro Elvécio Zequetto registrou apenas que durante a comemoração do segundo gol do Atlético, que venceu o São Caetano por 5 a 2, alguém do banco de reservas da equipe da casa "deixou cair" um copo plástico próximo à quarta árbitra.

O Botafogo, time de coração do presidente do STJD, Luiz Zveiter, luta contra o rebaixamento à Série B do Brasileiro e pode definir sua situação na partida com o Atlético-PR. O julgamento está inicialmente marcado para quarta-feira.

Surpresa

O presidente do Atlético, João Augusto Fleury da Rocha, revelou que até as 19h de ontem, quando deixou a sede do clube, não havia recebido a intimação, indicando o clube ter sido denunciado pelo caso. "Essa notícia para mim é uma surpresa e estou sabendo através de vocês", contou Fleury. "Liberamos nossos funcionários ontem mais cedo, pois em sua grande maioria viajariam amanhã (hoje), para o Rio, onde acompanharão o jogo de domingo (amanhã), contra o Vasco, e eles tinham que se preparar para a viagem", explicou o cartola rubro-negro.

Para Fleury, questões pequenas, como o incidente do copo, são transformadas em questões jurídicas pela pressão da reta final de campeonato. "Coisas de mínima importância são transformadas devido aos interesses em jogo", opinou Fleury.

"A Arena tem se mostrado um estádio bem preparado e nossa torcida tem se mostrado ordeira. Todas as cautelas foram adotadas para evitar problemas", ponderou o dirigente, que não quis antecipar a estratégia que o clube irá adotar, caso se confirme a denúncia, por não acreditar que o tribunal a aceite.

"O doutor Zveiter tem demonstrado uma lisura inconteste na condução dos processos, que prefiro considerar a hipótese que esta denúncia não avance", finalizou o presidente atleticano.

Falastrão, Eurico diz que não está preocupado

Rio – O Vasco parece disposto a criar um clima de tensão para o jogo com o Atlético-PR, no domingo, em São Januário. Por ordem de seu presidente, Eurico Miranda, o clube desconsiderou pedido da equipe visitante e enviou carga reduzida de mil ingressos para Curitiba. O líder do Campeonato Brasileiro queria três mil bilhetes.

O dirigente afirmou que 15 mil ingressos foram colocados à venda para o confronto e disse não temer a presença dos torcedores paranaenses. "Todo mundo tem o direito de ir e vir, mas invasão não vai ter em São Januário, de jeito nenhum", frisou o presidente do Vasco. "Tem mil lugares reservados para eles, com toda a segurança." Eurico voltou a afirmar que seu time não será rebaixado para a Segunda Divisão porque "é tão forte quanto os dois últimos adversários" – além do Atlético-PR vai enfrentar o Santos.

Eurico ainda foi irônico ao comentar insinuações de que o Vasco estaria preparando um clima hostil para a equipe paranaense. Ontem, mais uma vez, os jogadores e o técnico Joel Santana não concederam entrevistas. Eles estão sob a ?lei da mordaça?, seguindo ordem de Eurico Miranda. O dirigente disse que não há prazo para que o grupo seja autorizado de novo a se manifestar publicamente. E comentou que não está preocupado com isso.

Esquema

A necessidade da vitória contra o Atlético-PR, para assegurar a permanência do Vasco na divisão de elite do Brasileiro, levou o técnico Joel Santana a optar por inovar na formação tática.

Treinou ontem a armação 3-6-1, com a saída do time titular do atacante Marco Brito para a entrada de Gomes na zaga.

Com a opção feita pelo técnico vascaíno, o meio-de-campo da equipe será formado pelos alas Thiago Maciel e Diego, além dos meias Ygor, Coutinho, Júnior e Petkovic. E na zaga estão Gomes, Daniel e Henrique.

Há seis rodadas sem vencer e na 16.ª colocação na tabela de classificação do Brasileiro, com 51 pontos, uma nova derrota poderá deixar o Vasco a uma colocação da zona de rebaixamento da competição. Atualmente, a diferença entre o time carioca e o Vitória, o 21.º, é de apenas três pontos.